A inteligência artificial generativa começa a assumir um papel mais ativo nos sistemas integrados de gestão empresarial, os chamados ERPs. Além de consultar dados e recomendar ações, a tecnologia já pode executar tarefas, como iniciar o faturamento de pedidos ou realizar uma conciliação bancária.Segundo Graciele Lima, head-executiva de ERP da Senior Sistemas, essa evolução promete ampliar o acesso às informações e tornar a gestão mais ágil, mas também exige maior controle sobre dados, permissões e processos.“Ele tem o mesmo entregável e a mesma tomada de decisão, porém de uma forma muito mais interativa e produtiva. Isso dá tempo para que entenda quais são, de fato, os outros desafios estratégicos que pode trazer para sua tomada de decisão”, pontua Graciele em entrevista ao Conexão InfoMoney, espaço que coloca a expertise e a credibilidade do jornalismo do InfoMoney a serviço das marcas parceiras, em episódio produzido em parceria com a Senior Sistemas.A executiva explica que a principal mudança está na forma como gestores e funcionários interagem com o ERP. Em vez de navegar por menus, telas e filtros, o usuário pode apresentar uma dúvida ou uma demanda em linguagem natural por meio de ferramentas como ChatGPT ou Claude.Do comando à execuçãoUm gestor comercial, por exemplo, pode perguntar quais pedidos estão prontos para ser faturados naquele dia. A IA pode apresentar um ranking, verificar a disponibilidade de estoque e sugerir quais vendas devem ser priorizadas para que a empresa se aproxime mais rapidamente de sua meta. Em seguida, o sistema pode perguntar se o usuário deseja iniciar o faturamento dos pedidos selecionados.Na prática, a proposta é reduzir o tempo dedicado à busca e à organização de informações para que o profissional se concentre nas decisões do negócio.Essa interação é viabilizada pelo Model Context Protocol (MCP), um protocolo que conecta modelos de inteligência artificial aos sistemas e dados corporativos. A arquitetura permite que o usuário utilize a ferramenta de sua preferência para acessar as informações disponíveis no ERP, respeitando as regras de negócio e os limites de acesso estabelecidos pela empresa.Mais autonomia exige governançaA possibilidade de executar tarefas, no entanto, eleva a preocupação com erros e acessos indevidos. Segundo Graciele, a IA não deve ter autonomia para ultrapassar as permissões já definidas no ERP. Um funcionário autorizado a consultar apenas determinada filial, por exemplo, não poderá acessar dados de outras unidades por meio da ferramenta. O mesmo vale para limites de aprovação de pagamentos ou operações.“Quanto mais temos uma expansão da autonomia da inteligência artificial, maior é a governança de que precisamos dentro do ERP”, diz. Para a executiva, as regras de abrangência, os perfis de acesso e as alçadas de aprovação devem permanecer centralizados no sistema de gestão, que funciona como uma barreira de proteção entre a IA e os dados da companhia.Onde estão os ganhosOs ganhos podem aparecer em produtividade, velocidade, redução de erros e custos, mas dependem do processo escolhido. Na conciliação bancária, por exemplo, a tecnologia pode comparar automaticamente os registros internos com as movimentações da conta, identificar cobranças fora do padrão e mostrar como despesas não previstas afetam o fluxo de caixa e a demonstração de resultados.Apesar das possibilidades, Graciele ressalta que não existe retorno automático apenas pela adoção da tecnologia. “A inteligência artificial não é uma bala de prata”, comenta, acrescentando que o “retorno depende do contexto e do processo” em que a ferramenta é aplicada.O primeiro passo, segundo ela, é identificar gargalos, tarefas repetitivas e operações com grande volume de dados; depois, a empresa deve avaliar quais recursos podem efetivamente resolver esses problemas.A Senior concentrou a primeira etapa da integração principalmente nas áreas de vendas e finanças, nas quais os resultados tendem a ser mais facilmente mensuráveis. Entre as aplicações estão:contas a pagar e a receber,análise de fluxo de caixa,custos,suprimentos,giro de estoques.Em setores como o agronegócio, a IA também pode ajudar a identificar anomalias durante a safra, quando algumas operações recebem milhares de caminhões em um único dia e exigem decisões rápidas.Outro efeito esperado é ampliar o uso do ERP pelos níveis mais altos da organização. Executivos que normalmente recebem dados por relatórios, painéis ou apresentações podem fazer perguntas diretamente ao sistema, sem dominar sua operação técnica. De acordo com Graciele, isso faz com que o ERP deixe de funcionar apenas como um repositório de registros e passe a participar de maneira mais direta das decisões da empresa.Na avaliação da executiva, portanto, o avanço dos agentes de IA não elimina a importância dos softwares tradicionais. A tecnologia depende justamente da estrutura do ERP para encontrar dados confiáveis, compreender o contexto da empresa e respeitar suas regras. “É muito mais um enriquecimento do papel do ERP na estratégia das companhias do que um risco de substituição”, conclui.The post ERP conversacional avança nas IAs e transforma linguagem natural em ações de negócio appeared first on InfoMoney.