Radar das Eleições: Ajuste de R$ 500 bi? Para economista da ARX, ‘buraco é muito maior’ e não há atalho

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O próximo presidente da República terá pela frente um ajuste fiscal estimado em R$ 500 bilhões, equivalente a quatro pontos percentuais do Produto Interno Bruto (PIB) – e o esforço necessário pode ser ainda maior. A avaliação é de Gabriel Barros, economista-chefe da ARX Investimentos, que vê incertezas sobre o ponto de partida das contas públicas e os custos de medidas adotadas pelo governo.Em entrevista ao Radar das Eleições, programa no canal do Youtube do Money Times, o economista afirmou que a estimativa pode aumentar diante de novas despesas e de riscos associados a operações realizadas fora do Orçamento.“Hoje, quando a gente faz as contas, estamos falando de quatro pontos percentuais do PIB. É o que a foto de hoje diz para a gente. Só que o buraco é muito maior”, disse.Os R$ 500 bilhões representam a estimativa de esforço necessário para transformar o déficit primário – quando as despesas superam as receitas, sem contar os juros da dívida – em um superávit capaz de ajudar a estabilizar o endividamento público. Não se trata de uma proposta de corte imediato desse valor no Orçamento.Na conta de Barros, o déficit de partida pode chegar a pelo menos 1% do PIB, enquanto o país precisaria alcançar um superávit de, no mínimo, 3% do PIB.“Hoje, na foto, são quatro pontos. Mas o tamanho efetivo mesmo, mensurado, ninguém sabe. Provavelmente é maior do que isso”, afirmou.Antes do ajuste, será preciso conhecer as contasPara o economista, um dos primeiros desafios do próximo governo será levantar a situação fiscal, incluindo operações que não aparecem diretamente no resultado primário.Barros cita o uso de fundos, empresas estatais e medidas de crédito como fontes de riscos que precisam ser mapeados. Segundo ele, algumas dessas operações podem gerar subsídios ou obrigações futuras para o governo, mesmo quando não provocam uma despesa imediata.“A gente acha que a equipe de transição vai ter talvez o maior desafio da história do Brasil, porque ninguém sabe o tamanho do buraco”.Na avaliação do economista, definir um pacote sem esse diagnóstico pode resultar em medidas insuficientes para equilibrar as contas e recuperar a confiança na política fiscal.Ajuste deve começar pelas despesas obrigatóriasBarros defende que o esforço se concentre nas despesas, sobretudo nas obrigatórias, cujo pagamento é determinado por regras legais e constitucionais. Na visão dele, o espaço para elevar a arrecadação é limitado após os aumentos de carga tributária promovidos pelo atual governo.“A gente tem que começar pelo gasto. O problema é o gasto, então tem que começar pelo problema estrutural”.O objetivo, segundo ele, deve ser reduzir a velocidade de expansão dessas despesas. “A gente não está nem falando de corte de despesas, a gente está falando de redução da velocidade de crescimento.”Entre as medidas defendidas pelo economista estão a desvinculação do piso previdenciário do salário mínimo e mudanças nas regras que atrelam os gastos mínimos de saúde e educação à arrecadação.Barros também propõe rever o volume e a vinculação das emendas parlamentares, integrar cadastros de programas sociais e combater fraudes e pagamentos acima do teto remuneratório no serviço público.Para ele, melhorar a gestão dos benefícios permitiria reduzir despesas preservando o atendimento a quem precisa. Já mudanças mais amplas, como uma nova reforma da Previdência, dependeriam das condições políticas do próximo mandato.Juros menores dependem de reformasO economista também advertiu que uma eventual reação favorável do mercado à mudança de governo não substituiria o ajuste das contas públicas.Na avaliação de Barros, a perspectiva de uma política fiscal mais rigorosa pode reduzir o prêmio de risco – a remuneração adicional exigida pelos investidores para financiar o país. Mas sustentar juros mais baixos exigiria efetivamente a aprovação de medidas estruturais.“Esse alívio de curto prazo em função da mudança de governo não é suficiente para manter o juro baixo até o final do mandato”, afirmou.Barros acrescentou que o cenário internacional, com juros mais elevados, limita a margem para erros na condução da política econômica brasileira.“Não tem mágica, não tem atalho no fiscal. Tem que entregar as reformas estruturais”.Para assistir à entrevista completa com Gabriel Barros no Radar das Eleições, com os jornalistas Gustavo Porto e Juliana Caveiro, acesse o canal do Money Times no YouTube.