PF suspeita que Dias Toffoli tenha dinheiro de Vorcaro em paraíso fiscal, diz revista

Wait 5 sec.

Um relatório da Polícia Federal (PF) indica a suspeita de que o ministro Dias Toffoli seja o “beneficiário final” ou “proprietário de fato” do fundo de investimento Arleen, que recebeu repasse de R$ 35 milhões de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O documento da PF foi mantido em sigilo há sete meses sob a relatoria do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça e revelado pela revista piauí nesta sexta-feira (11).Segundo o relatório, o repasse de R$ 35 milhões, revelado ainda em fevereiro pelo Estadão, teria ido parar nas Ilhas Virgens Britânicas, paraíso fiscal do Caribe, por meio de uma transação com a holding Egide I. O ministro já negou ter amizade com o banqueiro ou ter recebido valores dele. Procurado na manhã desta sexta-feira, ainda não se manifestou sobre a posse de recursos no exterior.Segundo o relatório, o fundo Arleen era sócio do resort Tayayá, no interior do Paraná, ligado à família de Toffoli e pertencia a Vorcaro, mas mudou de proprietário, sendo assumido por um empresário amigo do ministro do STF. Meses depois, transferiu seus ativos para o paraíse fiscal no Caribe.“Foram identificados diversos elementos de informação que, analisados de forma conjunta, apontam no sentido de que o ministro José Antonio Dias Toffoli possa ter figurado como beneficiário final ou proprietário de fato do FIP Arleen, bem como de seus ativos”, afirma o relatório revelado pela revista. O ministro é sócio da empresa Maridt, que tinha participação societária em dois resorts da rede Tayayá. A empresa vendeu parte de sua participação a fundos de investimento que tinham Fabiano Zettel, o cunhado de Vorcaro, como acionista.Em maio de 2024, Vorcaro perguntou por mensagem de WhatsApp a Zettel sobre a situação dos repasses ao resort do ministro. “Você não resolveu o aporte do fundo Tayayá? Estou em situação ruim”, escreveu o banqueiro. O cunhado respondeu: “Te perguntei se poderia ser semana que vem e você disse que sim”.Meses depois, em agosto de 2024, Vorcaro novamente relatou ao cunhado as cobranças de pagamentos. “Aquele negócio do Tayayá não foi feito?”, perguntou o banqueiro. Zettel respondeu que já tinha transferido para o intermediário responsável por efetivar o pagamento, mas que o aporte final dependeria dessa pessoa.Por causa disso, Vorcaro se irritou. “Cara, me deu um p*** problema. Onde tá a grana?”, afirmou ao cunhado. Zettel respondeu: “No fundo dono do Tayayá. Transfiro as cotas dele”. Para prestar contas diante das cobranças, Vorcaro pediu a Zettel que levantasse todos os aportes realizados no Tayayá. “Me fala tudo que já foi feito até hoje”. Zettel, então, respondeu: “Pagamos 20 milhões lá atrás. Agora mais 15 milhões”.