Ele é monogâmico, exige carinho diário e é quem dá à luz no fundo do mar

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No ambiente marinho, o cavalo-marinho (Hippocampus) apresenta um sistema reprodutivo único no reino animal, no qual o macho é o responsável por carregar os embriões e dar à luz.A reprodução da espécie envolve um vínculo monogâmico durante a estação reprodutiva, fortalecido por um ritual matinal de contato físico entre o casal, e culmina na gestação e expulsão de centenas de filhotes por meio de contrações musculares. Leia Mais Não precisa de machos? Tubarões fêmeas isoladas há anos surpreendem cientistas ao gerarem filhotes sozinhas Infanticídio no mundo animal: por que ursos matam os filhotes existentes da sua futura parceira antes de acasalar? Cavalo Caramelo, símbolo de resistência nas enchentes no RS, pode ser pai? Veja quem é a nova "pretendente" que chegou para morar no mesmo local Rituais de acasalamento e o cumprimento matinalO ciclo reprodutivo do cavalo-marinho tem início com rituais de cortejo que costumam ocorrer na primavera. O macho exibe mudanças na coloração corporal e realiza uma dança de acasalamento ao lado da fêmea, processo que pode durar várias horas. Durante esse ritual, os dois animais entrelaçam as caudas e alinham o duto de liberação de óvulos da fêmea com a abertura da bolsa incubadora localizada no abdômen do macho.Em diversas espécies de cavalo-marinho, o casal estabelece uma relação monogâmica ao longo de toda a temporada de reprodução. Antes de saírem em busca de alimento, os parceiros realizam um comportamento diário ao amanhecer: eles se aproximam e entrelaçam as caudas para se cumprimentar, gesto que reforça o vínculo do casal.Bolsa incubadora e a gestação masculinaApós a transferência dos óvulos pela fêmea, a fertilização ocorre de forma interna dentro da bolsa abdominal do macho, quando este libera os espermatozoides. A partir desse momento, a fêmea encerra sua participação direta na ninhada e volta sua energia para a produção de novos óvulos.O período de gestação varia de acordo com a espécie e as condições ambientais, durando de 10 dias a 6 semanas, podendo chegar a até 60 ou 69 dias. A bolsa incubadora atua como uma estrutura de proteção que desempenha funções biológicas complexas:Regulação osmótica e térmica: mantém o controle da salinidade e da temperatura adequada para o desenvolvimento embrionário.Trocas gasosas: viabiliza o fornecimento de oxigênio e a eliminação de gás carbônico.Nutrição e imunidade: fornece nutrientes essenciais e protege os embriões contra infecções.Embora assuma o papel de gestante, o macho preserva suas características biológicas masculinas, como a produção de hormônios específicos e espermatozoides. Análises genéticas identificaram que os machos expressam genes específicos associados ao fornecimento de nutrientes, à eclosão dos ovos e à preparação para o trabalho de parto.O momento do parto e a sobrevivência da espécieQuando os filhotes completam seu desenvolvimento, o abdômen do macho apresenta ondulações rítmicas. Por meio de uma sequência de contrações musculares, o pai expulsa os filhotes para fora da bolsa incubadora em direção ao mar aberto.Cada gestação gera, em média, de 300 a 500 filhotes, podendo ultrapassar 1.000 indivíduos em determinadas espécies. Ao nascerem, os filhotes medem cerca de 5 milímetros, apresentando o mesmo formato do indivíduo adulto.Logo após o nascimento, os filhotes não recebem cuidados parentais e são levados pelas correntes marítimas, ficando expostos a peixes maiores e predadores. A taxa de sobrevivência é estimada em cerca de 3%. A estratégia evolutiva de gerar um volume elevado de embriões compensa essa alta mortalidade inicial, garantindo a manutenção populacional e evitando a extinção da espécie nos oceanos.*Publicado por Beto Souza da CNN Brasil