Não faz muito tempo que muita gente deu o mercado de patinetes como morto no Brasil, com o fim de marcas como Yellow e Grin. Entretanto, a JET não leu o obituário e trouxe seus patinetes azuis para cá. No Brasil desde 2024, a empresa fundada no Cazaquistão não apenas apostou no país, mas afirma que a aposta já rende dividendos — e está disposta a colocar mais fichas na sua operação tupiniquim.“O interesse [do consumidor] ainda existe, e as pessoas precisam ainda mais de transporte de micromobilidade, porque os congestionamentos aumentaram e o número de carros também”, afirma Ilia Timakhovskii, CEO da companhia na América Latina, em conversa com o Startups. “Nossos números crescem por causa disso.”Leia mais: São Paulo adia fiscalização de novas regras para bikes e patinetes elétricosE são eles que sustentam o ânimo da companhia. Hoje a JET opera 40 mil veículos em 53 cidades brasileiras e roda entre 1,5 milhão e 1,8 milhão de viagens por mês. Em menos de dois anos de operação no país, já são mais de 25 milhões de viagens e 7 milhões de usuários cadastrados, em 15 estados.Segundo dados da própria empresa, ela já concentra cerca de 85% do mercado nacional de micromobilidade compartilhada. A maior concorrente é a Whoosh, de origem russa, que atua no Brasil como operação separada, com presença em São Paulo e um parque de aproximadamente 10 mil patinetes.Mesmo já liderando o share, Ilia quer acelerar. “Queremos abrir novas operações em 10 a 15 cidades e acrescentar cerca de 10 mil a 15 mil patinetes à base, além de bicicletas, até o fim deste ano ou começo do ano que vem”, diz o executivo, revelando que o pedido já foi feito na China e deve chegar ao país nos próximos meses.A ampliação não é só de frota, é de modalidade. As bicicletas elétricas ainda representam uma fração pequena do total de veículos (1,5 mil unidades em todo o país), mas a empresa vê espaço para crescer, entrando na concorrência com nomes como a Tembici. “Testamos as bicicletas elétricas e vemos um grande potencial nelas”, afirma. “A viagem é um pouco mais longa que a de patinete, então vamos investir também nesse segmento.”A outra frente é a recorrência, e ela já aparece nos números. A fatia do JET Plus, plano de assinatura que custa R$ 9,90 por mês e isenta a taxa de desbloqueio dos veículos, saiu de cerca de 41% do total de viagens no primeiro semestre de 2025 para 47% no mesmo período deste ano.Como deu certoMas, se o mercado está funcionando para a JET, qual é a diferença em relação ao boom do início dos anos 2020, quando as startups cresceram, sofreram com a pandemia e não conseguiram se reerguer depois? Para Ilia, houve duas fases — e a distância entre elas está no equipamento.“Elas não sobreviveram porque o modelo de patinete não servia naquele momento nem para o cliente, nem para a operação”, explica. “A bateria não era removível e durava pouco. Agora usamos patinetes de nova geração, com bateria trocável, e por isso o negócio se paga e o veículo roda mais.” O restante, na leitura dele, foi timing. “As estrelas se alinharam, a gente simplesmente chegou num mercado já aquecido”, completa.A JET começou pelas cidades pequenas (Itajaí, Balneário Camboriú, Torres, Sorocaba) para testar se havia demanda fora dos grandes centros, e depois concluiu que as capitais funcionavam melhor. Hoje, quase todos os municípios brasileiros com mais de um milhão de habitantes já contam com os patinetes azuis da marca.O próximo movimento é descer a escada. “Vamos entrar em cidades de 500, 600, 800 mil habitantes, do maior para o menor”, diz. Mas o tamanho não é o único critério. “Um fator-chave é como a cidade é construída: a ocupação, a infraestrutura, as travessias de pedestre, as calçadas. Uma cidade pequena com boa infraestrutura pode funcionar muito melhor que uma grande sem infraestrutura. Por isso dedicamos muito tempo à análise das cidades antes de entrar nelas.”Atualmente a JET está em oito países: além do Brasil, tem operação no Chile, no México, na Geórgia, na Armênia, no Azerbaijão, no Uzbequistão e na Mongólia. Conforme pontua Ilia, o Brasil lidera em receita, frota e volume de viagens. “Este é atualmente o nosso maior mercado, e representa provavelmente mais da metade da nossa empresa”, afirma o CEO, lembrando que a companhia nasceu no Cazaquistão há cinco anos e só chegou à América Latina depois de rodar a Ásia Central.E ainda há espaço, na conta dele. “Hoje o mercado tem talvez 50 a 60 mil unidades entre patinetes e bicicletas elétricas, mas parece um mercado de 200 a 300 mil unidades. Ainda dá para crescer bastante.”Conteúdo produzido por Startups.com.brThe post Startups: Os patinetes estão vivos no Brasil, e a JET pode provar appeared first on InfoMoney.