A Marcopolo (POMO4) apresentou, no Investor Day, uma visão um pouco mais construtiva para o médio prazo, embora a companhia ainda enfrente desafios de rentabilidade e demanda no curto prazo. Bradesco BBI, Safra e XP Investimentos recomendaram a compra das ações, apesar das duas primeiras casas ainda considerarem uma visão cautelosa sobre Marcopolo.Um dos principais pontos positivos foi o avanço do programa Caminho da Escola, uma proposta do Governo Federal criada em 2007 para garantir o transporte diário, seguro e de qualidade para estudantes da rede pública. Segundo os relatórios, cerca de 7,2 mil ônibus foram conquistados pela Marcopolo, dos quais aproximadamente 4,5 mil já foram homologados. A companhia recebeu mais de 500 compromissos de compra nos primeiros dias e espera produzir ao menos 500 unidades no quarto trimestre de 2026, com a maior parte das entregas concentrada em 2027.A XP também destacou a importância do programa para o mercado doméstico, enquanto Ágora e Safra ponderaram que a demanda governamental deve ganhar maior relevância apenas a partir de 2027. new TradingView.MediumWidget( { "customer": "moneytimescombr", "symbols": [ [ "POMO4", "POMO4" ] ], "chartOnly": false, "width": "100%", "height": "300", "locale": "br", "colorTheme": "light", "autosize": false, "showVolume": false, "hideDateRanges": false, "hideMarketStatus": false, "hideSymbolLogo": false, "scalePosition": "right", "scaleMode": "Normal", "fontFamily": "-apple-system, BlinkMacSystemFont, Trebuchet MS, Roboto, Ubuntu, sans-serif", "fontSize": "10", "noTimeScale": false, "valuesTracking": "1", "changeMode": "price-and-percent", "chartType": "line", "container_id": "f3e142a"} ); Marcopolo (POMO4) e o programa federalHistoricamente, entre 80% e 90% dos volumes adjudicados no Caminho da Escola são entregues.No entanto, o ritmo depende da definição orçamentária e da utilização de emendas parlamentares — que financiaram cerca de 80% das unidades do programa.Outro vetor citado foi o Move Brasil, de financiamento de veículos. Para os analistas, o programa deve concentrar seu impacto no terceiro trimestre de 2026, especialmente para a Volare, que conta com estoque disponível e ciclo de financiamento mais curto.A avaliação do BBI, porém, é de que o programa representa mais uma antecipação de compras do que um crescimento estrutural das vendas, sobretudo entre ônibus urbanos maiores e rodoviários.Problemas pela frenteNo mercado doméstico, o cenário continua sendo um dos principais pontos de atenção. O alto custo de financiamento, a pressão sobre a rentabilidade das operadoras e o aumento do diesel dificultam uma recuperação mais consistente da renovação das frotas. Apesar da frota urbana envelhecida sustentar uma demanda potencial, a capacidade financeira dos operadores e o acesso ao crédito ainda limitam novos pedidos. Nesse contexto, a Marcopolo vem buscando elevar a eficiência operacional e reduzir custos.No exterior, os analistas enxergam oportunidades em diferentes mercados. A Austrália, por exemplo, possui uma carteira de pedidos considerada forte, com volumes de 2027 esperados em níveis semelhantes aos de 2025 e 2026.Na Colômbia, a produção relacionada ao TransMilenio deve ganhar força, enquanto Argentina e México apresentam potencial de recuperação, embora com maior incerteza sobre o timing.Na Europa, foram vendidos 21 veículos G8, com produção prevista a partir de novembro de 2026 e entregas em janeiro de 2027, além de mais de 30 veículos em negociação.Apesar dos desafios no curto prazo, os relatórios apontam oportunidades de recuperação a partir de 2027, apoiadas por programas governamentais, expansão internacional, aftermarket e ganhos de eficiência. O BBI recomenda compra para POMO4, com preço-alvo de R$ 8, enquanto a Safra possui preço-alvo de R$ 9,10. A XP também mantém recomendação de compra, avaliando que a forte queda das ações neste ano já reflete uma parcela relevante da revisão negativa dos resultados.*Com supervisão de Renan Sousa