A Amazônia ocupa quase metade do território brasileiro, mas conhecer o bioma ainda é uma realidade distante para brasileiros e brasileiras. Para quem ainda não conhece a nossa floresta e toda a sua diversidade social e ecológica, a dica é começar as descobertas pela capital do Amazonas, Manaus. Foi essa a proposta da Academia Amazônia Ensina e da Aberje (Associação Brasileira de Comunicação Empresarial). Com patrocínio do Itaú, a Expedição Amazônia: Conhecer para Comunicar reuniu um grupo de comunicadoras de diferentes perfis para um verdadeiro mergulho na natureza, na história, nos desafios e nas soluções que se misturam na complexidade amazônica.Entre as diversas atividades desenvolvidas ao longo de 3 semanas, a visitas aos museus da região são uma opção acessível e encantadora. Para começar, o Museu da Amazônia, conhecido como MUSA, garante uma imersão na floresta em meio à área metropolitana de Manaus. Leia também: 1.Casa da Floresta: a Amazônia que ensina, acolhe e aponta caminhos 2.20 curiosidades sobre a Amazônia MUSA – Museu da AmazôniaExposição de fotos em trilha no meio da floresta, Foto: Natasha OlsenUm espaço vivo onde ciência, cultura e natureza se misturam nos 100 hectares da Reserva Florestal Adolpho Ducke. A área abriga uma floresta de terra firme nativa, estudada há décadas pelo INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia).Fotos de indígenas são parte de uma exposição que se estende ao longo de uma trilha entre árvores centenárias. Um aquário mostra peixes da bacia amazônica para visitantes que encontram em um lago próximos as famosas vitórias régias e uma simpática mamãe jacaré com seus filhotes. No meio da floresta, uma exposição qiue traz artesanato das comunidades ribeirinhas e quadros com diferentes espécies e seus nomes, científicos e nos idiomas dos povos originários.Tocas de larvas de cigarras e aranhas são parte das descobertas do Museu da Amazônia. Fotos: Natasha OlsenBorboletário, serpentário, casa dos aracnídeos. Tudo em meio à floresta preservada, com seus sons e encantos. E, para aproveitar tudo isso, o MUSA conta com uma equipe de guias altamente capacitados, que recebem quem passa por lá com simpatia e um mundo de informação. O guia da Expedição Amazônia: Conhecer para Comunicar foi Thiago Carvalho, zoólogo que e atua no Museu da Amazônia com pesquisa, educação ambiental e turismo científico.Pesquisador e monitor do Museu da Amazônia, Thiago apresenta a exposição sobre aracnídeos, sua especialidade. Foto: Natasha OlsenThiago fez mestrado em Zoologia pela Universidade Federal do Amazonas, estudando a biogeografia de ilhas fluviais amazônicas a partir das aranhas. No MUSA, coordena a exposição Aracnídeos Amazônicos e conseguiu substituir o medo pela curiosidade na observação de aranhas e escorpiões. Leia também: 1.Pesquisa descobre que aranhas “sentem cheiro” com as patas 2.Venenos de serpente e de aranha da Amazônia têm potencial farmacológico Torre de observação no MUSA, Museu da Amazônia. Foto: Natasha OlsenFoi ele que acompanhou o grupo para um dos principais atrativos do MUSA: a torre de observação de cerca de 45 metros em que é possível observar a floresta amazônica e contemplar o pôr-do-sol por cima da copa das árvores. A subida e a descida são cansativas, mas a paisagem vale o esforço. Para quem tem mais dificuldade de locomoção ou prefere fazer o trajeto mais devagar, a dica é começar a subir com antecedência para garantir o pôr-do-sol lá de cima.Pôr-do-sol visto da copa das árvores da torre do MUSA (Museu da Amazônia). Foto: Natasha OlsenMUMA – Museu da Cidade de ManausUm prédio histórico localizado no centro da cidade, em frente à praça Dom Pedro II, o museu apresenta aos visitantes sua exposição Sua exposição permanente, “A Cidade de Manaus: História, Gente e Cultura”, que conta como a cidade foi formada a partir de diferentes temporalidades, dos povos indígenas, dos fluxos migratórios e das transformações sociais e econômicas.Móveis e salas seculares se ficam lado a lado com à uma maquete que explica o que são os rios voadores. A arqueologia exposta por um piso transparente revela tradições dos povos indígenas e uma exposição virtual convida visitantes a entrarem em casas manauaras de diferentes pessoas, cada uma com sua origem e todas se encontrando na capital do Amazonas.Parte do acervo do Museu da Cidade de Manaus foi doada pelo poeta manauara Thiago Mello, que trocava poemas por obras de arte. Fotos: Natasha OlsenA tecnologia também está presente em outras instalações, como uma roda de depoimentos de diferentes imigrantes que termina com um mergulho nos rios ou o espelho d’água serve como tela para a linha do tempo da construção de Manaus.Instalado no Paço da Liberdade, em um edifício construído no século XIX que já abrigou o governo provincial e a administração municipal, o Museu da Cidade de Manaus tem sua curadoria e projeto museográfico assinados por Marcello Dantas, um dos principais criadores de museus e exposições imersivas do Brasil, também ligado a projetos como o Museu da Língua Portuguesa. Sua proposta foi construir um museu de identidade: um espaço que não apenas guarda o passado, mas organiza narrativas sobre quem construiu e continua construindo Manaus.A tecnologia e o clássico se misturam no acervo do Museu da Cidade de Manaus. Fotos: Natasha OlsenO historiador, professor e coordenador do Museu da Cidade de Manaus, Leonardo Grangeiro Novellino, foi o guia da Expedição Amazônia, e sua condução tornou a experiência divertida e profunda. Sua atuação reúne pesquisa histórica, gestão museológica, educação patrimonial e interpretação do patrimônio cultural.Leonardo possui amplo conhecimento sobre a formação histórica de Manaus, especialmente sobre o centro antigo, sua arquitetura, seus vestígios arqueológicos e as transformações sociais que moldaram a cidade. E a dica aqui é tentar conhecer o museu por meio do olhar e das palavras do seu coordenador. Leia também: 1.Casa em Manaus une arquitetura sustentável e preservação florestal 2.Estruturas com plantas trepadeiras envolvem escritório em Manaus Museu do Seringal Vila ParaísoO Museu do Seringal Vila Paraíso fica no igarapé São João, afluente do Tarumã-Mirim. Foto: Natasha OlsenMuito se fala sobre toda a riqueza que a borracha trouxe para o Brasil, em especial para a região Norte do país. Mas, para entender o que realmente foi esse momento da nossa história é necessário entrar na história dos seringuais de onde vinha o látex, extraído manualmente das árvores da floresta amazônica – uma realidade muito distante da abundância vivida pelos coronéis e suas famílias.As instalações do Museu do Seringal foram construídas como cenário do filme A Floresta e reaproveitadas depois das gravações. Como a maioria das casas na bacia amazônica, eram feitas com palafitas, para permanecerem acima da água na época de cheia dos rios. Foto: Natasha OlsenA história do ciclo da borracha está no Museu do Seringal Vila Paraíso. Suas trilhas e construções apresentam como os espaços e as relações sociais de um seringal amazônico do final do século XIX e início do XX. Suas instalações foram originalmente construídas para as filmagens de A Selva, adaptação do romance de Ferreira de Castro, e transformadas em museu em 2002.O luxo das casas dos “coronéis da borracha” contrasta com as condições de trabalho dos seringueiros. Fotos: Natasha OlsenAlém de recordar o período de prosperidade econômica da borracha, a visita evidencia o sistema de endividamento, a exploração do trabalho e a profunda desigualdade que sustentaram aquela riqueza. Os visitantes podem experimentar as “mochilas” feitas de palha usadas para transportar 50kgs de látex, ver de perto como é o processo de “sangrar” a seringa e as diferenças gritantes entre a casa do proprietário, com mobiliário e decoração trazidos da Europa, e o lugar onde os seringueiros dormiam no meio da mata.Natasha Olsen, editora do CicloVivo, experimenta mochila usada para carregar cerca de 50 quilos de látex. Fotos: Acervo PessoalQuem conta todas essas histórias é a guia Marilene Batista de Souza, conhecida como Mari. Ela é monitora do Museu do Seringal Vila Paraíso, com atuação nos segmentos de turismo cultural e ecoturismo. Natural de Parintins, Mari estudou intensamente a história da borracha e do próprio seringal e passa todo esse conhecimento com propriedade. Desde que começou no museu, desenvolveu uma maneira singular de conduzir as visitas, combinando conhecimento histórico, oralidade, sensibilidade e forte presença narrativa.A visita guiada é fundamental para entender tudo o que o museu tem para oferecer. Em destaque, Mari, guia do Museu do Seringal. Foto: Natasha OlsenParceira de longa data da Academia Amazônia Ensina, Mari ministra para os grupos uma aula sobre os aspectos econômicos e sociais dos seringais extrativistas, transformando a visita em história viva, aproximando o público tanto das estruturas de poder do seringal quanto da experiência cotidiana de quem trabalhou nele.Réplica do forno usado para produzir as peças de látex que seriam comercializadas pelos seringueiros no primeiro ciclo da borracha. Foto: Natasha OlsenThe post 3 museus para conhecer a Amazônia appeared first on CicloVivo.