Em uma eleição acirrada, as campanhas de Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) têm pelo menos uma concordância: qualquer erro no debate desta sexta-feira (23), na TV Globo, pode ser fatal.Flávio e Lula estão cercados apenas de aliados essenciais nas últimas horas e dedicados ao treinamento de cenários de ação, reação, em que o conteúdo importa, mas também a disposição e movimentação pelo estúdio.A orientação a Lula busca diminuir o efeito “papagaio de pirata” do debate da TV Band do último domingo (18), quando Flávio buscou aparecer no quadro de Lula quando o petista tinha a palavra e gesticular atrás de Lula. Leia Mais PL aposta em voto envergonhado; PT mira menos abstenção Flávio e Lula calcularão ataques em debates para não afastar indecisos Flávio é orientado a ser técnico em debate; Lula, a destacar legado A estratégia buscou inviabilizar cortes e desestabilizar o presidente, mas foi repreendida em pesquisas qualitativas feitas pelas campanhas. Por isso, a ideia é que Flávio siga no ataque a Lula, mas busque ser menos agressivo.Aliados de Flávio apostam em manter a postura de ataques, mas em fazer isso de uma maneira mais “Duda Lima”, ou seja, moderada, do “Pablo Marçal”, mais beligerante. Duda é o marqueteiro da campanha e recuperou para este debate o espaço na orientação cedido no último domingo para Marçal.No PL, a visão é de que Lula pode buscar tentar se vitimizar e colocar em Flávio a ideia de que o senador tenta “humilhá-lo”. Aliados afirmam que há orientações de Duda Lima sobre como proceder caso esse seja o caminho adotado por Lula.Petistas dizem que o presidente Lula foi orientado e estará mais atento ao movimento de palco, às câmeras e ao tempo das falas, algo que foi explorado pelo seu concorrente no último debate.Na campanha do presidente Lula, a aposta é em falar de futuro e de propostas. Aliados também defendem que Lula explore investigações contra Flávio Bolsonaro por lavagem de dinheiro e a suspeita de que Flávio é sócio oculto de bets.Além do marqueteiro Sidônio Palmeira, Lula tem sido acompanhado de perto pelos ex-ministros Rui Costa e Camilo Santana e pelo governador do Piauí, Rafael Fonteles. Já Flávio tem treinado com o governador de São Paulo, Tarcísio Gomes de Freitas.Flávio e Lula buscam corrigir erros em debate final | LIVE CNNComo mostrou a CNN Brasil, o resultado da pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (22), que mostrou empate numérico entre os dois, também deve fazer com que as campanhas amenizem discussões sobre denúncias e investigações e focar em propostas para eleitores indecisos, segundo informaram fontes tanto do PT quanto do PL.Baseados nas pesquisas também, ambos devem apostar na “onda” favorável durante o programa, com o senador apostando no histórico de surpresas da direita nas urnas, enquanto o atual mandatário deve focar nas mobilizações recentes, em especial nas redes sociais.A CNN mostrou também que, sobre polêmicas, Flávio deve contar com o apoio de Mário Rosa para responder a questões como suas relações com o advogado Willer Tomaz e o banqueiro Daniel Vorcaro. A Polícia Federal investiga suspeitas de que a relação entre o senador e Willer Tomaz envolva uma sociedade oculta em negócios de apostas esportivas.Já do lado do presidente, o petista pode ser questionado sobre o seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e a relação com a lobista Roberta Luchsinger. Caso seja questionado, Lula foi orientado a afirmar que a atuação dela está sendo investigada pela Polícia Federal, sem entrar em detalhes.Outro ponto que deve ser explorado por Lula e Flávio é a chamada “estratégia Google” para tentar aumentar a rejeição do adversário. A ideia é que, ao longo do embate, os dois candidatos a presidente estimulem o eleitor a fazer buscas sobre episódios polêmicos ou indícios de irregularidades.Militância prepara estratégias nas redes durante debate | CNN 360°*Com informações de Gustavo Uribe e Tainá Falcão, da CNN Brasil