O Conselho de Supervisão da Meta comunicou nesta terça-feira (20) a avaliação sobre as medidas adotadas pela big tech contra a conta No Kings no Instagram, nas eleições brasileiras e em outras “votações previstas em diferentes partes do mundo”. O comitê apontou a existência de “falhas recorrentes na aplicação das regras”.No comunicado, o conselho disse estar “preocupado” com os problemas que resultaram: Na remoção de perfis de ativistas políticos, como a conta No Kings, durante os protestos nos Estados Unidos, antes das eleições legislativas, as chamadas midterms;Em restrições técnicas que afetaram as contas de anúncios do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).O conselho destacou que a falha relacionada ao perfil do chefe do Executivo ocasionou a “acusação de interferência eleitoral” por parte da campanha do petista. “Fica claro que a Meta precisa fazer mais para garantir que suas práticas de aplicação das regras durante as eleições sejam transparentes e consistentes e que a manifestação política seja protegida em vez de silenciada”, escreveu o grupo.Também foi emitido um alerta sobre o comportamento apresentado nas falhas de moderação de conteúdo da Meta durante pleitos em contexto de maior tensão política. Segundo o comitê, há duas tendências: rigor excessivo na imposição das regras, que restringe manifestações políticas; ou aplicação insuficiente, que compromete a integridade eleitoral.Sobre a restrição contra a conta No Kings, o conselho disse que os sistemas da Meta de prevenção de erros deveriam ter identificado a falha. Para o grupo, “não está claro” por que as medidas da big tech de garantia da integridade eleitoral não apresentaram uma “solução mais rápida”, como também, o motivo de o perfil não ter sido incluído no programa de verificação cruzada.De acordo com a explicação do grupo, o recurso de verificação cruzada permite à Meta “designar entidades cívicas importantes para garantir uma análise humana antes de uma decisão que possa comprometer gravemente a participação em um evento político relevante”. Da mesma forma, o comitê destacou que o caso da conta de anúncio de Lula deveria ter sido “encaminhado a uma equipe interna de especialistas em análise de conteúdo”.O grupo relatou que solicitou à Meta o desenvolvimento de uma “estrutura mensurável para avaliar seus esforços em prol da integridade eleitoral” durante o pleito brasileiro de 2022. Também contou que a big tech se comprometeu, em 2025, a “permitir mais liberdade de expressão e a cometer menos erros”. No entanto, para o comitê, a empresa “tem muito trabalho” a fazer para cumprir com a promessa.