O terceiro bloco do debate presidencial deste sexta-feira (23) foi marcado por embates sobre o endividamento das famílias brasileiras, educação em tempo integral e segurança pública.Ao escolher o tema endividamento dos brasileiros, o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, criticou a situação financeira das famílias e acusou o governo Lula de ter frustrado as expectativas de melhora do poder de compra.“O brasileiro antes parcelava um fogão, uma geladeira. Agora parcela o que tem dentro da geladeira”, afirmou.Flávio atribuiu o aumento das dívidas das famílias aos juros elevados e aos gastos públicos do governo federal. O senador voltou a defender a criação do chamado “Banco da Prosperidade”, a partir da Caixa Econômica Federal, para oferecer crédito mais barato, refinanciar dívidas e estimular o empreendedorismo nas periferias.O candidato também prometeu ampliar linhas de financiamento para pequenos empreendedores e afirmou que pretende facilitar a formalização de negócios em comunidades e favelas.Lula respondeu defendendo os programas de renegociação lançados pelo governo. Segundo o petista, duas etapas anteriores do Desenrola já beneficiaram milhões de brasileiros, e novas medidas estão sendo preparadas para ampliar o alcance da iniciativa.O presidente argumentou que a estratégia passa por recolocar famílias e pequenos empreendedores na economia formal, estimulando o emprego e o consumo.Na tréplica, Lula afirmou que o governo continuará atuando para reduzir o endividamento das famílias e aproveitou para defender o endurecimento das regras sobre apostas eletrônicas, dizendo que muitos brasileiros tiveram sua renda comprometida pelas chamadas “bets”.Ensino integral e Pé-de-MeiaO tema seguinte escolhido por Lula foi ensino integral.O presidente questionou quais seriam as propostas do adversário para ampliar a educação em tempo integral e reforçou os investimentos realizados por seus governos em universidades, institutos federais e programas de permanência escolar.Flávio respondeu prometendo ampliar vagas em escolas de tempo integral e associar o contraturno escolar ao ensino técnico e tecnológico.Segundo ele, estudantes teriam acesso a disciplinas ligadas à tecnologia, inteligência artificial, desenvolvimento de aplicativos e esportes eletrônicos.O candidato do PL também defendeu a criação de um auxílio-creche para famílias que não encontrarem vagas na rede pública e afirmou que manterá programas de apoio estudantil, incluindo o Pé-de-Meia.Lula rebateu destacando a meta de universalizar o ensino integral até o ensino médio e prometeu expandir o Pé-de-Meia para mais estudantes.O petista também afirmou que seu governo retomou obras de creches, escolas e institutos federais que estavam paralisadas.Segurança pública eleva o tom do debateNo último confronto do bloco, Flávio escolheu o tema retomada de territórios e fez duras críticas à política de segurança pública do governo.O senador defendeu o endurecimento das leis penais, criticou a manutenção das saídas temporárias de presos e acusou Lula de não enfrentar com firmeza facções criminosas.Flávio afirmou que pretende classificar organizações como PCC, Comando Vermelho e milícias como grupos narcoterroristas, ampliar penas para integrantes de facções e reduzir a maioridade penal para crimes graves.Além disso, prometeu endurecer punições para crimes como roubo de celulares e estupro.Lula evitou responder diretamente às propostas e concentrou sua réplica em críticas ao histórico da família Bolsonaro em temas relacionados à segurança pública e às milícias no Rio de Janeiro.O presidente também acusou o adversário de utilizar o tema da violência apenas como retórica eleitoral e afirmou que seu governo reforçará o combate ao crime organizado por meio de maior integração das forças policiais e fortalecimento da Polícia Federal.O petista ainda defendeu a criação de um Ministério da Segurança Pública e prometeu ampliar a presença do Estado em áreas dominadas pelo crime organizado.