Com a popularidade das redes sociais e da inteligência artificial, muitas pessoas mudaram a forma como planejam viagens. Especialmente quando se trata da famigerada aprovação do visto para os Estados Unidos, poucos cliques levam a dicas, tutoriais e até “fórmulas mágicas para o feito. Leia também Fábia Oliveira“Me sinto mulher”, diz Bella Longuinho sobre polêmica com visto americano MundoEUA sobre restrição de vistos: “Trump está protegendo o povo americano” MundoEUA ameaça barrar influenciadores que monetizem com visto de turista Vida & EstiloNovo fura-fila para tirar visto americano custará quase R$ 4 mil Apesar de parecer facilitador, esse tipo de conteúdo também carrega riscos, já que o que funciona em um vídeo de 60 segundos ou em um prompt de IA pode comprometer a análise do pedido. Segundo o Departamento de Estado dos EUA, em 2025, a taxa de recusa chegou a 14,87% para brasileiros.Por que pode atrapalhar?Ao Metrópoles, a advogada Larissa Salvador, especializada em direito migratório, destaca que a tecnologia exige cautela. “A IA pode ajudar a entender conceitos e organizar documentos. O problema começa quando ela é utilizada como substituta de uma análise jurídica individualizada”, alerta.Muitas pessoas não se preparam da maneira correta para conseguir a aprovaçãoEntre os principais riscos, a especialista chama a atenção para o fato de que as ferramentas trabalham apenas com dados fornecidos pelo usuário. Portanto, se um detalhe importante for omitido na pergunta, a resposta automática pode induzir ao erro. Outro perigo, segundo ela, está em inserir documentos e informações pessoais nesse tipo de plataforma.“Também é importante considerar que a IA pode fornecer informações incorretas ou desatualizadas, porque regras, formulários, taxas e políticas migratórias podem mudar”, comenta.A entrevista é humana!Larissa também lembra que, durante a entrevista, não é ideal tentar memorizar as coisas, mas sim estar verdadeiramente preparado. Isso porque os oficiais buscam clareza sobre o propósito da viagem, vínculos com o país de residência e capacidade financeira. Assim, ao utilizar discursos prontos, a pessoa pode acabar soando inconsistente com o preenchimento do visto.É fundamental se preparar para a entrevista no consulado“A autenticidade, a coerência entre a documentação e a narrativa oral, e a segurança ao falar sobre o planejamento são fatores que a inteligência artificial não consegue fornecer”, reforça.Como utilizar a ferramenta com eficáciaPara orientar o uso adequado das inteligências artificiais, a advogada deixa algumas recomendações:Organização inicial: estruturar dados e rascunhos de informações.Tradução: apoiar a leitura e compreensão de conteúdos em inglês, mas lembrando que o recurso não substitui traduções que precisam atender aos requisitos formais.Listas: criar check-lists preliminares de documentos.Ferramentas automáticas podem ajudar com o visto apenas quando utilizadas da maneira correta“Ferramentas de IA, TikTok e Instagram podem servir como apoio inicial para organização e compreensão de informações, mas não substituem uma análise jurídica individualizada. Em imigração, detalhes do histórico pessoal e migratório podem mudar completamente a estratégia adequada para cada caso”, conclui.