O que os dados do PISA dizem sobre o futuro da força de trabalho no Brasil

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StartupiO que os dados do PISA dizem sobre o futuro da força de trabalho no BrasilPense no comitê de uma grande corporação analisando um investimento que, há dez anos, oferece os mesmos resultados. Nenhum acionista aceitaria isso, mas assim é a radiografia que o PISA 2025 acaba de revelar sobre a educação no Brasil: os resultados, divulgados esta semana, confirmam uma década de estagnação, com a maioria dos estudantes de 15 anos abaixo do nível básico de proficiência, uma informação que qualquer líder que se preocupe com a produtividade, a inovação e o capital humano do país não pode ignorar.Dados que mostram um ciclo de paralisiaNo que diz respeito à edição de 2025, os estudantes do Brasil alcançaram 377 pontos em matemática, 408 em leitura e 409 em ciências, o que os coloca em 71º, 52º e 67º lugares, respectivamente, entre as economias que participaram. A única diferença favorável foi em ciências, que avançou de 403 para 409 pontos em comparação a 2022, enquanto matemática e leitura caíram dois pontos cada.Em comparação com a média da OCDE, a diferença é evidente: 469 pontos a menos em matemática, 466 em leitura e 486 em ciências. Em outras palavras, enquanto as nações ricas experimentam os piores resultados já registrados na avaliação, o Brasil não consegue nem mesmo tirar proveito da queda dos outros e continua estagnado, com uma diferença que se aproxima dos 90 pontos em algumas áreas.A estagnação é de natureza estrutural. Em matemática, a média de 377 pontos em 2025 é só um ponto a mais que os 376 de 2015, o que mostra que os avanços obtidos no começo dos anos 2000 não se mantiveram na última década.50% dos jovens sem competências elementaresO dado que mais toca as empresas é a distribuição por níveis de proficiência. Apenas 28% dos alunos do Brasil conseguiram atingir o nível 2 ou mais em matemática, que é o mínimo necessário para resolver problemas do dia a dia que envolvem números. Em leitura e ciências, os índices foram de 49% e 48%, o que indica que mais da metade dos jovens de 15 anos não possui habilidades consideradas essenciais.Em síntese, a disparidade socioeconômica continua a ser um grande obstáculo: a diferença média nas notas em ciências entre alunos de escolas de nível socioeconômico elevado e baixo é de 96 pontos no Brasil, um dos maiores gaps entre os países avaliados. Para as empresas, isso significa um possível funil de talentos que se estreita cada vez mais homogêneo em suas camadas sociais em um país que já lida com uma falta crônica de mão de obra qualificada em tecnologia, engenharia e disciplinas analíticas.A notificação digital e a diminuição de influência na regiãoO PISA, pela primeira vez, incorporou o domínio “Aprendizagem no Mundo Digital”, que mede a capacidade de resolver problemas com ferramentas computacionais. Com 406 pontos, o Brasil ocupou a 69ª posição, um indicativo de que o déficit de aprendizagem também se reflete nas competências digitais, que são as mais requisitadas pela transformação tecnológica que as empresas brasileiras estão vivendo.No que diz respeito à América Latina, a situação é ainda mais inquietante. No que diz respeito à matemática, o Brasil (71º) está posicionado abaixo do Uruguai (59º), Chile (60º), México (63º), Costa Rica (65º), Peru (66º) e Colômbia (68º). Em termos científicos (67º), também fica atrás do Uruguai (42º), Chile (43º), Costa Rica (57º), Colômbia (63º) e México (64º). Para um país que compete por investimentos e cadeias produtivas com esses vizinhos, a posição relativa é um fator importante para a atratividade a longo prazo.Um legado de progresso que precisa se transformar em resultados atuaisNo entanto, existe a possibilidade de um ponto de virada. Em duas décadas, o Brasil se destaca como um dos dez países que mais progrediram em proficiência no PISA, ocupando a 7ª posição em leitura e matemática e a 8ª em ciências nessa análise acumulada. Há um capital de melhoria disponível, mas o desafio é transformá-lo em resultados recentes e duradouros.A mensagem do PISA 2025 é clara para os líderes empresariais e os formuladores de políticas: a educação básica não é mais apenas uma questão social, mas sim um fator estratégico para a competitividade. E sem um aumento no piso de aprendizagem e uma diminuição da disparidade educacional, o país continuará a formar uma força de trabalho que não atende às necessidades de uma economia que se torna cada vez mais digital e baseada no conhecimento. Por tudo isso, o resumo desta matéria bem que poderia ser: o Brasil precisa fazer seu dever de casa. Urgentemente!O post O que os dados do PISA dizem sobre o futuro da força de trabalho no Brasil aparece primeiro em Startupi e foi escrito por Ricardo AzevedoO post O que os dados do PISA dizem sobre o futuro da força de trabalho no Brasil apareceu primeiro em Startupi.