O Fortnite descobriu como transformar qualquer franquia em fenômeno

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Um encanador italiano, um ouriço azul e o protagonista de um RPG japonês de 2016 correm lado a lado pela mesma ilha, atirando uns nos outros. Por incrível que pareça, não é nenhum MOD, como os que víamos no GTA, é o mapa padrão do Fortnite desde 20 de agosto, quando a temporada Override colocou Sonic, Mega Man, Crash Bandicoot, Spyro, o Joker de Persona 5 e o Sora de Kingdom Hearts para dividir espaço com Master Chief, Geralt, Lara Croft e outros clássicos.Não dá mais para chamá-lo só de “jogo de battle royale”. Nos últimos anos ele virou uma vitrine que já expôs heróis da Marvel, guerras de Star Wars e shows ao vivo de artistas como Travis Scott e Metallica.A temporada Override aplica a mesma fórmula. É a prova de que essa engrenagem de crossover funciona com qualquer franquia, até com os concorrentes do próprio Fortnite.O que é a temporada Override?Imagem: Epic Games/ DivulgaçãoA Epic chamou a temporada de “Gaming Legends” e não economizou em referências. Além dos nomes já citados, o mapa ganhou referências a Tetris, Pac-Man e até uma skin de Roblox, vindo do jogo 99 Nights, na mesma linha de outros crossovers de luta, como Mortal Kombat (Scorpion, Raiden, Kitana), que a Epic já vinha rodando na loja. Cada um vem com seus próprios acessórios: entre eles está um sistema de mochila que dá poderes específicos por personagem, como velocidade ao vestir o Sonic, voo com o Tails e um canhão de braço ao jogar de Mega Man.O mapa mudou para acomodar essas referências. Green Hill Zone, cenário clássico do Sonic, virou ponto de interesse com loops de velocidade; surgiu um labirinto inspirado no Pac-Man; e blocos de Tetris caem como obstáculo ambiental em certas áreas. No passe de batalha, oito skins estão confirmadas, incluindo Sonic e Tetris; já Mega Man fica de fora do passe e circula pela loja em rotação, junto com nomes recorrentes de outras franquias. Quem quiser todos vai precisar gastar V-Bucks aos poucos.A técnica que eles aplicam faz tempoOverride não nasceu do nada. Ele é só o capítulo mais recente de uma estratégia que a Epic vem testando desde 2018, quando o Thanos chegou ao jogo na Temporada 4 e se tornou, até hoje, a referência que a Epic repete em toda colaboração desde então. De lá para cá, a Marvel sozinha já emprestou mais de 45 colaborações ao Fortnite, de heróis solo a eventos inteiros de guerra baseados nos quadrinhos.O padrão se repetiu com outras franquias. O Star Wars entrou no mapa a partir do Capítulo 2, trazendo Rey, Finn e, mais tarde, Darth Vader e Ahsoka Tano. O universo dos animes já rendeu mais de uma dezena de crossovers, incluindo Naruto, Dragon Ball e Jujutsu Kaisen. O Naruto, inclusive, é lembrado até hoje como um dos crossovers de anime mais comentados do Fortnite, ajudando a abrir espaço para outras franquias japonesas no jogo. Já a música soma mais de 25 parcerias, quase sempre trazendo shows completos dentro do próprio jogo.Cada uma dessas fases seguiu a mesma lógica: pegar uma cultura inteira de fora e encaixá-la dentro da linguagem do Fortnite.Já pensou em assistir a uma série dentro do jogo?Imagem: Epic Games/ DivulgaçãoO ponto mais alto dessa estratégia aconteceu em maio de 2025, durante a temporada “Galactic Battle”, dedicada ao Star Wars. A Epic não se limitou a colocar sabres de luz e naves no mapa: ela criou uma ilha chamada Star Wars Watch Party e usou esse espaço para exibir os dois primeiros episódios da série Star Wars: Tales of the Underworld com 48 horas de exclusividade, antes até da estreia no Disney+.Foi um movimento de inovação que a comunidade recebeu bem: uma forma de aproximar um público mais jovem de uma franquia com quase 50 anos de história de um jeito orgânico.Os números provam que funcionaA Disney investiu US$ 1,5 bilhão no Fortnite, a maior aposta da empresa em games até hoje. O jogo já acumula milhares de itens de colaboração lançados ao longo dos anos, entre marcas de moda, super-heróis e franquias de cinema.O efeito também aparece fora do jogo. Quando a Epic anunciou o show da Karol G dentro do Fortnite, a música “Si Antes Te Hubiera Conocido” saltou para a 5ª posição mais tocada no Spotify em agosto de 2024, um salto puxado só pelo anúncio, antes mesmo do show acontecer.O caso mais citado continua sendo o show de Travis Scott em 2020: 12,3 milhões de espectadores simultâneos no pico e 27,7 milhões de jogadores únicos ao longo do evento, além de cerca de US$ 20 milhões em vendas de produtos, mais do que ele costuma faturar numa turnê física inteira.Metallica e a logística por trás dissoO caso mais recente antes de Override foi o show do Metallica, em junho de 2024. A banda inteira entrou no jogo com os quatro integrantes renderizados digitalmente, tocando seis músicas dentro do Fortnite Festival, com direito a skins temáticas e uma pista de corrida no modo Creative.Foi um show do Fortnite presente em três modos diferentes ao mesmo tempo na temporada: cosméticos jogáveis no Battle Royale, uma experiência musical dedicada no Festival e uma pista de corrida no Creative. Ou seja, a mesma estrutura de distribuir um crossover entre passe de batalha, loja e modos especiais, que Override usa agora com personagens de games, tinha sido testada meses antes com uma banda de rock.O que fica dissoImagem: Epic Games/ DivulgaçãoA verdade é que a comunidade gamer está dividida sobre esse excesso de referências. Uma parte acha que virou informação demais dentro de um battle royale, que devia ser sobre construir, atirar e sobreviver, não sobre decorar quem é quem entre dezenas de crossovers. Outra parte ama exatamente isso: poder colocar Sonic, Geralt e Johnny Silverhand na mesma party montando seu time dos sonhos.No fim, as duas opiniões cabem. O que importa é que, quando uma novidade é bem feita e chega com carinho, seja um crossover, um modo novo ou uma mecânica diferente, ela é sempre bem-vinda para quem realmente vive a cultura gamer.O post O Fortnite descobriu como transformar qualquer franquia em fenômeno apareceu primeiro em Olhar Digital.