WASHINGTON — Os militares dos Estados Unidos e de Israel desenvolveram planos específicos para uma nova rodada de ataques contra o Irã após as eleições legislativas de meio de mandato nos EUA, segundo autoridades americanas e outras pessoas informadas sobre as discussões.À medida que o planejamento de uma operação curta, mas intensa, avança, os militares americanos e israelenses intensificaram exercícios conjuntos, realizando voos sobre o Iraque para praticar manobras de ataque. O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, reuniu-se nesta semana em Israel com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu para discutir novos ataques, de acordo com autoridades americanas.Os alvos provavelmente incluiriam infraestrutura energética do Irã, instalações nucleares e seu arsenal de mísseis e drones. Algumas autoridades avaliam que uma nova grande onda de ataques poderia levar a economia iraniana a um ponto crítico e forçar o país a fazer concessões diplomáticas após quase oito meses de conflito.Ainda assim, há motivos para ceticismo quanto à possibilidade de uma retomada da guerra ser mais bem-sucedida do que a primeira fase dos ataques intensos conduzidos por EUA e Israel entre fevereiro e abril. Aquele período elevou os preços da energia e a inflação ao redor do mundo, enfraqueceu a segurança no Oriente Médio e pressionou severamente os estoques de interceptadores de mísseis do Pentágono.Também está longe de ser certo que o presidente Donald Trump aprovará novos ataques. Ao longo deste ano, ele vetou repetidamente planos para retomar grandes operações de combate, inclusive neste mês, quando os militares dos EUA e de Israel já estavam quase prontos para atacar.Leia tambémIrã atinge 7 navios e ameaça EUA no Oriente; Rússia ataca refinaria da UcrâniaA TV estatal do Irã informou que sete petroleiros foram incendiados, atingidos por ataques ou danificados após baterem em minas navais no Estreito de Ormuz durante a madrugada de quintaTrump impede ataque de Israel contra Irã às vésperas das eleições nos EUA, diz jornalAs forças armadas israelenses haviam se preparado para uma campanha de bombardeios contra o Irã, que teria início em 10 de outubroTodas as autoridades entrevistadas para esta reportagem falaram sob condição de anonimato para discutir de forma franca o planejamento militar.Autoridades iranianas prometeram retaliar desta vez ampliando seus alvos para além de navios comerciais e infraestrutura energética na região, incluindo centros de dados e cabos submarinos de internet.Segundo elas, os combates não seriam rápidos nem limitados.Enquanto os Estados Unidos montam um grande arsenal que deverá estar totalmente posicionado até o início de novembro, os esforços diplomáticos continuam. Negociadores americanos vêm usando a possibilidade de uma retomada da guerra como instrumento de pressão para avançar em suas exigências relacionadas ao programa nuclear iraniano e ao controle do Estreito de Ormuz.Até agora, porém, os negociadores iranianos se mostraram pouco dispostos a fazer concessões sobre o programa nuclear, insistindo que o tema seja deixado para etapas posteriores das conversas.Alguns planejadores militares dos EUA acreditam que uma campanha intensiva de três dias poderia causar danos econômicos suficientes para mudar a posição iraniana.Mas autoridades americanas já previram repetidamente um colapso do Irã no passado, e outras autoridades ocidentais observam que o governo iraniano tem resistido até agora às pressões sobre sua economia.“Neste momento da guerra, o que está claro é que a campanha militar convencional conduzida até agora, assim como as atuais sanções econômicas severas e o bloqueio naval americano, não trouxeram o regime de volta à mesa de negociações de maneira significativa”, afirmou Dana Stroul, que foi a principal autoridade de política para o Oriente Médio no Pentágono durante o governo Biden.Nem Trump nem Netanyahu “apresentaram um argumento convincente de como mais guerra mudaria esse dilema estratégico em uma região cada vez mais instável e marcada por conflitos”, disse Stroul, atualmente no Washington Institute for Near East Policy.A eleição em Israel, marcada para terça-feira, pode complicar os planos. Se Netanyahu perder, ele passará a atuar como primeiro-ministro interino, o que dificultaria o lançamento de uma nova guerra, segundo especialistas.No entanto, alguns analistas acreditam que Netanyahu pode usar a perspectiva de um ataque conjunto iminente entre EUA e Israel para pressionar rivais a aderirem a um governo de unidade nacional encarregado de conduzir a guerra, prolongando assim sua permanência no poder.Um integrante da Casa Branca afirmou na quarta-feira que o governo não comenta planos militares “que podem ou não existir”. Trump, acrescentou a autoridade, mantém todas as opções sobre a mesa para impedir que o Irã obtenha armas nucleares.Algumas autoridades dizem que os planos de ataque devem evitar refinarias e outras estruturas petrolíferas porque Trump está interessado em impedir uma nova alta dos preços da gasolina.Tanto os militares dos EUA quanto os de Israel estão elaborando planos para operações contra o programa nuclear iraniano, segundo pessoas informadas sobre os trabalhos. Isso poderia incluir um ataque à chamada Montanha Pickaxe, uma instalação nuclear profundamente enterrada que os iranianos chamam de Kooh Kolang.Em cada fase da guerra até agora, a liderança iraniana tornou-se menos conciliadora, convencida de que o objetivo final de EUA e Israel é derrubar seu governo.O novo líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, continua sendo uma incógnita para os serviços de inteligência dos Estados Unidos e de Israel. Algumas autoridades afirmam que ele não exerce o mesmo poder que seu pai, morto no início da guerra, e que membros mais radicais da Guarda Revolucionária tomam as decisões centrais.Autoridades iranianas afirmam estar cientes dos preparativos militares americanos e dizem ter desenvolvido novos alvos e táticas.Peiman Salehi, analista político em Teerã, afirmou que, se a instalação de Pickaxe for atacada, parte da resposta iraniana incluiria ataques às principais refinarias de petróleo da Arábia Saudita, incluindo as da Aramco, o que provocaria uma disparada imediata dos preços do petróleo e da energia.“A guerra nos fez compreender que a melhor forma de pressionar Trump é elevar os preços do petróleo e da energia, porque isso afetará o povo americano”, disse Salehi.(Julian E. Barnes, Eric Schmitt, Farnaz Fassihi, Natan Odenheimer and Ronen Bergman)c.2026 The New York Times CompanyThe post EUA e Israel planejam novos ataques ao Irã após eleições de meio de mandato appeared first on InfoMoney.