Brasil importou 15 mil toneladas de agrotóxicos proibidos na UE, diz Oxfam

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O Brasil importou cerca de 15 mil toneladas de agrotóxicos proibidos para uso na União Europeia em 2024, segundo relatório da Oxfam divulgado nesta terça-feira (20). O volume colocou o país como o segundo maior destino das exportações dessas substâncias pelo bloco.De acordo com o levantamento – que foi atualizado em razão do Dia Mundial da Alimentação, celebrado 16 de outubro -, os países da União Europeia exportaram quase 122 mil toneladas de pesticidas proibidos em seu território naquele ano, mais que o dobro do registrado em 2018.Embora não possam ser utilizados nas lavouras europeias, esses produtos continuam sendo fabricados no bloco e vendidos a outros mercados, como o Brasil.A Oxfam critica essa diferença nas regras e afirma que a prática transfere riscos à saúde e ao meio ambiente para os países importadores, enquanto concentra os ganhos econômicos nas empresas produtoras. Leia Mais Europa arrisca perder competitividade agrícola para o Brasil, diz Bayer UE passa barrar produtos de origem animal do Brasil nesta quinta; entenda Exportações à Europa crescem 30%: acordo Mercosul-UE já está funcionando? “Não é aceitável que a União Europeia proíba determinados agrotóxicos para proteger sua própria população e, ao mesmo tempo, permita que essas mesmas substâncias sejam produzidas e exportadas para outros países”, afirma Viviana Santiago, diretora da Oxfam Brasil.Produtos altamente perigosos representam 49% das vendasO relatório também aponta que os agrotóxicos classificados como altamente perigosos representam 49% dos produtos vendidos no Brasil. Na Alemanha, a participação é de 12%, segundo a organização.Esse indicador é diferente do volume de importações de substâncias proibidas na União Europeia: trata da participação dos produtos classificados como altamente perigosos nas vendas de cada mercado.Segundo o documento, seis dos dez pesticidas mais vendidos no Brasil são proibidos para uso no bloco europeu. O levantamento relaciona a demanda brasileira ao cultivo de grandes monoculturas destinadas à exportação, como soja, café e cana-de-açúcar.O país comercializou aproximadamente 908 mil toneladas de ingredientes ativos de agrotóxicos em 2024, conforme os dados apresentados pela Oxfam. A organização alerta para a exposição de trabalhadores rurais, comunidades próximas às lavouras e do meio ambiente a essas substâncias.Concentração de mercadoO estudo também destaca a concentração na indústria de defensivos agrícolas. Segundo a Oxfam, quatro empresas controlam 61% do mercado mundial de pesticidas. O relatório atribui a essas companhias receitas de aproximadamente 2,7 bilhões de euros com a venda de produtos classificados como altamente perigosos.No Brasil, o documento aponta 725 registros de agrotóxicos em 2025, ante 663 em 2024, um crescimento de cerca de 9,4%.Diante dos resultados, a Oxfam defende que a União Europeia interrompa as exportações de substâncias proibidas em seu território e adote regras que priorizem a proteção à saúde e ao meio ambiente.“É preciso interromper a exportação de agrotóxicos proibidos e avançar em regras que coloquem a saúde, os direitos das pessoas e a proteção ambiental acima dos interesses comerciais”, afirma Santiago.