O candidato à Presidência da República pelo Missão, Renan Santos, voltou a defender, nesta quarta-feira (26/8), que o Brasil desenvolva armas nucleares como instrumento de soberania e defesa nacional.Durante sabatina na TV Globo, o presidenciável afirmou que o país precisará discutir a produção de bombas atômicas caso queira se tornar uma das cinco maiores potências mundiais.“Eu vejo o Brasil como uma das cinco maiores nações do mundo nos próximos 30 anos. E uma nação que será uma das mais importantes do mundo nos próximos 30 anos precisa ter armas nucleares”, declarou.Em outro momento, Renan afirmou que a posse de armas atômicas seria uma forma de proteger a soberania brasileira. “Ter armas nucleares dá uma forma de defender a sua própria soberania”, disse. Confira:➡️ Renan Santos defende armas nucleares e diz que Brasil não pode ser “o eterno Zé Carioca” do mundo🤳 TV Globo pic.twitter.com/2Ijor6oIfb— Metrópoles (@Metropoles) August 26, 2026A defesa, porém, não é compatível com as regras atualmente em vigor no Brasil. A Constituição Federal determina que toda atividade nuclear em território nacional deve ter finalidade pacífica.Para que uma mudança desse tipo fosse possível, seria necessário alterar o texto constitucional, além de enfrentar os compromissos internacionais assumidos pelo país.3 imagensFechar modal.1 de 3VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto2 de 3Renan Santos lançou sua campanha à Presidência em frente à Faculdade de Direito da USP e anunciou Guto Schiavetto ao Senado por São PauloJessica Bernardo / Metrópoles3 de 3VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.fotoO que diz a ConstituiçãoO artigo 21, inciso XXIII, da Constituição estabelece que cabe à União explorar os serviços e instalações nucleares e exercer o monopólio sobre atividades relacionadas aos minérios nucleares.A alínea “a” determina que atividades nucleares no Brasil só podem ter fins pacíficos e precisam ser aprovadas pelo Congresso Nacional.Na prática, portanto, a legislação brasileira atual não permite que o país desenvolva armas nucleares.Isso não significa que o Brasil esteja proibido de desenvolver tecnologia nuclear.O país utiliza o conhecimento e os materiais nucleares em áreas como geração de energia, pesquisa, medicina, indústria e defesa.O programa nuclear da Marinha, por exemplo, trabalha no desenvolvimento do submarino de propulsão nuclear, projeto que não envolve a produção de armas atômicas.O Brasil chegou a manter um programa nuclear militar, mas o projeto foi encerrado nos anos 1990, durante o governo de Fernando Collor.E os tratados internacionais?Além da Constituição, o Brasil assumiu compromissos internacionais que impedem a produção e a posse de armas nucleares.O país é signatário do Tratado sobre a Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP) desde 1998. O Ministério da Defesa afirma que o acordo integra o conjunto de tratados internacionais aos quais o Brasil aderiu na área de desarmamento e não proliferação.O Brasil também integra o Tratado de Tlatelolco, que estabeleceu a América Latina e o Caribe como uma zona livre de armas nucleares.O acordo proíbe os países da região de testar, usar, fabricar, produzir ou adquirir armas nucleares, além de impedir seu armazenamento e posse. Leia também São PauloLula cita submarino nuclear e diz que “Brasil não pode andar de cabeça baixa” Ramiro BritesAlvo de denúncia de Renan Santos teve contratos milionários com PM e Prodam BrasilApós Janja reagir a ofensas, Renan Santos a chama de “rainha louca” Grande AngularRenan Santos compara vender Petrobras a terceirizar Forças Armadas Na sabatina no JN, Renan foi questionado sobre a necessidade de o Brasil romper compromissos internacionais para desenvolver armas nucleares. O candidato não defendeu uma saída imediata do TNP, mas afirmou que a discussão deveria ocorrer no futuro.Em seguida, citou a Coreia do Norte como exemplo de país que, segundo a avaliação dele, passou a ser mais respeitado internacionalmente depois de desenvolver armas nucleares.“Se nós quisermos ser uma nação séria e respeitada, nos próximos 30 anos nós precisamos ter armas nucleares”, afirmou.O paulista ainda relacionou a proposta à necessidade de proteger recursos estratégicos brasileiros, como as terras raras, e de aumentar o poder de negociação do país diante de potências como os Estados Unidos e a China.