Cúpula dos Brics pode terminar sem declaração final devido à guerra no Irã

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A cúpula anual de lideranças dos Brics, realizada na Índia, começou neste sábado (12/9) com um teste de unidade causado pela tensão no Oriente Médio, cujos reflexos atingem diretamente o grupo. Por isso, existem dúvidas se o fórum chegará a uma declaração conjunta entre os países-membros, que simboliza a união e consenso dentro da organização.Neste ano, a reunião de líderes é cercada pela tensão direta entre dois membros plenos do bloco: Irã e Emirados Árabes Unidos.O atual cenário foi desenhado após o início da guerra entre Estados Unidos e Irã, em fevereiro deste ano. Com os ataques no território iraniano, Teerã decidiu retaliar as ações com bombardeios em instalações norte-americanas localizadas em países do Golfo Pérsico, incluindo os Emirados Árabes Unidos.A escalada militar na região fez com que o governo emiradense suspendesse o comércio com Teerã por tempo indeterminado. Leia também MundoPutin se reúne com Dilma Rousseff durante cúpula dos Brics na Índia BrasilBrics: Brasil chega à cúpula entre cautela e baixa expectativa MundoBrics discute integrar pagamentos e moedas digitais, diz BC da Índia Igor GadelhaLula planeja ir à ONU durante a campanha, mas deve faltar ao Brics 4 imagensFechar modal.1 de 4Foto oficial das autoridades na reunião dos Brics de 2025, no Rio de JaneiroRicardo Stuckert / PR2 de 4Putin marca presença na cúpula deste anoReprodução/Xinhua3 de 4Presidente da China, Xi Jinping, também viaja para a Cúpula dos Brics na ÍndiaVINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto4 de 4Guerra no Oriente Médio e relação da Índia com Israel, China e Estados Unidos tensiona encontro do grupoReprodução/Narendra ModiQuem são os Brics?Composto por países emergentes, a aliança política e de cooperação foi formada em 2006 por Brasil, Rússia, Índia e China. Em 2010, a África do Sul foi convidada para integrar o bloco, dando origem ao Brics.O Brics se expandiu em 2023 durante a cúpula de líderes realizada na África do Sul. Depois da reunião, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia e Irã formalizaram a entrada no bloco como membros plenos. A Arábia Saudita também foi convidada para o grupo, mas nunca finalizou os procedimentos para o ingresso.Em 2025, a Indonésia também ingressou no grupo ao lado dos países fundadores da aliança.No último ano, o Brics anunciou a entrada da Nigéria, Belarus, Bolívia, Cazaquistão, Cuba, Malásia, Tailândia, Uganda, Vietnã e Uzbequistão como países parceiros. Na prática, tais nações possuem poder de decisão menor do que os membros plenos.Atualmente, o Brics é composto por 10 países membros, e 10 nações parceiras.Inicialmente, o objetivo do bloco era a cooperação em questões econômicas. Mas, ao longo dos últimos anos, a atuação do Brics se expandiu para outros áreas.Reunião de chanceleres dá o tom do encontro de líderesO atrito dentro dos Brics se tornou público em maio deste ano, quando os ministros das Relações Exteriores de países membros participaram de uma reunião preparatória para a cúpula dos líderes.Na época, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, disse que Teerã buscou não entrar em discussões sobre o conflito para “preservar a unidade e a coesão dos Brics”. Mas, segundo o ministro iraniano, o vice-ministro das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos e representante do país na reunião, Khalifa Shaheen Al Marar, insistiu em focar no assunto durantes as discussões.Durante o encontro, os Emirados Árabes Unidos foram acusados de ficarem ao lado dos Estados Unidos e de Israel no conflito. O país é uma das nações na região que possuem bases militares norte-americanas em seus territórios.A diplomacia emiradense, contudo, acusou o Irã de realizar atentados terroristas contra o país. Segundo Abu Dhabi, a maior parte dos bombardeios iranianos atingiram, na verdade, instalações civis e sem ligações com os EUA.Devido ao racho, a cúpula de chanceleres dos Brics terminou sem uma declaração conjunta, que esbarrou em dois pontos principais: a guerra na Faixa de Gaza, e o bloqueio iraniano no Estreito de Ormuz.Analisas consultados pelo Metrópoles explicam que o atual racha nos Brics pode ser explicado pelas recentes expansões no grupo, onde antagonistas regionais foram colocados lado a lado.Desde 2023, cinco novos países passaram a ser membros plenos do grupo: Egito, Etiópia, Irã, Emirados Árabes Unidos e Indonésia. A Arábia Saudita chegou a ser convidada para os Brics, mas ainda não formalizou o processo de adesão.Além disso, outros dez países compõem o grupo na condição de membros parceiros: Bolívia, Belarus, Cuba, Uzbequistão, Malásia, Cazaquistão, Uganda, Tailândia, Nigéria e Vietnã. Eles atuam com limitações dentro dos Brics, e não possuem poder de voto.“Essa cúpula é, ao mesmo tempo, um problema e uma oportunidade”, afirma o doutor em Política Comparada e analista internacional Paulo Cesar Rebello. “Na reunião, lideranças podem chegar a entendimentos sobre divergências regionais para que o bloco tente se posicionar sobre temas de interesse global. A guerra entre Estados Unidos e Irã, entretanto, pode se tornar um tema central, tendo em vista a participação de membros dos Brics no conflito, dificultando a publicação de uma declaração conjunta final”.