Trigo cai 1,83% em Chicago com exportações fracas e maior oferta global

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Os contratos futuros do trigo fecharam em forte queda nesta terça-feira (20) na bolsa de Chicago, pressionados pelo desempenho fraco das exportações americanas e pelas perspectivas de maior oferta no mercado internacional. O vencimento para entrega em dezembro recuou 1,83%, encerrando o pregão cotado a US$ 6,43 por bushel.Segundo análise da Royal Rural, o trigo liderou as perdas entre os principais grãos negociados na bolsa americana. O mercado também acompanhou a desvalorização do milho, cujo contrato para dezembro era negociado próximo de US$ 4,62 por bushel, diante do avanço da colheita nos Estados Unidos e de indicadores mais fracos de demanda externa.No mercado de trigo, as inspeções de exportação dos Estados Unidos somaram apenas 240 mil toneladas, enquanto as vendas semanais recuaram quase 48% em relação ao mesmo período do ano passado. Leia Mais Milho recua em Chicago com pressão do trigo e ajuste de posições Trigo sobe mais de 2% com tensão no Mar Negro e risco para exportações Preço do trigo sobe em Chicago impulsionado por riscos no Mar Negro Diante desse cenário, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) reduziu a projeção de exportações americanas de 775 milhões para 750 milhões de bushels e elevou a estimativa de estoques finais para 740 milhões de bushels.A perspectiva de maior disponibilidade global também contribuiu para pressionar as cotações. Argentina e Austrália apresentam expectativas de aumento da oferta, enquanto as previsões de chuva nos Estados Unidos favorecem o plantio do trigo de inverno, ampliando as perspectivas para a próxima safra.Outro fator acompanhado pelos investidores são as negociações de paz entre Rússia e Ucrânia, que podem reduzir parte do prêmio de risco incorporado aos preços do cereal.O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, discute uma proposta de paz com representantes americanos e europeus na Noruega, enquanto existe a possibilidade de um enviado dos Estados Unidos viajar à Rússia para apresentar os termos ao presidente Vladimir Putin. Apesar das tratativas, ainda não há acordo confirmado, os ataques continuam e o transporte de grãos pelo Mar Negro permanece sujeito a riscos.SojaOs contratos futuros da soja fecharam em queda nesta sessão na bolsa de Chicago, acumulando a sétima sessão consecutiva de perdas. O vencimento para entrega em novembro recuou 0,42%, encerrando o pregão cotado a US$ 12,48 por bushel, pressionado pelo avanço da colheita nos Estados Unidos e pela entrada de novos grãos no mercado.Segundo a Granar, o ritmo dos trabalhos no campo americano continua pressionando as cotações. Dados divulgados na segunda-feira (19) pelo USDA mostram que a colheita da soja alcançou 64% da área plantada, ante 46% na semana anterior.O resultado ficou abaixo da média histórica de 50%? Não. O índice superou a média de 50% para o período, mas ficou ligeiramente abaixo dos 66% esperados pelos operadores do mercado.O USDA também informou que 96% das lavouras de soja já estavam em processo de perda de folhas, etapa que antecede a conclusão da colheita. O avanço do ciclo da cultura reforça a expectativa de maior disponibilidade do grão nos Estados Unidos, fator que segue limitando o desempenho dos contratos futuros em Chicago.MilhoOs contratos futuros do milho fecharam em queda pela sexta sessão consecutiva na bolsa de Chicago, pressionados pelo avanço da colheita nos Estados Unidos e pelas condições climáticas favoráveis às atividades no campo. O vencimento para entrega em dezembro recuou 1,07%, encerrando o pregão cotado a US$ 4,62 por bushel.Segundo a Granar, a previsão de tempo favorável para os próximos dias no Meio-Oeste americano deve contribuir para acelerar os trabalhos de colheita e ampliar a oferta do cereal no mercado. Além disso, a entrada da segunda maior safra de milho da história dos Estados Unidos no circuito comercial aumenta a pressão sobre os preços.De acordo com a Agrinvest, a sazonalidade da colheita americana continua influenciando negativamente as cotações tanto do milho quanto da soja em Chicago. O avanço dos trabalhos nos Estados Unidos amplia a disponibilidade dos grãos e limita a recuperação dos contratos futuros neste período.No Brasil, os investidores acompanham o desenvolvimento da safra 2026/27. Até o momento, não há sinais generalizados de problemas nas lavouras, e o plantio avança em ritmo acelerado, dentro da janela prevista. O andamento da semeadura e as condições climáticas nas principais regiões produtoras seguem no radar do mercado.Como o agronegócio enfrenta o risco climático que muda a cada safra