Segundo maior produtor de café do Brasil avança em recuperação judicial

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O Grupo Ruiz Coffees, segundo maior produtor de café do Brasil, está com um pedido de recuperação judicial em andamento para reestruturar aproximadamente R$ 775 milhões em dívidas, após três quebras consecutivas de safra e dificuldades para refinanciar operações.Em entrevista à CNN, o diretor financeiro da companhia, Ricardo Pardo, afirmou que a produção continua funcionando e “que a prioridade é garantir o custeio das lavouras no ciclo 2026/27 e preservar mais de 500 empregos diretos”.O pedido de RJ é de 8 de outubro, mas nesta terça-feira (20), o tema voltou à tona, porque o juiz responsável, Paulo Roberto Zaidan Maluf, determinou a suspensão das execuções de dívidas por 30 dias e proibiu os credores de antecipar o vencimento de contratos em razão do pedido. Leia Mais Grupo Sefert entra em recuperação judicial com dívida de R$ 240 milhões Grupo do Habib’s acumula R$ 70 milhões em dívidas com fornecedores do agro Marabraz pede recuperação judicial com dívidas de R$ 140 milhões O magistrado também reconheceu como essenciais à atividade do grupo as sacas de café já colhidas e os frutos ainda nas lavouras. Com a medida, mesmo os credores não sujeitos à recuperação ficam impedidos de arrestar ou penhorar esse café para o pagamento de dívidas, como confirmou Pardo.O pedido de recuperação judicial foi apresentado em conjunto pelas empresas Agropecuária JBP, Agropecuária JRF, Agropecuária Ruiz e Auto Posto Central Bálsamo, além de uma produtora rural individual.Na consulta online do processo, que tramita na vara regional empresarial e de conflitos relacionados à arbitragem da cidade de São José do Rio Preto, consta a última atualização sobre as dívidas, mas ainda não há um deferimento da reestruturação.Com atuação nos setores agropecuário e de combustíveis, o grupo Ruiz Coffees busca renegociar parte da dívida milionária em créditos para superar as dificuldades financeiras e manter as atividades.“Trata-se de uma crise de liquidez, não de inviabilidade da operação, que segue rentável e em funcionamento normal”, afirmou Pardo.Segundo o diretor financeiro do grupo, a companhia passa por uma verificação prévia das condições de funcionamento, determinada pela Justiça, antes da decisão sobre o processamento definitivo da recuperação judicial.Quebras de safra e vendas antecipadasA origem das dificuldades está na sequência de eventos climáticos que atingiram as lavouras: a geada de julho de 2021, com reflexos nas safras seguintes, o calor extremo sobre a florada de 2023 e a estiagem de 2024, afirmou Pardo.O grupo relata perdas entre 14% e 28% em relação aos volumes previstos internamente. Como os recursos de uma colheita ajudam a financiar a seguinte, a repetição das quebras comprometeu o caixa disponível para sustentar os próximos ciclos.A valorização do café também não se traduziu em alívio financeiro para a empresa. Pardo explicou que uma parcela relevante da produção já havia sido vendida antecipadamente a tradings, com preços fixados antes da alta.Com menos café disponível, o grupo precisou reprogramar entregas entre safras. Dessa forma, os compromissos assumidos anteriormente continuaram pressionando a produção dos ciclos seguintes, limitando o benefício dos preços mais elevados.“A mesma safra quebrada respondia por entregas físicas contratadas e pelas garantias cedidas sobre esses recebíveis”, disse. O encarecimento das dívidas e a dificuldade de renovar financiamentos agravaram o desequilíbrio, acrescentou o diretor.Pardo afirmou que o grupo contratou crédito entre 2020 e 2023 para ampliar áreas, investir em irrigação e modernizar a operação. A elevação dos juros nos anos seguintes aumentou o custo das dívidas vinculadas ao CDI.Ao mesmo tempo, a companhia enfrentou uma redução na oferta de crédito ao agronegócio, que o diretor financeiro associa à crise do complexo de grãos. As operações de refinanciamento e novas captações que estavam em estruturação foram interrompidas quando os vencimentos das dívidas se concentravam em 2025 e 2026, reiterou.Na avaliação de Pardo, foi a combinação desses fatores que levou ao pedido de recuperação.Produtor de café negocia terras em CRAs para alongar passivoOutra frente da reestruturação envolve fazendas vinculadas a operações com CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio, os CRAs).Segundo Pardo, a negociação prevê que os imóveis dados em garantia passem a ser detidos por um fundo de investimento, enquanto o Grupo Ruiz mantém a posse e a operação das áreas. A companhia continuaria responsável pelo manejo, pela colheita e pela comercialização da produção.O executivo afirmou que o modelo já foi adotado pelo grupo em 2025 e permite negociar prazos e condições financeiras mais compatíveis com o ciclo do café.As operações de mercado de capitais envolvem cerca de 1,5 mil hectares de café, aproximadamente um quinto da área cultivada pelo grupo, além de outros 1,1 mil hectares de cana-de-açúcar.A companhia não informou quais propriedades estão envolvidas nem detalhou eventuais condições de recompra dos imóveis, sob a justificativa de confidencialidade contratual.De acordo com Pardo, as demais garantias fiduciárias vinculadas a bancos e cooperativas permanecem como garantias das operações renegociadas, sem transferência de propriedade.Para a próxima safra, a empresa afirma que pretende concentrar esforços no financiamento e no manejo das lavouras, mantendo as atividades de colheita, beneficiamento e comercialização.