247 – A atriz Fernanda Torres afirmou que a repercussão do filme Ainda Estou Aqui, que retrata a trajetória de Eunice Paiva e sua família durante a ditadura militar brasileira, contribuiu para aproximar pessoas de diferentes posições políticas em torno da defesa da democracia. Segundo a artista, um dos principais resultados da produção foi mostrar que a ausência de liberdades democráticas prejudica toda a sociedade, independentemente de convicções ideológicas ou religiosas.“Queridos, quando a gente lançou, ainda estou aqui, uma das coisas mais lindas que aconteceram em torno daquele filme foi uma espécie de comunhão, um consenso em torno da história da Eunice Paiva e da família Paiva de que viver num país sem democracia é uma coisa ruim para todo mundo, independente da sua ideologia, da sua crença religiosa”, afirmou a atriz.O artista comentou a recepção do longa-metragem e destacou a capacidade da história da família Paiva de produzir identificação entre espectadores. A atriz ressaltou que o debate provocado pela obra ultrapassou divergências políticas e ajudou a estabelecer um entendimento comum sobre as consequências de viver sob um regime sem democracia.A democracia é um dos principais temas debatidos dentro de um contexto de processo eleitoral. Pai do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL), Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos de cadeia no inquérito da trama golpista conduzido pelo Supremo Tribunal Federal. Ministros da Corte brasileira também condenara mais de 1,4 mil pessoas na investigação sobre os atos golpistas do 8 de Janeiro de 2023, quando bolsonaristas invadiram as estruturas do STF, do Planalto e do Congresso, em Brasília (DF). VEJA: Fernanda Torres posta vídeo e declara voto para Lula no segundo turno. pic.twitter.com/NTl3UQqhr0— CHOQUEI (@choquei) October 23, 2026História de Eunice Paiva ganha dimensão coletivaO filme Ainda Estou Aqui, dirigido por Walter Salles, acompanha a trajetória de Eunice Paiva após o desaparecimento de seu marido, o ex-deputado federal Rubens Paiva, durante a ditadura militar instaurada no Brasil em 1964.A produção retrata as mudanças na vida da família após a prisão de Rubens Paiva por agentes da repressão e mostra os esforços de Eunice para cuidar dos filhos, reconstruir sua vida e buscar respostas sobre o destino do marido.Fernanda Torres interpreta Eunice Paiva e conduz a narrativa sobre as consequências da violência de Estado na vida familiar. A história também aborda a luta por justiça, o direito à memória e a atuação de familiares de vítimas da repressão política.Ainda Estou Aqui mantém debate sobre memória e direitosA repercussão do filme também recolocou em evidência a trajetória de Eunice Paiva, que se tornou uma referência na luta pelo reconhecimento das violações cometidas durante a ditadura militar.Após o desaparecimento de Rubens Paiva, Eunice dedicou parte de sua vida à defesa dos direitos humanos e à busca por informações sobre o marido, além de atuar em causas relacionadas aos direitos dos povos indígenas.A história apresentada no longa-metragem conecta essa trajetória pessoal ao período em que o Estado brasileiro restringiu direitos políticos, perseguiu opositores e praticou graves violações de direitos humanos.Nas declarações, Fernanda Torres não apresentou a democracia como uma questão restrita a determinado grupo político. A atriz destacou a percepção coletiva que, segundo ela, surgiu a partir do contato dos espectadores com a experiência da família Paiva.Sua avaliação ressalta a importância da história retratada em Ainda Estou Aqui para a discussão sobre os efeitos da ausência de liberdades democráticas na sociedade brasileira.Ao recordar a recepção do filme, Fernanda Torres identificou justamente nesse reconhecimento compartilhado uma das consequências mais significativas da produção: a compreensão de que a democracia constitui uma garantia para cidadãos de diferentes orientações políticas e crenças religiosas.