Apesar da liderança econômica em Investimento Estrangeiro Direto (IED), o Brasil não ocupa o topo quando o assunto é residência por investimento. As informações constam no relatório Programas de Migração por Investimento na América Latina: Uma Análise Comparativa, elaborado pela consultoria internacional Global Citizen Solutions.O estudo avaliou 11 programas ativos na América Latina com base em critérios como velocidade de processamento, atratividade fiscal, flexibilidade dos investimentos exigidos e liberdade de permanência. O Panamá lidera o ranking, seguido por Paraguai e República Dominicana. Costa Rica, Equador e Uruguai também aparecem à frente do Brasil.Leia também: Brasil atrai US$ 77,6 bi em investimento estrangeiro, 40% dos aportes em LATAMA diferença sugere que o poder de atração brasileiro continua muito mais relacionado ao tamanho e às oportunidades de sua economia do que propriamente à competitividade de seu programa migratório. Ainda assim, a análise aponta que o país oferece condições relativamente acessíveis para investidores estrangeiros.Entrada barataSegundo o levantamento, existem caminhos vinculados a investimentos em inovação e tecnologia a partir de cerca de US$ 30 mil, constituição de empresas a partir de US$ 100 mil e aquisição imobiliária a partir de aproximadamente US$ 125 mil. As exigências variam conforme a modalidade e estão sujeitas às regras migratórias brasileiras, portanto esses valores não devem ser interpretados como compra automática de residência ou cidadania.Outra vantagem apontada é a exigência reduzida de presença física. A residência temporária requer 30 dias de permanência por ano, abaixo dos 180 dias exigidos por países como Colômbia e Chile. O processo de naturalização também aparece entre os mais rápidos da região, com possibilidade de cidadania em quatro anos, ou em três anos para determinados investimentos imobiliários acima de US$ 200 mil.Mesmo assim, a modalidade brasileira de residência por investimento imobiliário atraiu menos de 700 candidatos nos últimos cinco anos. Para a Global Citizen Solutions, a distância entre regras favoráveis e baixa procura decorre principalmente da pouca divulgação internacional do programa e da menor presença de consultorias especializadas promovendo o Brasil como destino de mobilidade global.Leia tambémAssociação de minerais críticos propõe pacote para reduzir risco e custo de capitalAMC apresentou aos presidenciáveis um pacote de dez medidas para reduzir risco regulatório e custo de capital em projetos de minerais críticosOcupação de espaçoSegundo a consultoria, a maior atenção sobre a região ocorre enquanto tradicionais destinos europeus restringem seus programas voltados a investidores estrangeiros. A Espanha, por exemplo, encerrou seu golden visa em abril de 2025, Portugal retirou a aquisição direta de imóveis das opções elegíveis de seu programa e a Grécia elevou para até 800 mil euros o investimento imobiliário mínimo em áreas de maior demanda.Esse movimento abre espaço para que a América Latina ganhe relevância como alternativa aos programas europeus e aos tradicionais programas de cidadania oferecidos por países do Caribe. A vantagem regional estaria na combinação de valores de entrada mais baixos, acesso a economias em crescimento e, em alguns casos, exigências menores de permanência.MobilidadeEnquanto tenta atrair investidores estrangeiros para seus próprios programas de residência, o Brasil também aparece como exportador de capital dentro do Mercosul. No Paraguai, brasileiros responderam por 76% das residências concedidas na primeira metade de 2026, segundo o estudo.Para Patricia Casaburi, CEO da Global Citizen Solutions, a decisão de obter residência em outro país deixou de representar apenas uma escolha de estilo de vida e passou a integrar estratégias de proteção patrimonial, diversificação de riscos e planejamento internacional de longo prazo.“A tendência é que o setor evolua de programas tradicionais de migração por investimento para modelos mais amplos de planejamento de mobilidade regulamentada, combinando due diligence, estruturação patrimonial e gestão de ativos em múltiplas jurisdições.”The post De US$ 30 mil a cidadania em 4 anos: por que ninguém compra o visto brasileiro? appeared first on InfoMoney.