Chefe da CGU, Vinícius Marques de Carvalho tenta ampliar poder no Cade

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O ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Vinicius Marques de Carvalho, tem feito forte articulação em Brasília para emplacar seu aliado Diogo Thomson de Andrade na Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).A vaga é considerada estratégica dentro da autarquia, responsável por analisar atos de concentração, investigar condutas anticompetitivas e combater práticas que possam prejudicar a concorrência.Thomson é apontado como aliado de primeira hora de Carvalho. Em 2023, quando o governo Lula discutia a indicação de quatro novos conselheiros para o Cade, Carvalho trabalhou pelos nomes de Thomson e Camila Cabral Pires Alves.Desde que chegaram ao Cade, Thomson e Camila passaram a ser associados ao grupo de Carvalho. Na advocacia especializada, são vistos como interlocutores próximos do ministro e, segundo pessoas que acompanham o funcionamento da autarquia, como importantes pontos de apoio de sua influência no órgão.O Cade enfrenta atualmente um processo de renovação de sua cúpula. Estão pendentes de indicação os ocupantes da Presidência, da Superintendência-Geral, da Procuradoria-Geral e de duas cadeiras de conselheiro — cinco posições no total.A demora nas escolhas mantém em aberto a disputa pelo controle da autarquia. Nesse cenário, a eventual nomeação de Thomson para a Superintendência-Geral daria a Carvalho um aliado em um dos cargos mais importantes da estrutura do Cade, aumentando seu poder de influência.A passagem pelo Cade e a porta giratóriaCarvalho presidiu o Cade entre 2012 e 2016. Depois de deixar a autarquia, fundou o escritório VMCA Advogados, especializado em direito concorrencial, que passou a representar empresas em processos e procedimentos perante o próprio órgão.Mais tarde, Carvalho retornou ao governo, desta vez como ministro da CGU. A combinação entre a passagem pelo comando do Cade, a posterior atuação na advocacia privada perante a autarquia e a influência atribuída a ele sobre a escolha de integrantes do órgão alimenta questionamentos sobre a chamada “porta giratória” entre o setor público e a defesa de interesses empresariais.O escritório fundado por Carvalho tem entre seus clientes ou ex-clientes grandes empresas e já esteve envolvido em processos de interesse de companhias perante o Cade. Pessoas próximas dizem que o ministro pretende voltar a advogar no próximo ano.