Suzano (SUZB3) vê US$ 175 milhões em ganhos com joint venture e mira dívida menor; entendaA Suzano (SUZB3) apresentou em seu novo Non-Deal Roadshow uma estratégia para capturar até US$ 175 milhões em ganhos operacionais com a joint venture criada com a Kimberly-Clark. O material também mostra uma meta de reduzir a alavancagem da companhia para menos de 2,5 vezes nos próximos anos.A joint venture reúne operações de papel tissue, como papel higiênico, lenços e produtos profissionais, em diferentes países. A Suzano detém 51% da companhia e a Kimberly-Clark possui os 49% restantes.Suzano mira US$ 175 milhões em sinergiasSegundo o material divulgado pela companhia, os ganhos previstos devem ser capturados ao longo de três anos, principalmente por meio de melhorias em compras, processos industriais e logística.A apresentação afirma que a integração das operações pode “reduzir a volatilidade do fluxo de caixa e diversificar o portfólio” da Suzano, em tradução livre do documento. A estratégia aproxima a empresa do consumidor final e reduz sua dependência da venda de celulose, cujo preço pode oscilar de acordo com o ciclo internacional da commodity.A estimativa de US$ 175 milhões ainda é preliminar e está sendo refinada. Do total projetado, 37% devem vir da área de suprimentos, 34% da operação industrial, 13% de despesas administrativas, 12% de logística e 4% de outras iniciativas.Como funciona a parceria com a Kimberly-Clark?A empresa criada pela joint venture tem capacidade de produção de aproximadamente 1 milhão de toneladas de tissue, 22 fábricas em 14 países e presença comercial em mais de 70 mercados. O negócio reúne cerca de 9 mil funcionários e, em bases pro forma de 2024, apresentava receita líquida de aproximadamente US$ 3,3 bilhões e Ebitda ajustado de US$ 500 milhões.A Suzano controla o conselho de administração, com três dos cinco assentos, e também indica o diretor-presidente e o diretor financeiro. O material estima em US$ 1,3 bilhão o valor de aquisição da participação de 49%, caso a companhia exerça a opção prevista no acordo.Na prática, a operação amplia a presença da Suzano em produtos acabados e de maior valor agregado. A companhia continua produzindo a matéria-prima, mas passa a participar de etapas mais próximas da venda ao consumidor.Dívida menor está entre as prioridadesO roadshow também reforça que a Suzano pretende crescer com disciplina financeira. A companhia encerrou o segundo trimestre de 2026 com dívida líquida de US$ 12,8 bilhões e alavancagem de 3,4 vezes.A meta apresentada é reduzir esse indicador para menos de 2,5 vezes nos próximos dois a três anos. Para isso, a empresa pretende combinar geração de caixa, redução dos desembolsos operacionais e maior seletividade nos investimentos.O programa de competitividade reúne 77 iniciativas, das quais 40 foram priorizadas para execução no curto, médio e longo prazo. Na área de papel e embalagens, a Suzano estima uma redução de custos entre R$ 80 milhões e R$ 115 milhões em 2026, sem necessidade de investimentos adicionais.Suzano enfrenta pressão no mercado de celuloseA estratégia ocorre em um momento de mudanças no mercado de celulose de eucalipto. A apresentação estima que a demanda mundial por celulose de fibra curta cresça de 41,4 milhões de toneladas em 2024 para 45,9 milhões em 2029, avanço médio de 2,1% ao ano.Ao mesmo tempo, o material aponta cerca de 6 milhões de toneladas de nova capacidade integrada entre 2025 e 2029. Esse movimento pode aumentar a oferta e pressionar preços, especialmente se as novas fábricas atingirem níveis elevados de produção.Para a SUZB3, os principais pontos de atenção são a execução das sinergias da joint venture, o ritmo de redução da dívida e a capacidade de ampliar negócios de maior valor agregado, como tissue e fluff. A apresentação reforça que a companhia busca combinar escala, controle de custos e diversificação para atravessar um cenário mais competitivo.