As mudanças climáticas, as tensões geopolíticas e a pressão por uma produção mais sustentável estão entre as principais preocupações da indústria mundial de alimentos. Na segunda-feira (19), a SIAL (Salão Internacional da Alimentação) Paris reuniu especialistas e representantes do setor para discutir como garantir o abastecimento em um cenário de eventos climáticos extremos, instabilidade comercial e maior complexidade nas cadeias globais de produção.A programação do summit Feeding a World Under Pressure (Alimentar um mundo sob pressão) abordou dois desafios centrais: transformar compromissos ambientais em ações concretas e proteger os fluxos internacionais de alimentos diante de conflitos, sanções e mudanças nas relações comerciais.Os palestrantes destacaram que os efeitos desses problemas vão além do campo. Podem atingir a disponibilidade de matérias-primas, os custos de produção, o transporte e a capacidade de empresas manterem o fornecimento regular aos consumidores.Mudanças climáticas exigem respostas concretasUm dos debates da programação, intitulado From Commitment to Proof: Making Climate Resilience Actionable Across Value Chains (Dos compromissos à prática: como tornar as cadeias produtivas mais resilientes ao clima – em tradução livre), discutiu como transformar metas ambientais em resultados mensuráveis.A discussão envolveu medidas que vão além da redução das emissões de carbono, como a gestão da água, a preservação da biodiversidade, a escolha de fornecedores e a adaptação das operações industriais e logísticas.O tema ganhou relevância diante da sequência de eventos climáticos extremos. Segundo a OMM (Organização Meteorológica Mundial), os anos de 2015 a 2025 foram os 11 mais quentes já registrados.O calor extremo e as chuvas intensas ampliam os riscos para economias interligadas e cadeias de abastecimento.Na abertura do summit, o explorador e ambientalista Bertrand Piccard, presidente da Solar Impulse Foundation, defendeu uma abordagem que associe proteção ambiental e desempenho econômico.A apresentação destacou que soluções para reduzir impactos ambientais também podem melhorar a eficiência e a rentabilidade das empresas. Leia Mais Brasil leva cooperativas da agricultura familiar pela 1ª vez à SIAL Paris Apex inaugura pavilhão na SIAL Paris e aposta em novos mercados Negócios na SIAL Paris já consideram retomada das vendas de frango à UE Geopolítica ameaça fluxos comerciaisOutro painel, Food Sovereignty & Geopolitics: Securing Global Trade Flows (Soberania alimentar e geopolítica: como proteger os fluxos comerciais globais – em tradução livre), discutiu como manter o comércio de alimentos diante de um cenário internacional instável.O debate abordou o papel de acordos comerciais, normas, regulamentações e estratégias para diversificar fornecedores e mercados.A preocupação é reduzir a vulnerabilidade das cadeias sem comprometer a competitividade das empresas nem o acesso aos mercados internacionais.A soberania alimentar, nesse contexto, não se limita à capacidade de um país produzir seus próprios alimentos. Também envolve a segurança dos fluxos de importação e exportação e a capacidade de reagir a interrupções no comércio.G7 coloca solo e fertilizantes na agendaAs preocupações com a sustentabilidade da produção também apareceram na agenda dos ministros da Agricultura do G7 (Grupo dos Sete), que estiveram em Paris na segunda-feira (19).Em comunicado sobre a reunião ministerial realizada no contexto da SIAL, os países destacaram a gestão de nutrientes na agricultura e a saúde do solo como prioridades de longo prazo.A ministra francesa da Agricultura, Annie Genevard, afirmou que os choques sucessivos enfrentados pelos agricultores exigem respostas duradouras.“Diante dos choques sucessivos que afetam nossos agricultores, precisamos agir no longo prazo”, declarou a ministra, segundo o comunicado oficial do G7.O texto também aponta a necessidade de melhorar o uso de fertilizantes, administrar o ciclo de nutrientes e fortalecer práticas agrícolas que preservem a saúde do solo.Durante a visita à feira, os ministros ainda conversaram com empresas dos países do grupo sobre produtos alimentícios inovadores e se reuniram com representantes do setor de alimentos francês e internacional.*A jornalista viajou a convite da ApexBrasil