Mulheres na liderança: 87% relatam estereótipos ou preconceitos de género

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88% das líderes femininas em Portugal estão confiantes no crescimento das suas empresas, mas só 17% na economia global. Entre estes extremos, 70% acreditam nas perspetivas do seu setor e 35% na evolução da economia portuguesa.Estes dados constam do Global Female Leaders Outlook 2026, da KPMG, que reuniu respostas de 634 mulheres líderes de 46 países e geografias. Os resultados portugueses mostram uma confiança nas empresas superior à média global, de 72%, acompanhada de maior prudência perante o contexto económico externo. «Os resultados mostram que, apesar de toda a incerteza económica e geopolítica, a confiança não desapareceu, mas tornou-se mais seletiva», afirma Filipa Barreto, Partner de Advisory da KPMG Portugal.A tendência estende-se ao conjunto das participantes: apenas 29% mostram confiança no crescimento da economia mundial, o valor mais baixo da série analisada pelo estudo, iniciada em 2018. As tensões geopolíticas e a incerteza macroeconómica surgem entre os principais desafios identificados.Leia também: Liderança feminina:«Não precisamos de mulheres a liderar como os homens» Crescer mais não significa contratar ao mesmo ritmoAs expectativas de crescimento dos resultados não se traduzem numa intenção equivalente de aumentar as equipas. Em Portugal, 67% das participantes antecipam uma melhoria dos resultados das suas organizações nos próximos três anos, mas apenas 38% preveem um aumento do número de trabalhadores. Globalmente, as percentagens são de 69% e 38%, respetivamente.«Crescer já não significa necessariamente aumentar as equipas ao mesmo ritmo. A produtividade, a tecnologia e a capacidade de integrar a IA nos processos estão a ganhar relevância, mas o investimento tecnológico, por si só, não garante resultados», sublinha Filipa Barreto.Entre as participantes portuguesas, 61% indicam que as suas organizações privilegiam o investimento em novas tecnologias, enquanto 35% apontam o desenvolvimento de competências. No conjunto global, esta distribuição é de 64% e 36%. Inteligência artificial: investir não basta para gerar valorEm Portugal, os ganhos da inteligência artificial são identificados sobretudo na eficiência operacional e na redução da carga administrativa. Segundo o comunicado da KPMG, a automação de tarefas repetitivas destaca-se entre as aplicações com retorno económico, enquanto a utilização da IA na análise de dados, no apoio à decisão e na otimização de processos fica abaixo da média global.Uma em cada cinco participantes portuguesas refere que a sua organização ainda não tem qualquer aplicação de IA a gerar valor económico. O relatório global ajuda a perceber as dificuldades em transformar a IA em valor: a integração da tecnologia nos processos centrais das organizações, a qualidade dos dados e a baixa adesão dos utilizadores estão entre os obstáculos mais apontados.A preparação das pessoas também apresenta lacunas. A nível global, apenas 30% das inquiridas concordam que os trabalhadores dispõem das competências necessárias para utilizar a IA de forma eficaz. E só 37% se sentem preparadas para liderar equipas apoiadas por esta tecnologia.Para Filipa Barreto, a resposta exige um novo perfil de liderança: «Para gerar impacto sustentável, é necessário um novo perfil de liderança, líderes capazes de decidir com rapidez em contextos de pressão, conduzir processos de transformação e transformar a literacia digital numa vantagem competitiva.» Paridade de género continua distante nos órgãos de decisãoA equidade de género é reconhecida como um fator de crescimento por 64% das participantes portuguesas, muito próximo dos 65% registados globalmente. Mas esse reconhecimento ainda não se traduz numa representação equilibrada nos lugares de maior poder.Cerca de 82% das organizações representadas pelas participantes portuguesas continuam abaixo da paridade de género nos órgãos de decisão. No conjunto global, três quartos das inquiridas indicam que as mulheres ocupam menos de metade dos lugares no órgão máximo de governação da sua organização.Os desafios da liderança feminina também se manifestam nas experiências individuais. No relatório global, 87% das participantes referem ter vivido pelo menos uma situação associada a estereótipos ou preconceitos de género. Entre as mulheres que conseguem avaliar a situação remuneratória na sua organização, 41% consideram que as mulheres recebem menos do que os homens em funções comparáveis.As redes profissionais e a mentoria surgem, por sua vez, entre os apoios mais valorizados para o desenvolvimento das carreiras, apontados por 59% e 42% das participantes, respetivamente. Saúde das mulheres influencia trabalho e decisões de carreiraO estudo dedica ainda atenção à saúde das mulheres e ao seu impacto profissional. A nível global, 70% das participantes afirmam que questões de saúde feminina já afetaram o seu trabalho quotidiano e 63% indicam que influenciaram decisões ao longo da carreira. Gravidez, fertilidade, recuperação após o parto, menopausa e saúde menstrual estão entre as experiências consideradas no relatório.Embora 97% das inquiridas reconheçam responsabilidade às organizações nesta matéria, 27% dizem que a sua empresa não disponibiliza qualquer medida específica de apoio. Entre as participantes portuguesas, essa percentagem é de 26%.A abertura para falar sobre o tema também está longe de ser generalizada: globalmente, 48% sentem-se confortáveis para discutir questões de saúde feminina no trabalho, enquanto uma percentagem igual não se sente à vontade para o fazer.Entre as respostas propostas pelo relatório estão a formação de gestores, canais confidenciais de apoio, flexibilidade previsível e práticas de avaliação e progressão que não penalizem necessidades de saúde ao longo da carreira.O conteúdo Mulheres na liderança: 87% relatam estereótipos ou preconceitos de género aparece primeiro em Revista Líder.