Isótopos na neve de um monte na Coreia mostram que o bromo do sal marinho, no alto da atmosfera, prepara o mercúrio pra cair

Wait 5 sec.

​ Mercúrio é assunto sério aqui na Amazônia por causa do garimpo, e uma parte da história dele passa pelo ar: o metal sobe em forma de vapor, viaja longe e só volta pro chão e pra água depois de oxidar. Onde e como essa oxidação acontece ainda é uma pergunta aberta, e um estudo publicado na Communications Earth & Environment, divulgado no dia 21, trouxe uma pista boa. Os pesquisadores, liderados por J. H. Lee e Sae Yun Kwon, na Coreia do Sul, passaram anos medindo isótopos de mercúrio na neve e no ar do Monte Halla, na ilha de Jeju. Os isótopos funcionam como impressão digital: certas assinaturas só aparecem quando o mercúrio oxida com luz lá no alto, na troposfera livre. E essa assinatura bateu com a distância e a altitude que as massas de ar tinham percorrido. Cruzando com isótopos de oxigênio do nitrato na mesma neve, eles concluíram que quem faz o serviço é o bromo reativo, liberado do sal marinho que fica suspenso no ar. Pelo modelo deles, 68% da oxidação ligada ao mercúrio que caiu ali aconteceu no alto da atmosfera e 32% perto da superfície. Isso importa porque o ar que sai da Ásia carrega metade das emissões humanas de mercúrio do planeta, e ninguém sabia direito como ele oxida antes de cair no Pacífico. Mas percebi na leitura que são estimativas de modelo pra esse ponto específico, não uma medição pra toda a Ásia, e o artigo ainda tá na versão aceita, antes da final. Não dá pra ter como verdade. Mas, gosto desse tipo de estudo porque mostra que poluição não respeita fronteira, e que a química da atmosfera decide onde o veneno vai parar. Li isso no Scienmag, do dia 21 de outubro: https://scienmag.com/mount-halla-study-links-free-tropospheric-bromine-chemistry-to-mercury-deposition/   submitted by   /u/hibridizado1978   to   r/textosaleatoriedades [link]   [comments]