A Meta enfrenta uma ação coletiva na Austrália que questiona os efeitos do Facebook e do Instagram sobre crianças e adolescentes. Os autores acusam a empresa de expor menores a conteúdos prejudiciais e de estimular o uso compulsivo das plataformas por meio de algoritmos.Apresentado no Tribunal Federal australiano, o processo reúne oito pessoas que afirmam ter sofrido danos quando eram menores de idade. Elas pedem indenização, e a ação pode ser a primeira no país a buscar a responsabilização de redes sociais por prejuízos desse tipo.Uso de algoritmos de recomendação no Instagram e no Facebook é o ponto central da disputa judicial. – Imagem: Mijansk786/ShutterstockAlgoritmos e recomendações sob questionamentoA ação foi apresentada neste mês pelo escritório de advocacia MinterEllison. Os autores questionam o papel dos algoritmos na experiência dos usuários jovens, especialmente na seleção de publicações e no estímulo à permanência nas plataformas.Os sistemas de recomendação escolhem quais conteúdos aparecem nos feeds. A acusação sustenta que mecanismos desse tipo contribuem para o uso compulsivo e a exposição de menores a publicações prejudiciais. Como a petição inicial está sob sigilo, porém, não há informações públicas suficientes para identificar os recursos específicos questionados pelos autores.Na segunda-feira, o Tribunal Federal da Austrália proibiu a divulgação do conteúdo da petição e de informações que possam identificar os envolvidos.Procurada pela Reuters, a Meta declarou: “Estamos cientes dessa alegação e nos defenderemos vigorosamente”.Austrália endurece regras para redes sociaisO processo ocorre em meio a mudanças na legislação australiana. O país aprovou uma lei que exige que as plataformas impeçam menores de 16 anos de acessar redes sociais, incluindo Facebook, Instagram, TikTok e YouTube.Para cumprir a regra, a Meta começou, em dezembro do ano passado, a remover contas de usuários abaixo dessa idade na Austrália. Na época, a empresa informou que trabalhava para retirar todos os perfis identificados como pertencentes a menores de 16 anos antes da entrada em vigor da legislação.O país também discute regras que permitiriam aos usuários desativar as recomendações algorítmicas nos feeds. A proposta daria às pessoas a opção de deixar de receber publicações selecionadas automaticamente pelas plataformas.Caso pode se tornar o primeiro da Austrália a responsabilizar plataformas por danos a menores. – Imagem: Marina Demidiuk/iStockDisputa também envolve acusações nos EUAA ação australiana se soma a processos movidos nos Estados Unidos. Segundo a Reuters, em agosto, a Meta concordou em pagar US$ 18 bilhões (cerca de R$ 91 bilhões) para encerrar acusações apresentadas por quase todos os estados americanos. Eles alegavam que as plataformas haviam sido projetadas para viciar crianças.Na Austrália, os oito autores buscam indenização por supostos danos relacionados ao uso do Facebook e do Instagram antes dos 18 anos. O sigilo da petição impede, por enquanto, conhecer todos os argumentos apresentados contra a empresa.O post Meta é processada na Austrália por suposto vício de crianças em redes sociais apareceu primeiro em Olhar Digital.