Exposição a substância do plástico na gestação é ligada a autismo e TDAH

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A exposição durante a gravidez ao DEHP, substância usada para deixar alguns tipos de plástico mais flexíveis, foi associada a alterações na atividade dos genes dos bebês e a uma maior presença de características relacionadas ao transtorno do espectro autista (TEA) e ao transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) na infância.A descoberta foi apresentada em estudo publicado nessa sexta-feira (11/9) na revista científica Med, da Cell Press por pesquisadores australianos. O DEHP, ou ftalato de di(2-etil-hexila), é um composto acrescentado principalmente ao PVC para aumentar a flexibilidade do material. Leia também SaúdeEstudo: ordem de nascimento pode influenciar risco de TDAH e autismo SaúdeManter rotina nas férias escolares ajuda a reduzir sintomas de TDAH SaúdeCientistas desenvolvem IA capaz de prever TDAH antes do diagnóstico SaúdeTDAH na infância: psicopedagoga aponta 10 sinais normalmente ignorados Onde o DEHP pode ser encontrado?A substância pode estar presente em diferentes produtos, embora a presença dependa da composição e da fabricação de cada material:Pisos e revestimentos de vinil, nos quais pode aumentar a flexibilidade;Mangueiras e tubos flexíveis produzidos com determinados tipos de PVC;Embalagens e materiais em contato com alimentos feitos com alguns plásticos flexíveis;Roupas e revestimentos impermeáveis produzidos com PVC flexível;Produtos médicos, como determinados tubos e bolsas feitos com PVC flexível.Alterações identificadas desde o nascimentoOs pesquisadores utilizaram dados do Barwon Infant Study, estudo australiano que acompanha mães e filhos desde a gestação. Entre os participantes, 847 tinham informações sobre a exposição pré-natal ao DEHP, estimada por metabólitos encontrados na urina materna na 36ª semana da gravidez.Após o nascimento, os cientistas analisaram o sangue do cordão umbilical e identificaram uma rede de genes com alterações na metilação do DNA associadas ao DEHP. A metilação funciona como um mecanismo de controle da atividade dos genes, sem modificar a sequência genética, e parte dos genes identificados já havia sido relacionada ao desenvolvimento cerebral, ao autismo e ao TDAH.As crianças foram avaliadas aos dois e quatro anos por meio de questionários sobre comportamento. As análises encontraram relações entre a exposição pré-natal ao DEHP, as alterações epigenéticas identificadas ao nascimento e características relacionadas ao autismo e ao TDAH na infância.Os principais resultados também foram avaliados em conjuntos independentes de dados, incluindo amostras de sangue e de tecido cerebral, que reforçaram parte dos achados.Associação não significa causaApesar dos resultados, o estudo não permite afirmar que o DEHP provoque autismo ou TDAH. A pesquisa identificou associações, portanto, não demonstra que uma criança desenvolverá alguma das condições por ter sido exposta à substância durante a gestação.Autismo e TDAH são condições complexas, influenciadas por diferentes fatores genéticos e ambientais. Segundo os pesquisadores, os achados apontam um possível caminho biológico entre a exposição ao DEHP durante a gestação e o neurodesenvolvimento, mas novas pesquisas são necessárias para confirmar a relação.