«Ter informação para decidir e não conseguirmos decidir.» É assim que Alberto Costa define a «miopia da decisão», o tema que levou à Leadership Summit Portugal na intervenção After Tomorrow Cases: A Miopia da Decisão.Vivemos tempos em que as empresas acumulam dados, indicadores e ferramentas de inteligência artificial, pelo que o CEO e fundador da Liderteam chamou a atenção para a dificuldade de transformar essa informação em ação.«Nas empresas, nós não temos um avião a cair. A incerteza também não tem alarmes», afirmou. Os sinais chegam dispersos, através de indicadores de desempenho, painéis de informação e diferentes fontes. Perceber quais exigem uma resposta e em que momento agir continua a depender das pessoas.Assista ao momento completo aqui.Alberto Costa – A Miopia da Decisão Do rio Hudson às decisões nas empresasPara explicar o peso de uma decisão tomada sob pressão, Alberto Costa recuperou o voo 1549 da US Airways. A 15 de janeiro de 2009, pouco depois de descolar do aeroporto de LaGuardia, em Nova Iorque, o avião colidiu com aves e perdeu quase toda a potência dos dois motores. O comandante Chesley Sullenberger decidiu amarar no rio Hudson. As 155 pessoas a bordo sobreviveram. Entre o impacto com as aves e a amaragem passaram pouco mais de três minutos. O episódio serviu ao fundador da Liderteam para mostrar que decidir não implica dispor de todas as certezas.«Ele não decidiu sozinho. Decidiu com tecnologia», sublinhou Alberto Costa. Havia procedimentos, informação dos controladores aéreos e o contributo do copiloto. Nenhum desses elementos, porém, eliminava a incerteza.Não havia tempo para ter certeza.O paralelo com as organizações está, precisamente, na necessidade de reconhecer o momento de agir. Uma empresa pode ter horas ou dias para responder, mas nem sempre percebe quando começa a perder essa margem.Mais informação não elimina a incertezaA inteligência artificial e os gémeos digitais permitem simular cenários e antecipar consequências. Para Alberto Costa, estas ferramentas podem apoiar a tomada de decisão, mas não dispensam a capacidade de compreender o contexto.«Todas estas simulações não eliminam a incerteza que existe hoje em dia nas empresas», afirmou.Durante a intervenção, o responsável referiu que 72% dos decisores já tinham deixado de tomar decisões devido ao volume de dados e à falta de confiança nessa informação. O valor corresponde ao estudo The Decision Dilemma, divulgado pela Oracle em 2023, no qual 72% dos líderes empresariais inquiridos admitiram esse bloqueio. A questão, argumentou, pode estar menos na quantidade de informação disponível do que na sua qualidade e na confiança que inspira: «É um problema de confiança nos dados.»Na leitura do CEO da Liderteam, a abundância de informação pode coexistir com uma compreensão insuficiente do que se passa dentro das organizações. E essa dificuldade pode atrasar a resposta até o problema assumir uma dimensão maior. «Sem processos, não temos decisão»Como preparar uma organização para decidir melhor? Alberto Costa apresentou três pilares: tecnologia, processos e pessoas.O primeiro passa pela integração dos sistemas, pelo acesso a dados em tempo real e pela utilização de ferramentas que ajudem a interpretar a informação. «Precisamos de integrar sistemas», defendeu, incluindo a IA entre os recursos capazes de apoiar esse trabalho. O segundo exige transformar a informação em ação. «Sem processos, não temos decisão», afirmou.É também aqui que identifica uma das fragilidades das empresas portuguesas. Segundo o orador, algumas organizações não têm processos definidos; outras criam-nos para responder a obrigações de certificação, sem os traduzirem em procedimentos efetivamente utilizados no quotidiano. Ter um processo documentado, na sua perspetiva, não basta para garantir que a organização sabe como agir. Pessoas preparadas para decidir melhorO terceiro pilar é a capacitação das equipas. «Só com a capacitação das pessoas para tomar decisão e com espírito crítico é que nós podemos ter organizações com capacidade de decisão», defendeu Alberto Costa.A formação deve permitir compreender a tecnologia disponível, interpretar a informação e reconhecer os momentos que exigem uma resposta. «A diferença estará em termos pessoas preparadas para decidir melhor», acrescentou. Regressando à comparação com o cockpit de um avião, o responsável lembrou que as empresas também dispõem de tecnologia e indicadores. A dificuldade está em reconhecer quando começa a contar o tempo para uma decisão.A mensagem final centrou-se, por isso, no desenvolvimento das competências humanas: «Para decidirmos melhor, temos que capacitar melhor as nossas pessoas.» Investir em tecnologia exige, em simultâneo, preparar quem a utiliza e ajustar a forma como a organização trabalha. Caso contrário, a capacidade de recolher e analisar informação pode continuar a crescer sem que a capacidade de decidir a acompanhe. Aceda à galeria de imagens completa aqui.Todos os conteúdos da cimeira estão disponíveis na Líder TV.O conteúdo Mais dados, melhores decisões? Alberto Costa alerta para a «miopia da decisão» aparece primeiro em Revista Líder.