Stablecoins já movimentam mais de US$ 400 milhões por hora, revela pesquisa

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As stablecoins movimentaram, em média, mais de US$ 400 milhões por hora em transferências durante o terceiro trimestre de 2026, segundo um estudo divulgado nesta terça-feira (20) pela exchange Coinbase em parceria com a empresa de análise The Block Research. O levantamento também mostra que a maior parte das operações ocorre fora do horário bancário tradicional dos Estados Unidos, indicando uma crescente utilização dessas criptomoedas para movimentar dinheiro a qualquer momento.Batizado de The Always-On Dollar (O dólar que nunca para, em tradução livre), o relatório aponta que 73% do volume analisado de transferências com stablecoins ocorreu fora do horário de funcionamento dos bancos americanos, considerando os 12 meses encerrados em 31 de julho.O resultado destaca uma das principais diferenças entre as stablecoins e os meios tradicionais de pagamento: enquanto determinadas operações bancárias dependem de horários comerciais e dias úteis, as transferências por blockchain podem ser realizadas 24 horas por dia, inclusive aos fins de semana e feriados.As stablecoins são criptomoedas desenvolvidas para acompanhar o valor de outros ativos, principalmente o dólar. Entre os exemplos mais conhecidos estão o USDT, emitido pela Tether, e o USDC, da Circle.Embora tenham ganhado espaço inicialmente como instrumentos utilizados por investidores para negociar Bitcoin e outras criptomoedas, esses ativos passaram a ser empregados também em pagamentos internacionais, transferências entre empresas e remessas de dinheiro.O estudo mostra que essa utilização tem crescido rapidamente. Desde o início de 2023, o volume trimestral ajustado de transferências de stablecoins quadruplicou, atingindo US$ 891 bilhões no terceiro trimestre deste ano.O número considera uma metodologia que busca identificar transferências econômicas efetivas, excluindo parte das movimentações internas e de operações automatizadas que poderiam inflar as estatísticas.Essa distinção é importante porque nem todas as transferências registradas em blockchain representam pagamentos por produtos ou serviços. Uma mesma quantia pode circular diversas vezes entre carteiras, exchanges e protocolos financeiros.No levantamento mais amplo, que inclui outras categorias de movimentações, as stablecoins chegam a transferir quase US$ 3 bilhões por hora, segundo o relatório.Caso o ritmo de crescimento seja mantido, os pesquisadores estimam que o volume ajustado poderá alcançar US$ 1,5 trilhão por trimestre até o final de 2027. Trata-se de uma projeção baseada na tendência atual, e não de um resultado garantido.Stablecoins podem reduzir custos de pagamentos e ganhar espaço com inteligência artificialAlém do crescimento no volume financeiro, a pesquisa destaca o potencial das stablecoins para reduzir custos e acelerar transferências internacionais.Segundo o levantamento, enviar US$ 200 em USDC pela Base, rede blockchain desenvolvida pela Coinbase, pode custar aproximadamente 86% menos do que realizar uma remessa equivalente pelos meios tradicionais considerados na comparação.Essa diferença pode beneficiar especialmente trabalhadores que enviam dinheiro para familiares em outros países, uma vez que taxas de transferência e conversão de moedas podem consumir uma parcela relevante dos valores enviados.Para as empresas, a possibilidade de movimentar recursos continuamente também pode melhorar a gestão do caixa.Uma companhia que precisa pagar um fornecedor no exterior, por exemplo, pode enfrentar atrasos relacionados ao horário de funcionamento dos bancos ou à necessidade de utilizar intermediários financeiros.Com stablecoins, a transferência dos tokens pode ser concluída em poucos segundos ou minutos, dependendo da blockchain utilizada. Entretanto, a conversão para moedas tradicionais e o recebimento em contas bancárias ainda podem depender de intermediários e das regras de cada país.O estudo estima que a migração de 80% das transações internacionais para infraestruturas baseadas em stablecoins poderia acrescentar US$ 155 bilhões por ano ao Produto Interno Bruto (PIB) global, considerando os ganhos potenciais de eficiência.A adoção também aparece no número de endereços que possuem essas criptomoedas. Segundo a pesquisa, aproximadamente 293 milhões de endereços únicos em blockchain mantêm saldos de stablecoins.O relatório compara esse número com a base combinada de titulares de cartões da American Express e da Discover, que seria menor. Entretanto, é importante destacar que um único usuário pode controlar diversas carteiras, enquanto endereços também podem pertencer a empresas e plataformas.O interesse não está restrito às empresas nativas do mercado de criptomoedas.Segundo a Coinbase e o The Block Research, sete dos dez maiores bancos dos Estados Unidos já realizaram testes envolvendo stablecoins ou depósitos bancários tokenizados para liquidação de operações financeiras. Os três restantes sinalizaram planos de explorar essas tecnologias.O avanço acompanha iniciativas recentes de instituições tradicionais, como o JPMorgan, que anunciou nesta semana a expansão de seu token de depósitos bancários JPM Coin para a rede Ethereum.Outra possibilidade destacada no relatório envolve a utilização das stablecoins em transações realizadas automaticamente por sistemas de inteligência artificial.Os pesquisadores avaliam que agentes de IA poderão utilizar essas criptomoedas para pagar por serviços digitais, adquirir pequenas quantidades de dados ou contratar capacidade de processamento sem a necessidade de intervenção humana em cada operação.Por exemplo, um agente de inteligência artificial poderia pagar outro sistema para executar uma tarefa específica, utilizando stablecoins para liquidar a operação diretamente por blockchain.De acordo com uma projeção da consultoria McKinsey citada no estudo, entre US$ 3 trilhões e US$ 5 trilhões do comércio global entre empresas e consumidores poderão ser intermediados por agentes de inteligência artificial até 2030.Isso não significa que todas essas transações serão realizadas com stablecoins, mas os pesquisadores argumentam que elas poderão ganhar espaço por permitir pagamentos de valores pequenos, de maneira automatizada e sem depender dos sistemas tradicionais de cartões.Apesar das vantagens apontadas pelo estudo, a adoção em larga escala ainda enfrenta desafios relacionados à regulamentação, à segurança das carteiras digitais e à integração com o sistema financeiro.Também existem diferenças entre as stablecoins, incluindo a composição das reservas, os direitos dos usuários e os mecanismos utilizados para manter a paridade com o dólar.Ainda assim, os dados apresentados indicam que essas criptomoedas estão ampliando sua utilização para além das exchanges e passando a desempenhar um papel maior na infraestrutura global de pagamentos.Procurando uma alternativa para aumentar seus ganhos? 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