A Qualcomm deve realizar demissões em todo o mundo após suas avaliações anuais de desempenho demonstrarem resultados “aquém das expectativas”, como aponta um memorando interno avaliado pela Reuters na segunda-feira (19). Os cortes estão planejados para começar em novembro.Conforme o comunicado endereçado aos funcionários e assinado por Cristiano Amon, CEO da gigante dos semicondutores, as demissões fazem parte de uma estratégia para desenvolver uma “cultura de desempenho mais forte”. O texto não menciona as áreas que serão afetadas nem a quantidade de pessoas impactadas.Procurada, a fabricante dos chips Snapdragon não comentou o assunto. No ano passado, ela contava com cerca de 52 mil funcionários, globalmente, a maior parte trabalhando em tempo integral.Previsão de queda no lucro trimestralNo balanço financeiro mais recente, divulgado em julho, a Qualcomm apresentou previsão de lucro para o trimestre seguinte abaixo das estimativas iniciais. Um dos motivos seria a queda na receita com produtos da Apple, com possibilidade de acontecer mais rápido do que o esperado.Vale lembrar que a companhia vem sendo afetada desde o início do ano pelas reduções nas vendas de eletrônicos de consumo;Com o aumento dos preços de memórias associado às soluções de inteligência artificial (IA), a demanda foi diretamente impactada;Mas a empresa acredita que outros negócios podem compensar a perda de receita com os celulares até o ano fiscal de 2027, como destaca a reportagem;Grande parte dessa compensação deve vir da expansão dos data centers de IA, com o fornecimento de semicondutores para a infraestrutura da tecnologia. Ela aposta, ainda, no mercado de notebooks com os processadores Snapdragon X Elite que alimentam os novos Googlebooks produzidos por Dell e HP, por exemplo. A nova categoria de portáteis projetada para a IA Gemini foi apresentada em setembro.O baixo desempenho no mercado de ações também parece ter contribuído para a mudança de estratégia e a tomada de decisão quanto às demissões. Até o momento, os papéis da Qualcomm acumulam alta de apenas 1,5% no ano, segundo a agência de notícias.Em busca de novas habilidadesPara garantir que a expansão dos negócios para outros segmentos ocorra com sucesso, Amon afirmou, no memorando, que as habilidades necessárias para o trabalho seriam atualizadas. O objetivo é adequar a equipe às novas prioridades da contratante.“À medida que expandimos os negócios, também aumentaram as competências e habilidades necessárias. Precisamos ter as pessoas certas nos cargos certos para que possam ter o melhor desempenho e a empresa continue tendo sucesso”, afirmou o CEO.Outra empresa que está passando por uma nova rodada de demissões é a Netflix. Saiba mais nesta matéria./ Com informações de Reuters.