Após afirmar que o relatório usado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), contra o ministro André Mendonça não seguiu os parâmetros adotados pelos profissionais de inteligência, a Intelis, União dos Profissionais de Inteligência de Estado da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) informou, nesta quarta-feira (9/9), que não atua em corrente ideológica.Em nota, a entidade afirmou que respeita as instituições democráticas, especialmente a Suprema Corte, e que seu posicionamento é baseado apenas em critérios técnicos. Leia também BrasilGilmar apresenta proposta para vetar policiais federais em gabinetes do STF Mirelle PinheiroMendonça restringe relatórios e impõe limite à Inteligência da PF Andreza MataisUso de relatórios por Moraes e Mendonça causa incômodo na PF BrasilRelatório usado por Moraes contra Mendonça não segue padrão de inteligência “A Intelis não toma partido em disputas político-partidárias, tampouco atua em defesa ou contra qualquer autoridade, partido ou corrente ideológica”, escreveu.Segundo a instituição, a avaliação dos profissionais da Abin sobre qualquer produto de inteligência baseia-se exclusivamente em critérios técnicos e metodológicos, independentemente de quem o produziu, de quem o usou ou da finalidade a que se destinou.“A Intelis reafirma seu respeito e compromisso com as instituições da República e, particularmente, com o Supremo Tribunal Federal, seus ministros e sua missão institucional de guardião da Constituição. Reconhece, nesse contexto, a importância da atuação do colegiado e da Presidência da Corte na preservação da integridade institucional do Tribunal, do devido processo legal e dos limites constitucionais”, destacou a entidade.3 imagensFechar modal.1 de 3Moraes apresentou relatório da PF contra relatoria de André MendonçaBRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto2 de 3Corte passa por crise institucionalBRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto3 de 3Ministro do STF André MendonçaGustavo Moreno/STFSem padrãoEm nota divulgada nesse sábado (5/9), a associação destacou que a atividade da Abin não pode ser confundida com investigação criminal.Moraes escalou a crise no STF ao usar o Inquérito das Fake News para acusar Mendonça de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade na condução das operações Sem Desconto e Compliance Zero.A Intelis afirmou que o relatório não seguiu os parâmetros adotados pelos profissionais de inteligência.O ministro, no entanto, fundamentou sua acusação de “fortes indícios” dos crimes em um relatório de inteligência da Polícia Federal repleto de ressalvas.O documento não tem valor probatório. Embora Moraes tenha enquadrado a conduta como indício de irregularidade, o próprio texto da PF rotula o episódio apenas como uma hipótese levantada por um analista, atribuindo-lhe um índice de confiabilidade considerado baixo.Segundo a associação, o episódio evidencia os riscos decorrentes da falta de clareza sobre os limites e as características próprias da atividade de inteligência.“A ausência de legislação abrangente, somada ao desconhecimento de seus conceitos e procedimentos, pode provocar uma confusão perigosa entre Atividade de Inteligência, atividade policial e persecução penal”, diz o comunicado.