Linhas azuis em um corpo de 5,3 mil anos: como o Homem do Gelo revelou a tatuagem mais antiga já encontrada

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Marcar a pele é uma prática que acompanha a humanidade desde os primórdios da nossa história. Como corpos antigos dificilmente preservam a pele, cientistas buscam respostas em vestígios preservados.Múmias egípcias femininas de 2160 a.C., como a de Amunet, mostram traços no abdômen. Esses desenhos indicam que a tatuagem no Egito Antigo podia ter ligação com cultos à fertilidade.O registro mais antigo está no Homem do Gelo, múmia de 5 300 anos achada nos Alpes em 1991. Suas linhas azuis podem ser as primeiras tatuagens da história ou cicatrizes de tratamentos da Idade da Pedra. Leia Mais Tumba no Egito revela 16 corpos humanos e um cachorro mumificados Homem de Gelo morreu há muito tempo, mas seus micróbios seguem vivos Garrafa com bilhete de 1977 achada no deserto do Egito mobiliza busca e localiza família de geofísico após quase 50 anos Origens e proibições da arte na pelePesquisadores concordam que a tatuagem nasceu da busca de tornar permanente a pintura corporal. Essa arte permitia ao indivíduo carregar a própria história gravada no corpo.A prática se espalhou pelos continentes para rituais, identificação social, ornamentação e camuflagem. No Império Romano, era aplicada para marcar prisioneiros e escravos.No Ocidente, a técnica caiu em desuso após ser proibida pelo cristianismo. O livro bíblico de Levítico vedava incisões e marcas no corpo por causa dos mortos.A redescoberta no Ocidente e a era modernaA tradição foi redescoberta em 1769, quando o navegador James Cook chegou à Polinésia. Em seu diário, registrou o costume local de injetar pigmento sob a pele, chamado de “tatau“.Um século depois, Charles Darwin afirmou que nenhuma nação do planeta desconhecia essa arte. De índios americanos a esquimós, quase todos os povos praticavam algum tipo de marcação.Com a invenção da máquina elétrica em 1891, a prática cresceu na Europa e nos EUA. No fim do século 20, o hábito de marinheiros e presidiários virou moda entre os jovens.Tradições milenares no Taiti e no JapãoNo Taiti, a mitologia dizia que os deuses ensinaram a arte de tatuar aos homens. Na Polinésia, a marcação definia a classe social, sendo restrita ao rosto e membros nas mulheres.O Japão aperfeiçoou a técnica com sessões de anos cobrindo o corpo inteiro. Mais tarde, a arte ficou ligada à máfia Yakuza e criou desenhos ocultos.Na Índia, além da tradição milenar, desenvolveu-se a pintura temporária de henna, chamada mehndi. Os desenhos duram uma semana e são usados em eventos especiais, como casamentos.Práticas rituais na Oceania e na ÁfricaNa Nova Zelândia, os desenhos espiralados maori indicavam a hierarquia social dos homens livres. Após a morte dos chefes, suas cabeças tatuadas eram guardadas pela família como relíquias.Nas tribos africanas de pele escura, a prática mais comum sempre foi a escarificação. O processo produz cicatrizes a partir de incisões na pele para ritos de passagem ou uso terapêutico.Em certas regiões do Sudão, as mulheres passam por três etapas de cicatrizes ao longo da vida. As marcas são feitas aos 10 anos, na primeira menstruação e logo após a gestação.