A tragédia que se abateu sobre uma família do Distrito Federal revela a dimensão do desespero vivida por um comerciante, de 68 anos, da Feira dos Goianos, em Taguatinga. Semianalfabeto e com a saúde mental devastada pelo pavor diário, o homem perdeu a vida após ser completamente sufocado financeiramente por agiotas movidos por uma verdadeira sanha sangrenta em arrancar até o último centavo de sua vítima.Aflito ao ver a dívida crescer de forma incontrolável sob juros estratosféricos de 20% ao mês, o feirante usava o celular e a conta bancária de familiares para tentar negociar parcelas diárias e conter o cerco. Sem ter como pagar e vivendo sob a constante pressão dos achacadores, a vítima não suportou o massacre psicológico e acabou morrendo em março de 2025, vítima do terror implacável cobrado a juro e sangue. Leia também Na MiraHomem ameaçado por agiotas desaparece no DF e é procurado pela polícia Na MiraGuerra entre agiotas colombianos deixa três mortos no Entorno do DF Na MiraDono de hamburgueria no DF é preso por agiotagem e extorsão de R$ 750 A crueldade dos criminosos, no entanto, não parou com a morte do idoso. Assim que o feirante faleceu, a sangria foi imediatamente transferida para seus familiares.A filha do comerciante tornou-se o novo alvo dos agiotas e passou a receber áudios e mensagens com ameaças diretas à sua integridade física e à sua vida, sendo brutalmente coagida a assumir os débitos ilegais e a manter os pagamentos diários. A dor do luto deu lugar a um pânico diário dentro do lar da família.Desespero de vítimasO desespero acumulado nos celulares das vítimas e o rastro de chantagens serviram de ponto de partida para a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), por meio da Coordenação de Repressão aos Crimes Patrimoniais, desmantelar uma das redes de extorsão mais violentas do Centro-Oeste, nesta quinta-feira (10/9).Na manhã desta quinta-feira, uma megaoperação mobilizou agentes para sufocar a organização criminosa armada especializada em agiotagem, extorsão e lavagem de dinheiro, que estendeu suas garras pelo Distrito Federal, Goiás e Tocantins.A investigação apontou que a vítima principal estava presa às garras de dois grupos independentes: um de origem colombiana, desarticulado em ação prévia, e outro composto por brasileiros estruturados empresarialmente, que contava inclusive com o apoio de um sargento reformado da Polícia Militar de Goiás no braço armado de coerção e intimidação.Bloqueio milionárioA ofensiva policial resultou no cumprimento de 12 mandados de prisão preventiva e diversas ordens de busca e apreensão nas cidades de Palmas, Araguaína, Formoso, Goiânia e Senador Canedo. A Justiça determinou ainda o bloqueio de R$ 10 milhões nas contas dos investigados, além do sequestro de bens adquiridos com o lucro da agiotagem.Os envolvidos responderão por usura, extorsão, organização criminosa armada, lavagem de dinheiro e coação no curso do processo, enquanto as autoridades continuam a análise dos materiais apreendidos para identificar outras vítimas submetidas ao mesmo terror.