Empresários deve se reunir com juristas visando reforma no Judiciário em meio a crise no STF

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Um grupo de empresários deve se reunir com juristas para discutir uma reforma do Judiciário brasileiro, em meio à escalada da crise no Supremo Tribunal Federal (STF) nas últimas semanas. O convite tem circulado em grupos de WhatsApp. O encontro será online e está previsto para quarta-feira (9). A informação foi publicada pelo jornal Valor Econômico e confirmada pelo Estadão.Nomes como Miguel Reale Júnior, José Eduardo Cardozo, Maria Tereza Sadek, Patrícia Vanzolini e Oscar Vilhena Vieira foram convidados para discutir a crise do Judiciário e apresentar propostas para uma reforma.Segundo apurou o Estadão, entre os empresários são esperadas as participações de Pedro Passos, fundador da Natura, Josué Gomes da Silva, dono da Coteminas e ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), e Jackson Schneider, que atua no conselho de grandes empresas.“Nosso propósito é reunir, em uma conversa reservada e construtiva, importantes lideranças da sociedade civil para conhecer e debater as propostas apresentadas por esse grupo, contribuindo para uma reflexão séria sobre o fortalecimento das instituições brasileiras”, diz o convite para o evento.“Por sua posição de liderança na sociedade civil, consideramos sua participação especialmente importante e teremos grande satisfação em contar com sua presença”, acrescenta o convite.A reunião de quarta-feira é mais um movimento empresarial que surge na esteira da crise no STF. Como mostrou o Estadão na semana passada, empresários e economistas têm se articulado para criar um manifesto, que pede a apuração dos fatos recentes envolvendo ministros do Supremo. O movimento também tem sido articulado em grupos de WhatsApp que reúnem líderes de empresas, bancos e economistas.Retomada da mobilizaçãoNão é a primeira vez que esse tipo de movimento é realizado. Em dezembro, foi lançado o manifesto “Ninguém acima da Lei”, articulado pela sociedade civil e que, hoje, conta com mais de 78 mil assinaturas.O documento cobrava diretamente de Fachin a adoção de um código de conduta rigoroso e maior transparência nos limites institucionais e éticos da Corte. Ele aconteceu após as primeiras revelações sobre a proximidade entre vários ministros do Supremo com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.Com as revelações da semana passada, que incluem dezenas de conversas entre o ministro Alexandre de Moraes e Vorcaro, bem como a revisão do contrato que previa pagamento de R$ 130 milhões à advogada e mulher do ministro, Viviane Barci de Moraes, ter sido revisado pelo ele, o movimento voltou a ganhar força.OAB pede transparência e cobra respostas O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Beto Simonetti, também cobrou nesta segunda-feira respostas “rápidas e claras” do STF. “Precisamos de respostas rápidas e claras do Supremo Tribunal Federal, não para enfraquecê-lo, mas justamente para preservá-lo, porque a confiança nas instituições é indispensável à estabilidade social e democrática do país”, afirmou Simonetti em vídeo publicado neste 7 de Setembro.Na manifestação, o presidente da OAB defendeu que instituições fortes dependem da confiança da sociedade e afirmou que, quando ela é abalada, deve ser restabelecida. “Nenhuma instituição pode abrir mão da admiração e da confiança da sociedade. E quando essa confiança é abalada, é dever de todos trabalhar para restabelecê-la”, disse.Simonetti também afirmou que a confiança nas instituições deve ser conquistada por meio de “verdade, transparência, coragem e, sobretudo, isenção”. “A democracia brasileira precisa de instituições que inspirem respeito, não apenas pela autoridade que possuem, mas pela confiança que conquistam”, declarou.