Juan Valdez, a “Starbucks latina”, acelera expansão no Brasil

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A Juan Valdez, uma das marcas colombianas de café mais conhecidas globalmente, prepara uma nova etapa de expansão no Brasil. Depois de chegar ao país em 2025 e abrir, em dezembro, sua primeira cafeteria-conceito em Ribeirão Preto (SP), a companhia vai lançar em setembro o primeiro e-commerce voltado ao consumidor brasileiro, com entregas para todo o país.A entrada no digital faz parte de uma estratégia mais ampla para aproximar a marca do consumidor brasileiro e ganhar escala em um mercado onde o consumo de cafés premium e especiais vem avançando. Em entrevista à CNN, Bruno Oliveira, CEO da Juan Valdez no Brasil, afirmou que a companhia pretende alcançar 100 cafeterias nos próximos dois anos e 300 unidades em cinco anos.Atualmente, a empresa tem uma unidade em operação, em Ribeirão Preto, e outras três previstas para os próximos meses. A meta é encerrar 2026 com dez lojas no país. E a expansão não ficará restrita às cafeterias: o plano brasileiro está estruturado em quatro frentes — franquias, varejo, food service e digital. Leia mais Exportação de café verde do Brasil supera volume total de agosto de 2025 Em projeto inédito, Espírito Santo testa gás natural na secagem de café Brasil faz primeiros embarques de uvas com tarifa zero à União Europeia “A gente tem o papel de encurtar a distância da marca para o consumidor brasileiro”, afirmou Oliveira. Segundo ele, a empresa identificou consumidores que conheceram os produtos da Juan Valdez em viagens ao exterior ou receberam o café como presente, mas encontravam dificuldade para voltar a comprá-lo no Brasil.É justamente essa lacuna que a companhia pretende atacar com o e-commerce. A partir de setembro, a plataforma deverá permitir a venda dos produtos em todo o território nacional.“A nossa missão a partir de setembro é acabar com essa distância via digital. A gente vai entregar no Brasil inteiro, com um mix super rico”, disse o executivo.Brasil está entre três prioridades globaisO tamanho do plano reflete a importância atribuída ao mercado brasileiro pela matriz colombiana. De acordo com Oliveira, o Brasil está entre os três países considerados prioritários para a expansão global da Juan Valdez nos próximos anos.A operação brasileira foi estruturada por meio de uma joint-venture, modelo utilizado pela companhia em sua internacionalização.No Brasil, a chegada da “Starbucks” latina foi viabilizada pela família Zaher, que detém 70% do negócio no país, enquanto os colombianos possuem os 30% restantes. Os Zaher são conhecidos no ramo das franquias de educação. A sociedade é responsável pela estruturação e expansão nacional da marca.Oliveira assumiu o comando da operação brasileira no fim de abril, depois de passagens por empresas como Cinemark e Domino’s. O executivo define a atual fase da Juan Valdez no país como uma espécie de “startup global”: apesar de a companhia estar presente em mais de 40 países, com quase 700 lojas e 17 mil pontos de venda no varejo, a operação brasileira ainda está sendo construída.A companhia não revela quanto pretende investir na expansão. Segundo Oliveira, os recursos estão sendo direcionados à estruturação da empresa, contratação de equipe, desenvolvimento da marca e preparação da operação para uma aceleração mais forte a partir de 2027.“Não temos poupado investimentos para garantir essa sustentação futura”, afirmou.Café colombiano disputa espaço no país que lidera produção globalA chegada ocorre em um mercado peculiar para uma marca estrangeira: o Brasil é o maior produtor mundial de café e possui uma indústria consolidada, além de um número crescente de cafeterias e marcas voltadas aos segmentos premium e especial.A Juan Valdez pretende se diferenciar justamente pela origem. Todo o café comercializado pela companhia no Brasil será 100% arábica colombiano e importado da Colômbia.Oliveira avalia que a marca não chega para disputar diretamente espaço com o café brasileiro, mas para complementar as opções disponíveis ao consumidor.“O premium cresce, o café especial cresce. A gente entende que é um movimento semelhante ao que já passaram outras categorias. Cerveja viveu isso, vinho viveu isso, gastronomia viveu isso. O consumidor está mais aberto a novas experiências e novos sabores”, afirmou.A intenção é posicionar a Juan Valdez como uma marca premium de alcance nacional, explorando diferenças de origem, torra e perfil sensorial do café colombiano.Das 32 divisões territoriais citadas pelo executivo na Colômbia, 22 produzem café, o que permite à empresa trabalhar diferentes origens e características dos grãos. O portfólio inclui ainda uma linha produzida exclusivamente por mulheres cafeicultoras.Importação exige planejamento de estoquesA dependência do produto colombiano, no entanto, acrescenta um desafio logístico à expansão brasileira. Segundo Oliveira, a empresa já mantém estoque no país para atender à fase inicial da operação e estruturou um processo mensal de importação.Os efeitos do recente terremoto que atingiu regiões cafeeiras colombianas não representam, até o momento, risco para o abastecimento da operação brasileira, segundo o executivo. Algumas áreas ainda enfrentam dificuldades, mas boa parte das regiões afetadas já retomou as atividades.Para Oliveira, o planejamento de demanda será especialmente importante à medida que o número de lojas e canais de venda aumentar.Além da logística, o CEO aponta outros dois desafios: encontrar pontos comerciais e operadores adequados para as franquias e ampliar o conhecimento da marca entre os brasileiros.A companhia afirma que não pretende concentrar a expansão em uma única região. Apesar da forte procura no Sudeste, Oliveira diz que há interessados também no Norte, Centro-Oeste e Sul do país. O critério será combinar bons pontos comerciais com operadores alinhados ao posicionamento da marca.Do grão ao café liofilizadoO e-commerce também será uma vitrine para ampliar o portfólio disponível no país. A companhia planeja trabalhar com diferentes formas de consumo, incluindo cápsulas, café em grãos, café moído, doses individuais e acessórios da marca.Uma das apostas será o café solúvel liofilizado. Segundo Oliveira, a tecnologia utilizada busca preservar características sensoriais do café e permitirá à empresa disputar também o consumidor que procura praticidade, mas sem abrir mão do segmento premium.A estratégia combina, assim, a expansão acelerada das cafeterias com canais capazes de colocar a marca em contato com o consumidor mesmo onde não houver uma loja física.Para Oliveira, o principal trabalho agora será transformar o reconhecimento internacional da Juan Valdez em presença cotidiana no mercado brasileiro.“A gente tem uma responsabilidade de contar a nossa história, explicar por que tem um produto tão bom e apresentar essa marca para o consumidor”, destacou.