Brecha digital tira sites do ar e faz agência dos EUA recomendar desligamento de sistemas

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Duas falhas críticas de segurança no PHP, tecnologia utilizada no funcionamento de sites e serviços digitais, provocaram a retirada preventiva de páginas da internet nesta quarta-feira, 21 de outubro. Nos Estados Unidos, a Agência de Segurança Nacional, a NSA, recomendou desligar sistemas vulneráveis quando não for possível protegê-los imediatamente. Na Holanda, até o site do centro nacional de segurança cibernética foi suspenso por precaução.As vulnerabilidades podem permitir que invasores executem comandos em servidores sem precisar de uma conta ou senha. Um ataque bem-sucedido pode comprometer o funcionamento de sites e abrir caminho para acesso indevido a arquivos e bancos de dados. As duas falhas receberam classificação de gravidade de 9,2 em uma escala de 10.Apesar das interrupções, os comunicados oficiais não apontam uma queda mundial da internet. Parte dos serviços foi desligada pelos próprios responsáveis para impedir possíveis invasões enquanto as equipes instalavam as correções.Em comunicado publicado nesta quarta-feira, a NSA orientou organizações que utilizam PHP a preparar a atualização dos sistemas. “Se uma atualização imediata não for viável, recomenda-se que as organizações tirem o sistema do ar”, afirmou a agência, em tradução do comunicado. A recomendação vale até que o risco possa ser controlado.Na Holanda, o governo confirmou a retirada preventiva de serviços públicos, incluindo Overheid.nl, MijnOverheid.nl e DigiD, plataforma de identificação digital utilizada para acessar serviços governamentais. No momento da publicação daquele comunicado, as autoridades holandesas afirmavam não ter identificado sinais de exploração ativa das falhas.O Centro Nacional de Segurança Cibernética holandês, o NCSC, também informou que retirou temporariamente seu próprio portal do ar. A instituição passou a indicar canais alternativos para divulgar orientações enquanto trabalhava para restabelecer o acesso.O CERT-EU, responsável pela resposta a incidentes cibernéticos nas instituições da União Europeia, recomendou identificar aplicações que utilizam PHP e instalar as correções assim que estivessem disponíveis. Quando isso não fosse possível, a orientação era considerar o isolamento das aplicações expostas à internet.No Reino Unido, o Centro Nacional de Segurança Cibernética pediu ação imediata. O órgão orientou empresas e instituições a localizar instalações de PHP, priorizar sistemas acessíveis pela internet e acompanhar atualizações dos fornecedores.O alerta britânico também recomenda considerar o desligamento quando não for possível instalar a correção nem aplicar medidas temporárias de proteção em tempo adequado. Nos sistemas que permanecerem expostos, a orientação é procurar sinais de invasão.As correções emergenciais já foram disponibilizadas pelo projeto PHP nas versões 8.5.12, 8.4.27, 8.3.36 e 8.2.35. As falhas são identificadas pelos códigos CVE-2026-109618 e CVE-2026-109619.Segundo os desenvolvedores, instalações de PHP utilizadas para atender solicitações da web estão em risco. Medidas temporárias podem reduzir algumas possibilidades de ataque, mas não substituem a atualização.O PHP funciona nos servidores, processando operações necessárias para que páginas e aplicações respondam aos usuários. É utilizado, por exemplo, na comunicação com bancos de dados e no funcionamento de plataformas de publicação de conteúdo.O WordPress publicou um aviso aos responsáveis por sites e esclareceu que o problema está no PHP utilizado pelo servidor. Por isso, não há uma atualização específica do WordPress prevista para corrigir essas vulnerabilidades.A recomendação é entrar em contato com a empresa de hospedagem e confirmar se a correção foi aplicada. Em instalações antigas, pode ser necessário migrar para uma versão com suporte ou obter uma atualização fornecida pela empresa responsável pela manutenção.A existência de uma instalação vulnerável não significa que ela tenha sido invadida. Da mesma forma, a retirada preventiva de um site do ar não comprova um ataque. O objetivo das suspensões é reduzir a exposição enquanto as equipes corrigem os sistemas.