Crise é consequência da politização do STF, diz especialista à CNN

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A crise institucional que envolve o STF (Supremo Tribunal Federal) é consequência direta da politização da Corte. Essa é a avaliação do cientista político Lucas de Aragão, sócio da Arko Advice, ao Hora H. Segundo ele, o país vive um cenário de fragmentação do poder, no qual nenhum dos Três Poderes reúne credibilidade ou legitimidade suficiente para liderar um consenso.Um problema estrutural e de longa dataPara Lucas de Aragão, a crise atual não é recente. “A gente tem uma crise que tem se esticado, uma crise de competência dos Poderes ficarem dentro das suas caixinhas”, afirmou.Ele destacou que o Brasil “desaprendeu a estabelecer limites” e que, hoje, o limite passa a depender de quem é beneficiado pela decisão.Nesse contexto, o analista descartou a eficácia de uma grande reforma como solução imediata para o problema, especialmente a menos de um mês do primeiro turno das eleições. Leia Mais Análise: Decisão de Mendonça joga crise do STF no colo de Lula Campanhas veem jogo eleitoral como pano de fundo da crise no STF Lula e Fachin tratam de crise política no STF Polarização que contamina o JudiciárioAragão explicou que a polarização política, antes mais restrita ao ambiente eleitoral, tem se espalhado para outros Poderes. Como exemplo, citou que o Judiciário passou a ser visto como um ator político ao vocalizar e participar ativamente da política.“Isso agora é uma consequência dessa politização do Judiciário”, disse. “Ele no meio de uma situação eleitoral, no meio de uma situação política, sendo vista como um ator político e com um protagonismo na vida política.”Para o analista, o resultado é um cenário em que “ninguém manda no Brasil, muita gente manda no Brasil e não há uma força capaz de organizar esse consenso”.Impacto eleitoral e o silêncio de LulaO cientista político também analisou os desdobramentos da crise sobre o processo eleitoral. Segundo ele, quando o acusador perde credibilidade — no caso, o STF —, a acusação também perde força.Como exemplo, mencionou que o PT e Lula não utilizaram na campanha a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro justamente por esse motivo. “Quando o acusador perde força, quando o acusador perde credibilidade, nesse caso o STF, a acusação também perde força”, explicou.Aragão ressaltou ainda que crises generalizadas tendem a prejudicar quem está no poder: “A percepção é algo muito mais forte na política e quando você tem uma percepção de crise generalizada, de corrupção, isso sempre acaba respingando muito mais em quem está no poder”.Saída pelo consenso, mas sem liderançaApesar do diagnóstico sombrio, Aragão indicou que a saída para a crise institucional passa necessariamente pelo diálogo.“Agora é hora de todo mundo colocar a bola no chão e ter uma conversa de tentar chegar a um consenso mínimo, mínimo que seja para evitar decisões acaloradas, principalmente antes da eleição”, afirmou.“A gente tem a necessidade de ter uma saída pelo consenso, mas nenhum dos Três Poderes com força ou legitimidade perante a sociedade para liderar esse consenso”, diz Lucas. Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.