EUA ampliam vigilância após detectar mosca-da-bicheira em animal selvagem

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O parasita conhecido como mosca-da-bicheira do Novo Mundo foi detectado pela primeira vez em décadas em um animal silvestre nos Estados Unidos. O Departamento de Agricultura do país (USDA, na sigla em inglês) confirmou nesta quarta-feira (21) a presença do organismo em uma fêmea de alce encontrada no condado de Pecos, no Texas.O animal estava em propriedade destinada à caça e o caso foi identificado depois que um caçador abateu o alce. Uma amostra foi encaminhada a um laboratório especializado em insetos que afetam a pecuária, em Kerrville, também no Texas, onde a presença do parasita foi confirmada.A descoberta levou as autoridades a ampliar a vigilância de animais silvestres na região. A Comissão de Saúde Animal do Texas também vai modificar uma zona de infestação estabelecida anteriormente.O episódio ocorre em meio ao avanço da mosca-da-bicheira pela América do Norte e aumenta a preocupação com a disseminação do parasita entre animais silvestres e rebanhos.Segundo caso é confirmado em outro estadoNo mesmo dia em que o caso do alce foi anunciado, autoridades do Novo México confirmaram a presença do parasita em uma vaca de corte no condado de Otero;Segundo a Reuters, os órgãos estaduais e federais estão ampliando a vigilância e a instalação de armadilhas para moscas nas áreas afetadas. O objetivo é identificar possíveis novas ocorrências e determinar se o parasita já se espalhou para além dos animais infectados;No Novo México, as autoridades estabeleceram uma zona de infestação com raio mínimo de 20 quilômetros ao redor do local onde o bovino foi encontrado. Dentro dessa área, os animais precisam passar por inspeção e, quando necessário, receber tratamento antes de serem transportados para dentro ou para fora da região;Os dois casos foram confirmados em estados vizinhos, mas as informações divulgadas pelas autoridades não demonstram, por si só, que os animais tenham sido infectados pela mesma fonte.Como a mosca-da-bicheira ataca os animaisA mosca-da-bicheira do Novo Mundo é um inseto parasita cujas larvas se alimentam de tecido vivo. As fêmeas depositam ovos em feridas abertas ou em outras aberturas do corpo de animais de sangue quente, incluindo bovinos e animais silvestres.Depois que os ovos eclodem, as larvas penetram no tecido e se alimentam dele, agravando as lesões. O processo pode provocar feridas progressivamente maiores e comprometer a saúde do animal.De acordo com as autoridades do Texas, alguns sinais que podem indicar infestação são:Larvas visíveis em feridas ou aberturas do corpo;Ferimentos abertos, com secreção ou que estejam aumentando;Lesões com odor forte e desagradável;Animais debilitados, apáticos, isolados ou que aparentem sofrimento;Sinais de infestação nas regiões do nariz, da boca, das orelhas, dos olhos ou dos órgãos genitais.O Departamento de Parques e Vida Selvagem do Texas orienta caçadores a inspecionar os animais abatidos antes de realizar a evisceração ou transportar as carcaças. A recomendação também se aplica a proprietários de terras e profissionais que trabalham com a fauna silvestre.A identificação precoce é considerada importante para que as autoridades possam investigar casos suspeitos e tentar impedir a disseminação do parasita.Parasita foi encontrado na fêmea de um alce – Imagem: Ondrej Prosicky/ShutterstockLeia mais:Ebola chega à Nigéria: autoridades identificam 44 contatos de paciente infectadaAnvisa aprova novo remédio contra câncer de pulmão; Brasil é o 2º país a liberar terapiaNenhum estado brasileiro atinge meta de vacinação contra o sarampoParasita havia sido erradicado dos EUAA presença da mosca-da-bicheira preocupa porque o parasita havia sido erradicado dos Estados Unidos em 1966, por meio de uma estratégia que utiliza insetos esterilizados para interromper a reprodução da espécie.Nos últimos anos, porém, o organismo voltou a avançar em direção ao norte, partindo da América Central e passando pelo México. A expansão levou o governo estadunidense a suspender as importações de gado mexicano em 2025, em tentativa de reduzir o risco de entrada do parasita.O comércio foi retomado gradualmente em agosto de 2026, com a reabertura de um ponto de entrada no Arizona. A medida fazia parte de um plano condicionado ao cumprimento de etapas de controle sanitário.A interrupção das importações contribuiu para restringir a oferta de bovinos nos Estados Unidos e pressionar os preços da carne bovina, que chegaram a níveis recordes para os consumidores.O USDA e as autoridades estaduais continuam monitorando as áreas afetadas. A nova detecção em um animal silvestre reforça a importância da vigilância para identificar outras ocorrências e limitar a expansão do parasita.O post EUA ampliam vigilância após detectar mosca-da-bicheira em animal selvagem apareceu primeiro em Olhar Digital.