A busca por novos parceiros comerciais consolida-se como rotina para o agronegócio brasileiro e não apenas pontual, acionada em momentos de crise. A avaliação é de Gabriel Chelis, analista de agronegócio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).A diversificação ganhou espaço diante de um cenário internacional marcado por tarifas, restrições sanitárias e maior concorrência entre os países exportadores. O movimento, no entanto, não significa abandonar destinos tradicionais na pauta exportadora brasileira, como China, Estados Unidos e União Europeia, mas observar nações que estavam em segundo plano.“O entendimento atual da ApexBrasil e do governo federal é de que a diversificação de mercados tem que entrar como um prato do dia a dia, e não como uma medida extraordinária”, afirmou Chelis em entrevista à CNN Agro, durante evento realizado pela Agência de Notícias EFE, em São Paulo. Leia Mais China, UE e EUA concentram comércio do Brasil em meio a barreiras ao agro Tarifaço dos EUA cria rotas indiretas para produtos brasileiros, diz Furlan "Liberdade para comprar cerejas": a nova fase de importação da China A estratégia inclui ações nos continentes americano, africano e asiático, com atenção especial aos países da Ásia. O objetivo é ampliar o número de compradores dos produtos agropecuários brasileiros e reduzir a dependência de poucos destinos.Com isso, mercados que antes recebiam menor atenção, entram nas ações de diplomacia agrícola. “Isso não quer dizer abandonar parceiros tradicionais, como China e Estados Unidos, mas observar novos parceiros ou aqueles que antes enquadrávamos como de menor importância. Hoje, não encaramos mais os parceiros dessa forma”, explicou o especialista da entidade.A ApexBrasil também prepara materiais de inteligência de mercado para orientar produtores e empresas sobre oportunidades em diferentes países. O objetivo da iniciativa é apoiar a tomada de decisões e adaptar a oferta brasileira às características de cada mercado.Acordo e restrições na EuropaEm relação à União Europeia, Chelis descreveu o sentimento do cenário atual como “agridoce”. De um lado, o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia representa uma possibilidade de ampliação das exportações. De outro, restrições impostas à carne bovina brasileira evidenciam a permanência de obstáculos sanitários e comerciais.Além das negociações com os europeus, que envolvem temas como cotas agrícolas, o Brasil também tenta discutir as tarifas aplicadas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros.Na percepção do analista, o desafio central para o agro agora é demonstrar a sustentabilidade da produção nacional. Rastreabilidade, tecnologia e aperfeiçoamento das cadeias produtivas devem ter papel cada vez mais relevante nas negociações.“O Brasil está fazendo a lição de casa, com resultados em rastreabilidade, esforço tecnológico e refinamento das cadeias produtivas. Às vezes, encontramos barreiras lá fora porque o agro brasileiro incomoda concorrentes estrangeiros”, disse.Chelis defende que o país mantenha uma postura de estabilidade e credibilidade no cenário internacional, mesmo diante do aumento das barreiras. “A estratégia é manter tranquilidade e vigor para negociar com diversos parceiros”.