Ex-ministros do Meio Ambiente se unem em manifesto

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Faltando poucos dias para o 2º turno das eleições presidenciais, um grupo de ex-ministros do Meio Ambiente e ex-gestores do ICMBio lançou um manifesto em defesa das Unidades de Conservação (UCs) e do fortalecimento da fiscalização e da proteção do meio ambiente no Brasil. A carta aberta é assinada por sete ex-ministros do Meio Ambiente, de direita e de esquerda — Rubens Ricupero, José Sarney Filho, José Carlos Carvalho, Marina Silva, Carlos Minc, Izabella Teixeira e Edson Duarte. E por quatro ex-presidentes do ICMBio — Roberto Vizentin, Cláudio Maretti, Paulo Henrique Carneiro e Adalberto Eberhard.O texto reforça a importância do ICMBio, criado em 2007 para administrar o sistema de UCs no Brasil. Além de defender a independência e a integridade do órgão ambiental, os signatários cobram do próximo governo que dê estrutura e condições para a continuidade de seu trabalho.“Nós, que tivemos Unidades de Conservação sob nossa responsabilidade, em diferentes momentos da história, sabemos o quanto é fundamental a construção de uma instituição pública especializada e tecnicamente qualificada para a gestão das Áreas Protegidas e para contribuir para as políticas públicas ambientais, demandando tempo, investimentos, servidores preparados, processos participativos e uma gestão democrática”, destaca o manifesto.Ex-ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, famoso por “passar a boiada” em questões ambientais. Foto: Lula Marques Leia também: 1.Lula veta marco temporal e outros retrocessos do PL 2903 2.Menos 30 anos em 3: linha do tempo mostra retrocessos na área ambiental O documento também lembra o desmonte promovido no governo Bolsonaro (2019-2022), que atingiu o ICMBio e o IBAMA. “Essa trajetória sofreu grave ruptura no governo anterior, quando órgãos ambientais foram enfraquecidos, a fiscalização perdeu capacidade, políticas públicas consolidadas foram atacadas e a proteção ambiental passou a ser frequentemente tratada negativamente e como obstáculo ao desenvolvimento.”A defesa do ICMBio ganhou importância depois que Flávio Bolsonaro (PL), rival de Lula na corrida presidencial, indicou a possibilidade de fundi-lo com o IBAMA e a FUNAI, sob a justificativa de “eliminar superposições”. O candidato também tem histórico de apoio a propostas antiambientais durante seu mandato como senador pelo Rio de Janeiro.“Há propostas no sentido de rever atribuições e eliminar supostas sobreposições entre instituições. O que é um claro eufemismo para poder enfraquecer os órgãos que executam políticas públicas ambientais, entre os quais ICMBio e IBAMA”, diz a carta.Para ler a íntegra, clique AQUI.Enfraquecer a legislação ambiental aumenta o risco de desastres ambientais, como o ocorrido em Brumadinho. Foto: Vinicius Mendonça | IbamaAs Unidades de Conservação têm sido cruciais para a redução do desmatamento na Amazônia e no Cerrado. Como anunciado na semana passada, as taxas de desmate nos dois biomas atingiram os menores níveis da série histórica segundo dados do sistema PRODES, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), com reduções de 42% e 24%, respectivamente.A retomada da fiscalização ambiental também foi decisiva para esses resultados. Entre 2023 e 2026, o IBAMA realizou mais de 76 mil ações de fiscalização em todo o país, lavrando 25,1 mil autos de infração contra a flora, com R$ 11,8 bilhões em multas. O IBAMA também embargou mais de 18,6 mil km² de área, lavrou 15,3 mil termos de apreensão, no valor de R$ 2,6 bilhões, e 4 mil termos de destruição, no valor de R$ 1,26 bilhão.No mesmo período, o ICMBio lavrou 11,9 mil autos de infração em UCs, com R$ 2,4 bilhões em multas e mais de 5 mil termos de embargo, totalizando mais de 5 mil km² de área embargada.Ação do Prevfogo na Terra Indígena Tenharim/Marmelos, no Amazonas, realizada em agosto e setembro de 2024. Foto: Mayangdi Inzaulgarat | Ibama Leia também: 1.Governo Federal demarca 668 mil hectares para conservação 2.Terras indígenas são mais preservadas do que áreas de conservação Em matéria do ClimaInfo, outros contextos envolvendo possíveis resultados das eleições de 2026 foram destacados. Segundo o site, a votação do 2º turno das eleições presidenciais também pode selar o futuro da Amazônia. Com o avanço do bolsonarismo entre o eleitorado da região, uma possível vitória de Flávio Bolsonaro pode impulsionar um novo — e mais devastador — ciclo de destruição da maior floresta tropical do planeta, que está próxima de atingir seu ponto de não retorno. Na imprensa internacional New York Times aborda a situação política na região e os reflexos de uma possível volta da família Bolsonaro ao poder não apenas sobre a Amazônia, mas também sobre a luta contra as mudanças climáticas globais.Os povos indígenas, comprovadamente os maiores defensores da floresta, também estão sob ameaça de uma vitória da extrema-direita terá maioria no Congresso Nacional e no Senado pelos próximos 4 anos. Políticos alinhados à extrema-direita e ao bolsonarismo consideram os direitos indígenas como um obstáculo à exploração econômica dos territórios. Essa é a avaliação de Luiz Ventura Fernández, secretário-executivo do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Em entrevista à Repórter Brasil, ele afirma que uma vitória de Flávio Bolsonaro na disputa presidencial pode acelerar projetos que permitem a exploração de Terras Indígenas por terceiros e dificultam novas demarcações. “A perspectiva da extrema-direita é o genocídio, é o desaparecimento, é o descarte dos Povos Indígenas”, pontuou.Área de garimpo conhecido como “Tatuzão” na Terra Indígena Yanomami. Foto: Bruno Kelly | Amazônia RealCom informações de ClimaInfoThe post Ex-ministros do Meio Ambiente se unem em manifesto appeared first on CicloVivo.