Saiba como funcionam e quando sairão as últimas pesquisas antes do 2º turno

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A véspera do segundo turno, neste sábado (24), terá uma sequência de pesquisas nacionais sobre a disputa entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT).Os levantamentos oferecem um retrato próximo da votação de domingo (25), mas precisam ser interpretados considerando o período das entrevistas, a metodologia e possíveis mudanças de última hora.Estão previstas divulgações de sondagens da AtlasIntel, Datafolha, Quaest, Futura/100% Cidades, MDA, Nexus, Palver e Veritá.Não existe um horário único determinado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), já que a programação depende de cada instituto e dos responsáveis pela publicação. O registro permite a divulgação, mas não obriga a empresa a publicar os resultados. Leia Mais MPE pede que TSE avise eleitores sobre novos locais de votação no 2º turno Votos de legenda somam 4,73% dos válidos em 2026, menor da série desde 1998 No 2º turno, algumas cidades também votarão em prefeitos e plebiscitos O que precisa ser registradoA Lei das Eleições exige o cadastro no PesqEle com antecedência mínima de cinco dias da divulgação. Devem constar contratante, financiamento, metodologia, período de coleta, plano amostral e questionário.Segundo o TSE, esta segunda-feira (19) foi o último dia para registrar pesquisas destinadas à divulgação no dia da votação.Na publicação dos resultados, é obrigatório informar período da coleta, número de entrevistas, margem de erro, nível de confiança, instituto responsável, eventual contratante e número de registro. Os dados permitem identificar quando e como o levantamento foi feito, além dos percentuais dos candidatos.Em 2026, o Tribunal aprimorou o sistema, com detalhamento da amostra, dos procedimentos de campo e da ordem das perguntas. Segundo o TSE, a atualização melhora a apresentação de informações já exigidas.Por que a data das entrevistas importaPublicar no sábado não significa que todas as entrevistas tenham sido feitas naquele dia. Para avaliar se uma pesquisa pode refletir um acontecimento recente, é necessário conferir quando ocorreu a coleta.Neste segundo turno, o debate da Globo está previsto para sexta-feira (23), também último dia da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão. Portanto, se a coleta foi feita na própria sexta, não terá reflexos do encontro na emissora.Para Leonardo Paz, cientista político e professor do Ibmec-RJ (Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais do Rio de Janeiro), os levantamentos finais são relevantes para indecisos e pessoas que cogitam não comparecer.Ao perceber que um candidato rejeitado pode vencer, parte desse eleitorado pode se mobilizar para tentar impedir o resultado.“A gente tem uma máxima na política de que, no primeiro turno, você vota em quem você quer; no segundo turno, você vota contra quem você não quer”, explica.“Tradicionalmente, as pesquisas de última hora são o último termômetro”, afirma. Ele as define como “o último retrato da percepção de como o povo, o eleitorado, está efetivamente inclinado naquela eleição”.Paz ressalta, porém, que informações nas redes sociais podem alterar escolhas. “Hoje, o indivíduo sai no dia para votar e recebe uma quantidade incrível de informação via Instagram, via corrente de WhatsApp, via Facebook, via e-mail ou coisa parecida”, aponta.Retrato e influência sobre o votoLeandro Consentino, cientista político do Insper, identifica dois efeitos: a capacidade de retratar uma escolha mais consolidada e a possibilidade de os próprios resultados influenciarem o eleitor.“Uma pesquisa realizada um dia antes vai poder captar algo mais próximo do que vai ser o eleitor na urna do que uma pesquisa realizada muito antes”, afirma. A proximidade reduz o intervalo entre entrevista e voto, embora não elimine mudanças.O especialista também repete o pensamento de Paz ao observar que os números podem estimular uma escolha estratégica. “Uma das coisas que podem mudar, curiosamente, a decisão do eleitor entre essa divulgação da pesquisa e a ida à urna é a própria pesquisa.”Na avaliação dele, isso ajudou a explicar migrações para candidaturas consideradas mais competitivas, como ocorreu com Flávio Bolsonaro em relação às candidaturas de terceira via no primeiro turno, e pode ter influência no segundo pleito.Pode divulgar pesquisa no domingo?Sim. A Resolução TSE nº 23.600/2019 permite divulgar, inclusive no domingo, pesquisas feitas antes da eleição, respeitados o registro prévio e as informações obrigatórias. Levantamentos realizados no próprio dia da votação, como as pesquisas de boca de urna, só podem ser publicados a partir das 17h, no horário de Brasília.Ministério Público, candidatos, partidos, coligações e federações podem contestar pesquisas na Justiça Eleitoral por descumprimento das regras. Para o eleitor, a consulta pública ao PesqEle permite conferir o registro e confrontar suas informações com os números que circulam nas redes.Flávio e Lula calibram propaganda negativa e positiva na reta final da eleição | CNN 360°