Alívio com data marcada? IPCA-15 deve desacelerar antes de novas pressões na inflação

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O IPCA-15 de outubro, que será divulgado nesta sexta-feira (23), deve mostrar uma desaceleração da inflação em relação a setembro, com alívio na energia elétrica. A pressão de alimentos e combustíveis, porém, deve limitar essa melhora, segundo projeções do ASA e Bradesco.O ASA estima alta de 0,49% para a prévia da inflação, após avanço de 0,70% em setembro. Apesar da desaceleração mensal, a taxa acumulada em 12 meses deve subir para 4,80% nas contas da casa. Já o Bradesco projeta uma variação de 0,45% no mês.Na avaliação de Leonardo Costa, economista do ASA, a principal contribuição para a perda de força virá do grupo Habitação, com o arrefecimento da inflação de energia elétrica após os efeitos do bônus de Itaipu. O Bradesco também espera alívio na conta de luz associado à mudança da bandeira tarifária de amarela para verde.Na direção contrária, os alimentos devem ganhar força. O ASA prevê aceleração considerável em Alimentação e Bebidas, com pressão dos produtos in natura. O Bradesco espera que os alimentos registrem a maior alta desde maio, refletindo os efeitos do El Niño. As duas casas também apontam pressão dos combustíveis.Serviços ainda exigem atençãoMesmo com a desaceleração do índice cheio, o ASA não espera uma melhora expressiva na composição da inflação. “O balanço qualitativo de outubro deve ficar praticamente estável na margem, com o núcleo de serviços ainda em patamar elevado”, afirma Costa.Para o Bradesco, o resultado ajudará a calibrar as expectativas para a inflação e os próximos passos da política monetária, especialmente diante do comportamento recente dos preços da alimentação no domicílio.A próxima decisão de juros pelo Comitê de Política Monetária (Copom) acontece nos dias 3 e 4 de novembro. A taxa Selic atualmente está em 13,75%. Já para o IPCA fechado de outubro, o ASA projeta alta de 0,36% e de 5,10% no fechamento de 2026. Segundo Costa, a inflação acumulada em 12 meses deve continuar acelerando nos próximos meses, com os alimentos como principal fonte de pressão no último trimestre sob os efeitos do El Niño.