O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos (PSOL), se reuniu nesta segunda-feira (19) com representantes de cerca de 30 torcidas organizadas de todo o país e anunciou a criação de um grupo de trabalho para discutir o fim das bets no país, formas alternativas de financiamento para os times de futebol e articular as demandas do setor com o governo federal.Desde que o presidente Lula (PT) anunciou a MP (Medida Provisória) que proíbe casas de aposta e cassinos online, as bets, e endurece regras para o mercado ilegal de apostas no último mês, jogadores, diretores e torcedores de clubes patrocinados por bets se manifestaram contra a medida do presidente, alegando um impacto negativo da medida aos times.Boulos assumiu que o governo do presidente Lula reconhece que a proibição das bets acabou gerando grande impacto financeiro em relação ao financiamento de clubes de futebol, e que a presença das casas de aposta e cassinos online inflacionou o patrocínio do futebol brasileiro, mas que a medida foi necessária.O ministro afirmou que já está em discussão no governo, outras medidas de garantir financiamento aos clubes afetados pela MP, uma das maiores preocupações das torcidas. Leia Mais Acordo Caixa-Corinthians se junta a pacote de bondades a 9 dias da eleição CNJ propõe medidas para agilizar e dar transparência a precatórios Boulos aciona a Polícia Federal após receber ameaça de morte por e-mail “O governo está discutindo medidas, nós não aprofundamos isso aqui hoje com as torcidas, mas isso certamente será também um dos pontos que nós vamos discutir nesse grupo de trabalho permanente”, afirmou Boulos.Durante a reunião, os representantes dessas torcidas apresentaram ao ministro uma carta-compromisso escrita em conjunto e entregue pela Anatorg (Associação Nacional das Torcidas Organizadas), trazendo questões sobre o cenário do futebol brasileiro atual e as demandas das torcidas.O documento entregue ao ministro contém sete demandas consideradas essenciais pelas torcidas organizadas:cultura de arquibancada como parte da cultura popular brasileira;responsabilização individual de quem comete violência, sem criminalizar a torcida inteira;mais diálogo e menos preconceito, com a participação das torcidas na construção das políticas para o futebol;fortalecimento dos projetos sociais, esportivos e culturais das torcidas nas comunidades, especialmente para crianças e jovens;arquibancada sem racismo, LGBTfobia e transfobia;direito das mulheres de torcer sem violência, com combate ao assédio, à importunação e à misoginia;um futebol com mais cultura e menos violência, com prevenção, educação, diálogo e mediação.*Sob supervisão de João KerLula aposta em alta do consumo com fim das bets; Flávio vê efeito limitado | BASTIDORES CNN