Fitch: PIB brasileiro perde força em 2027 e Selic termina 2026 em 13,50% — seja qual for o resultado das urnas

Wait 5 sec.

O crescimento da economia brasileira deve perder força em 2027, independentemente de quem vencer a eleição presidencial, avalia a Fitch Ratings.Em relatório divulgado na quarta-feira (21), a agência de classificação de risco de crédito projeta crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,9% em 2026 e de 1,4% no próximo ano, diante dos juros elevados e da expectativa de aperto nas contas públicas.Na avaliação da Fitch, seja Flávio Bolsonaro (PL) ou Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o vencedor do segundo turno encontrará pouco espaço para estimular a atividade por meio da política fiscal.A agência destaca que o déficit das contas públicas supera 8% do PIB e que a relação entre a dívida e o tamanho da economia ultrapassou 80%.“Independentemente de quem vencer o segundo turno da eleição presidencial, em 25 de outubro, esperamos um aperto da política fiscal no próximo ano”, afirma o relatório. “Isso pesará sobre a atividade econômica.”O cenário prevê crescimento menor, e não retração do PIB. Segundo a Fitch, a economia já perdeu velocidade: depois de uma expansão média de 3% ao ano entre 2022 e 2025, o avanço ficou abaixo de 2% na comparação anual nos últimos trimestres.Selic deve terminar 2026 em 13,50%Mesmo com a desaceleração, a Fitch vê espaço limitado para o alívio monetário neste ano. A projeção é de que a Selic recue dos atuais 13,75% para 13,50% ao fim de 2026, baixando para 11,75% no encerramento de 2027.Um ajuste fiscal significativo poderia permitir cortes maiores e favorecer uma queda antecipada dos juros de longo prazo. Ainda assim, a expectativa da agência é de que o Banco Central mantenha a política monetária em patamar restritivo, ou seja, com juros que contenham o consumo e os investimentos.“As autoridades continuam preocupadas com as expectativas de inflação, que permanecem acima da meta de 3%”, diz a Fitch. A inflação de serviços, que a agência aponta estar estacionada em 6% há um ano, também dificulta uma flexibilização mais intensa.Crédito caro e emprego com menos fôlegoO relatório identifica nos juros elevados um dos principais freios à economia. Segundo a Fitch, as taxas reais – descontada a inflação – estão muito acima dos padrões históricos há vários anos, encarecendo o financiamento para empresas e famílias.A combinação de crédito caro e aumento do endividamento levou o comprometimento da renda do setor privado com o pagamento de dívidas ao maior nível em mais de duas décadas.Ao mesmo tempo, a inadimplência avançou e o crescimento do crédito perdeu força, sobretudo entre as empresas. “A proporção de empréstimos inadimplentes aumentou acentuadamente no último ano”, afirma a agência.Embora parte do movimento reflita mudanças contábeis, a Fitch também identifica uma deterioração efetiva da capacidade de pagamento dos tomadores.Outro fator é a perda de velocidade na geração de empregos. Apesar de os salários continuarem aumentando, a expansão mais lenta da ocupação pesa sobre a renda disponível e o consumo das famílias.Segundo a Fitch, o desemprego próximo da mínima histórica também reduz o espaço para novos ganhos de ocupação. Nesse ambiente, o consumo privado e os investimentos lideram a desaceleração, enquanto as exportações e o consumo do governo mostram maior resistência.