A 7ª Vara do Trabalho de Brasília determinou a suspensão, por 90 dias, de novos registros e novas autorizações de agrotóxicos à base de glifosato e seus derivados.A decisão atende a um pedido apresentado pelo Ministério Público do Trabalho no Distrito Federal (MPT-DF).A suspensão não atinge, neste momento, os produtos que já possuem registro e autorização. Mas o pedido do MPT, que pede o cancelamento dos registros e a proibição da substância, continuará sendo analisado no curso da ação.A Justiça também determinou que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) analise, em caráter de urgência, uma possível desconformidade nas bulas de produtos à base de glifosato. E avalie a necessidade de regularização das informações prestadas aos consumidores. A agência tem prazo de 20 dias para comunicar as providências adotadas.Já o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) deverá apresentar avaliações ambientais, e eventuais mapas de risco relacionados ao glifosato, além de informações sobre a reavaliação ambiental prevista em lei. O órgão também terá de elaborar um relatório sobre os impactos de uma eventual retirada da substância do mercado.União e diferentes ministérios também deverão fornecer informações sobre os impactos sanitários, trabalhistas, ambientais, sociais e econômicos relacionados ao uso do glifosato. Leia Mais Governo prepara classificação de defensivos agrícolas de alto perigo Syngenta processa BASF por infração de patente nos EUA Defensivos ilegais apreendidos somam 230 toneladas destruídas em 2025 O glifosato no mercado agrícolaO glifosato é um herbicida usado para eliminar plantas invasoras, chamadas de ervas daninhas, nas áreas agrícolas. Desenvolvido na década de 1970 e comercializado inicialmente pela empresa Monsanto, o produto tornou-se um dos defensivos mais utilizados no mundo, especialmente em culturas como soja, milho, algodão e cana-de-açúcar.É o agrotóxico mais usado no Brasil. De acordo com dados anexados na decisão, o glifosato e seus derivados representam 32% do mercado brasileiro de agrotóxicos, que movimentou R$ 98,7 bilhões na safra 2024/2025.O produto é alvo de controvérsias há anos. Em 2015, a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer, ligada à OMS, classificou o glifosato como “provavelmente cancerígeno para humanos”. È nessa linha que segue o pedido do MPT-DF: os riscos que a exposição à substância pode representar para o meio ambiente do trabalho, com possíveis agravos à vida e à saúde de trabalhadores rurais, comunidades indígenas e da população em geral, além do risco de contaminação da água e dos lençóis freáticos.A discussão também chegou aos tribunais. Nos Estados Unidos, a Bayer, que comprou a Monsanto, enfrenta milhares de ações judiciais de agricultores que alegam relação entre o herbicida e casos de linfoma. A empresa nega o nexo causal e diz que o produto é seguro quando usado conforme as orientações regulatórias.Porém agências reguladoras dos Estados Unidos e da Europa, além da Anvisa, no Brasil, concluíram não haver evidências suficientes para classificar o produto como cancerígeno nas condições indicadas de uso. No Brasil, o uso do glifosato é regulamentado por Anvisa, Ministério da Agricultura e Ibama, com exigências de equipamentos de proteção, treinamento de aplicadores e distância mínima de moradias e fontes de água.