O que Lula e Flávio terão de enfrentar para equilibrar as contas públicas

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O próximo presidente da República terá de enfrentar uma discussão que Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) evitaram aprofundar durante a campanha sobre como reduzir o crescimento das despesas obrigatórias sem comprometer políticas sociais, reajustes de benefícios e investimentos em áreas como saúde e educação.Segundo Alessandra Ribeiro, economista e sócia da Tendências Consultoria, as propostas apresentadas pelos dois candidatos são insuficientes para estabilizar a dívida pública. A avaliação é que um ajuste fiscal relevante exigirá mudanças em regras que determinam o crescimento de parte expressiva dos gastos federais.Debate 2º turno: quando será o próximo embate entre Lula e Flávio Bolsonaro?“É só discussão difícil. A gente está falando de salário mínimo, de saúde e educação, de benefício social, de emenda parlamentar. Esse é o ponto mais incômodo que os dois vão ter que enfrentar a partir de 2027”, afirmou em entrevista ao Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, nesta quinta-feira (22).A economista explica que o problema não está apenas no volume atual das despesas, mas nas regras que fazem esses gastos crescerem automaticamente ao longo dos anos.A política de valorização do salário mínimo, por exemplo, tem efeitos que vão além da remuneração dos trabalhadores. Como aposentadorias e outros benefícios estão vinculados ao piso nacional, os reajustes também elevam despesas previdenciárias e assistenciais.Leia tambémDatafolha: Flávio Bolsonaro tem 47%, e Lula, 46%, a três dias do 2º turnoA três dias da eleição, pesquisa mostra empate exato entre os candidatos nos votos válidos, de 50%Lula pode encerrar carreira política com derrota para Flávio, diz The New YorkerRevista americana vê eleição brasileira como parte de avanço da direita na América Latina e afirma que presidente enfrenta dificuldades para mobilizar eleitoresNa saúde e na educação, os mínimos constitucionais vinculam parte dos gastos à arrecadação. As emendas parlamentares, que ganharam peso no Orçamento nos últimos anos, também integram a lista de despesas que dificultam o ajuste.“Os pontos que estão sendo sinalizados para serem atacados não são suficientes para fazer o ajuste que a gente precisa”, disse Alessandra.Quanto o Brasil precisa ajustar?Segundo a economista, uma referência utilizada em cálculos fiscais indica a necessidade de um superávit primário de aproximadamente 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB) para estabilizar a dívida pública.Ela ressalva que as simulações da Tendências permitem alcançar essa estabilização com resultados menores, dependendo do comportamento de outras variáveis econômicas, mas não apontam uma solução imediata.A avaliação da consultoria é que a trajetória da dívida dificilmente será estabilizada no curto prazo, mesmo com a adoção de medidas de ajuste.O que Flávio poderia fazer com um Congresso mais à direita em 2027Lula promete manter o arcabouço fiscal e alcançar um superávit primário de 1,3% do PIB até 2030. Flávio defende um ajuste equivalente a 1,5% do PIB nos primeiros 18 meses de governo, acompanhado de redução de impostos e mudanças na regra fiscal.Para Alessandra, a diferença entre os prazos importa, mas os dois programas esbarram na ausência de medidas suficientemente detalhadas para conter o crescimento das despesas.“Não dá para fazer tudo concomitantemente. A gente não consegue olhar essa questão das despesas com uma grande redução de imposto, porque aí a conta não vai fechar mesmo”, afirmou.O que pode mudar?No caso de uma eventual reeleição de Lula, a Tendências considera pouco provável uma alteração na política de valorização do salário mínimo, por se tratar de uma bandeira central do presidente e do PT.A consultoria vê maior possibilidade de mudanças nas regras dos pisos constitucionais de saúde e educação, além de restrições aos reajustes do funcionalismo federal.Outra alternativa seria rever a vinculação de determinados benefícios sociais ao salário mínimo, permitindo correções apenas pela inflação, sem aumento real.São possibilidades avaliadas pela economista, e não medidas formalmente anunciadas pelo governo.Lula ou Flávio: quais são as propostas para tirar os brasileiros das dívidas?Para Alessandra, qualquer que seja o vencedor, o desafio será conseguir apoio político para alterar despesas que afetam diretamente a população e interesses representados no Congresso.Mesmo um eventual governo Flávio, com maior proximidade ideológica em relação à composição parlamentar eleita, enfrentaria resistência para aprovar mudanças impopulares.A economista alerta que a aprovação de uma nova regra fiscal, por si só, não resolveria o problema.“Para que essa regra seja crível e pare em pé ao longo do tempo, eu preciso resolver a dinâmica das despesas. Senão, a regra vai cair de novo, como caiu o teto, como o arcabouço agora está enfrentando problemas”, afirmou.Na avaliação da Tendências, a dificuldade de enfrentar essas despesas pode frustrar as expectativas de ajuste fiscal, independentemente de quem vencer a eleição presidencial no domingo (25).A edição faz parte da cobertura especial do InfoMoney para as eleições de 2026, com transmissões ao vivo até sexta-feira (23), às 18h. Na segunda-feira (26), o InfoMoney realizará uma superlive de Política e Mercados para analisar o resultado das urnas e a reação dos investidores.The post O que Lula e Flávio terão de enfrentar para equilibrar as contas públicas appeared first on InfoMoney.