Os portugueses estão a utilizar cada vez mais as redes sociais e a inteligência artificial, mas não atribuem necessariamente maior relevância aos meios que consomem com mais frequência. Segundo o estudo Meaningful Media 2026, da Havas Media Network, 68% dos portugueses entre os 15 e os 64 anos já recorrem semanalmente a aplicações de IA.A percentagem coloca estas ferramentas ao mesmo nível da televisão por subscrição e confirma a rápida integração da tecnologia no quotidiano. Ainda assim, os meios tradicionais preservam uma vantagem decisiva: continuam a ser considerados as fontes mais credíveis.Fonte: Havas Media Network.Redes sociais dominam o consumo, mas não a confiançaOs motores de busca são utilizados semanalmente por 96% dos portugueses, seguidos das redes sociais, com 94%. A rádio chega a 85%, os canais de televisão abertos a 83% e os conteúdos de imprensa a 79%.Os resultados mostram, porém, que frequência de utilização e relevância não são sinónimos. Apesar da presença quase universal das redes sociais, os portugueses continuam a considerar os canais de televisão abertos mais indispensáveis e credíveis.A televisão aberta lidera a confiança, com 71%, seguindo-se os jornais, com 58%, e a rádio, com 57%. Numa atualidade marcada pela sobrecarga de conteúdos, pela incerteza e pela desinformação, a curadoria editorial e a autoridade construída pelos meios tradicionais continuam a fazer a diferença.Esta aparente contradição já era visível na edição anterior do estudo, que revelou uma divisão geracional nos hábitos de consumo de notícias. A nova edição mostra que o afastamento entre utilização e relevância se tornou ainda mais evidente.Fonte: Havas Media Network.Portugueses procuram rapidez nas redes sociais e validação nos jornaisAs redes sociais consolidaram-se como o principal ponto de entrada para entretenimento, descoberta e atualização diária. São utilizadas para encontrar novos conteúdos, acompanhar tendências e conhecer marcas, produtos ou temas.Contudo, essa relevância funcional não é acompanhada por níveis equivalentes de confiança. Segundo a Havas Media Network, os portugueses procuram conteúdos rápidos, leves e facilmente consumíveis nas plataformas sociais, mas continuam a recorrer à televisão, à rádio e à imprensa quando pretendem informação considerada mais importante ou credível.O resultado é um ecossistema mediático cada vez mais fragmentado, no qual a mesma pessoa utiliza diferentes canais para responder a necessidades distintas. As redes sociais entretêm, os motores de busca ajudam a encontrar informação, a rádio acompanha e os meios jornalísticos funcionam como espaços de validação.A manutenção desta confiança acompanha uma tendência já identificada noutros estudos sobre a relação dos portugueses com o jornalismo: mesmo perante a transformação digital dos hábitos de consumo, as marcas noticiosas tradicionais continuam a beneficiar de um capital reputacional relevante.Fonte: Havas Media Network.Inteligência artificial entra no quotidiano dos mais jovensA inteligência artificial surge como uma das grandes transformações identificadas pelo Meaningful Media 2026. Além de ser utilizada semanalmente por 68% dos portugueses, já integra os cinco meios mais consumidos entre os jovens dos 15 aos 24 anos.A utilização é ainda sobretudo funcional. Os portugueses recorrem às aplicações de IA para procurar informação, esclarecer dúvidas, comparar alternativas e apoiar decisões. A tendência acompanha a crescente adoção da IA no contexto profissional, embora os dois estudos analisem universos e contextos diferentes.A Havas Media Network antecipa que esta relação poderá tornar-se mais complexa. Além de responderem a necessidades práticas, as plataformas de IA podem começar a assumir uma dimensão emocional, à semelhança do que já acontece noutros mercados, como os Estados Unidos. O comunicado, contudo, não apresenta dados que permitam concluir que essa ligação emocional já esteja generalizada em Portugal.Leia também: 88% dos jovens já compraram por influência das redes sociais. Especialistas alertam para os riscos da publicidade escondida O que muda para as marcas?Para as marcas, os resultados mostram que estar presente nos canais mais utilizados já não é suficiente. É necessário compreender a função que cada meio desempenha na vida das pessoas e adaptar formatos, mensagens e objetivos a cada contexto.«A mesma pessoa pode recorrer às redes sociais para entretenimento, à Inteligência Artificial para resolver problemas, à televisão para obter informação credível, à rádio para companhia e à imprensa para validação», explica Sofia Vieira, Insights e Strategy Director da Havas Media Network.Num panorama mediático em que as redes sociais conquistam atenção, a IA ganha utilidade e os meios tradicionais preservam credibilidade, o desafio deixa de ser escolher entre digital e tradicional. Para as marcas, passa por saber combinar alcance, rapidez, contexto e confiança sem tratar todos os pontos de contacto da mesma forma.O conteúdo Portugueses usam mais redes sociais e IA, mas confiam na televisão e nos jornais aparece primeiro em Revista Líder.