A companhia aérea brasileira Azul prevê que sua recuperação demore mais do que se esperava inicialmente e mantém um plano de crescimento cauteloso, disse o diretor financeiro Antonio Carlos Garcia à Reuters, já que os altos preços do combustível de aviação continuam pressionando as margens, mesmo depois que a empresa saiu da recuperação judicial prevista no Chapter 11 no início deste ano.A Azul ainda espera encerrar 2026 com uma capacidade cerca de 5% menor em relação ao ano anterior, refletindo uma estratégia que a companhia já havia adotado antes do mais recente impacto nos preços do combustível, disse Garcia na noite de segunda-feira, à margem de uma conferência organizada pela Associação de Transporte Aéreo da América Latina e do Caribe.“Vemos uma recuperação em um estágio mais tardio do que antes”, disse Garcia, acrescentando que o cronograma pode se atrasar em um ano ou mais se os preços do combustível permanecerem elevados. Leia Mais American Airlines adquire participação de 8% em capital da Azul Cade aprova compra de participação da Azul pela American Airlines Cade: área técnica aprova operação entre Azul e American Airlines A Azul reduziu a capacidade no segundo trimestre em mais de 10% em relação ao ano anterior, em resposta à alta nos preços dos combustíveis, com a expectativa de que um crescimento modesto da capacidade seja retomado a partir do quarto trimestre.Garcia disse que a Azul já está restabelecendo algumas frequências e colocando de volta em serviço aeronaves que estavam fora de operação, mas ressaltou que isso não deve ser visto como uma expansão agressiva.A companhia aérea conseguiu repassar de 60% a 65% dos aumentos no preço do combustível de aviação aos clientes por meio das tarifas, acrescentou ele.A Azul saiu do Chapter 11 em fevereiro, após reestruturar seu balanço patrimonial, e informou em agosto que a dívida total havia caído para R$21,4 bilhões.Garcia disse que a Azul está se aproximando de um fluxo de caixa livre positivo operacionalmente, mas que a geração de caixa ainda está sendo prejudicada por pagamentos vinculados à reestruturação, tanto anteriores quanto posteriores ao processo do Chapter 11.A Azul também está se apoiando cada vez mais em setores de seu negócio além do transporte de passageiros, incluindo seu programa de fidelidade, serviços de viagem, operações de carga e manutenção, disse Garcia.Questionado sobre os rumores de uma maior consolidação na aviação latino-americana, Garcia disse que a Azul estava focada em “reestruturar” seus próprios negócios, em vez de avaliar possíveis acordos.No ano passado, a controladora da concorrente Gol, a , abandonou as negociações de fusão para unir as duas companhias aéreas, embora tenha deixado a porta aberta para retomar as discussões no futuro.