Quando criança, Jonathan Spano tinha um sonho: ser piloto militar. O sonho acabou rapidamente quando ele descobriu que a Marinha dos Estados Unidos exigia visão quase perfeita para pilotar aeronaves, um requisito que ele jamais conseguiria cumprir. Em vez disso, decidiu abrir o próprio negócio. O empreendimento deu tão certo que, décadas depois, ele pôde gastar milhões de dólares em aulas de voo e aeronaves para realizar o sonho de infância. Hoje, é o piloto responsável por algumas das cenas aéreas mais elogiadas de Top Gun: Maverick.“Eu era fascinado por aviões. Montava maquetes e pendurava no teto do meu quarto com linha de pesca. E, como muitos garotos, quando Top Gun foi lançado, fiquei obcecado. Queria pilotar aviões da Marinha e pousar em porta-aviões”, disse Spano à Fortune.Com o passar dos anos, o atual CEO, hoje com 48 anos, percebeu que paixão, dedicação ou estudo não mudariam sua trajetória. “Aprendi que era preciso ter uma visão melhor do que perfeita. Na prática, 20/20 era o mínimo”, contou. “Eu não atendia a esse critério. Usava óculos quando criança.”De uma empresa de trânsito a um negócio milionárioSpano cresceu em uma família de classe trabalhadora na Califórnia. Ainda adolescente, começou a trabalhar com o irmão realizando serviços de controle de tráfego para uma empresa de guindastes onde o pai era funcionário.Os dois perceberam rapidamente uma oportunidade. Na época, havia empresas que alugavam cones e barreiras, mas não faziam a instalação; outras cuidavam apenas das licenças necessárias.Em 1995, os irmãos criaram um negócio que oferecia tudo em um único pacote: aluguel de equipamentos, sinalização de trânsito, barreiras, placas e atendimento emergencial 24 horas.“O plano nunca foi construir uma companhia nacional. Era apenas uma forma de ganhar dinheiro. Mas o negócio foi crescendo”, relembrou.E cresceu muito. Trinta anos depois, a Traffic Management Inc. opera em mais de 50 localidades nos Estados Unidos e, segundo Spano, tornou-se a maior empresa privada de controle de tráfego do país, gerando mais de US$ 1 milhão por dia em receita.“O engraçado é que a empresa que comecei apenas para pagar as contas acabou financiando o sonho que eu tinha quando criança”, disse.Como uma dica do contador o levou de volta aos céusA virada aconteceu duas décadas depois da fundação da empresa.O diretor financeiro da Traffic Management sugeriu a compra de um pequeno avião, tanto por motivos tributários quanto para facilitar o deslocamento entre as diversas unidades da companhia.“Nunca tinha passado pela minha cabeça que eu poderia realizar aquele sonho de ser piloto”, conta.Ele comprou um Cessna, aprendeu a voar e começou a utilizá-lo para visitar escritórios espalhados pela Califórnia. O avião economizava horas de deslocamento e ajudava na expansão da empresa.“Dois escritórios viraram três, depois dez, depois vinte. A aviação certamente fez parte dessa história de sucesso.”Um avião levou a outro. Vieram aeronaves maiores, mais rápidas e, finalmente, um jato executivo, com investimentos de centenas de milhares de dólares a cada etapa.Ao mesmo tempo, Spano passou a perseguir outro sonho de infância: trabalhar com cinema. Comprou um helicóptero por cerca de US$ 2 milhões e formou parceria com Fred North, coordenador de cenas aéreas de Hollywood, para filmagens de filmes e comerciais.O caminho até Top Gun: MaverickFoi North quem apresentou a oportunidade que mudaria sua vida.“Eles vão fazer um novo filme de Top Gun. Você deveria adaptar seu jato para carregar as mesmas câmeras que usamos nos helicópteros”, lembra Spano.Ele passou 18 meses e gastou milhões de dólares modificando seu Embraer Phenom 300 para transportar equipamentos cinematográficos e obter certificação da autoridade de aviação americana.O plano funcionou.“Conseguimos finalizar tudo a tempo para participar das filmagens de Top Gun: Maverick.”Ao lado do piloto Kevin LaRosa Jr., Spano participou de grande parte das cenas aéreas entre jatos, incluindo todas as sequências envolvendo porta-aviões.O trabalho rendeu à equipe um prêmio do Sindicato dos Atores dos Estados Unidos (SAG) na categoria de dublês.A próxima missãoA Paramount já aprovou um terceiro filme da franquia Top Gun, com produção prevista para começar em 2027, e Spano afirma que já conversa com o diretor.“Temos a única plataforma do mundo capaz de fazer o que nosso jato faz. Estou otimista de que participaremos do projeto.”Desde então, a aeronave adaptada também foi usada em produções para empresas de aviação executiva como NetJets, Flexjet, Gulfstream, Embraer e Delta, além de projetos da Força Aérea dos EUA e da série America the Beautiful, da National Geographic, indicada ao Emmy.O conselho para quem quer realizar um sonhoSpano afirma que sua história mostra que sonhos podem ser alcançados, mas exigem esforço extraordinário.“Seja ousado, assuma riscos, mas também esteja disposto a trabalhar duro.”Para chegar ao nível que alcançou como piloto, ele dedicou milhares de horas ao treinamento enquanto ainda administrava a empresa em tempo integral.“Muitas vezes eu estava estudando às 11 da noite enquanto minha família dormia e precisava acordar às 6 da manhã para trabalhar”, contou.Segundo ele, a principal lição foi nunca abandonar seus objetivos.“Eu escolhia o que queria conquistar e avançava sem medo. Persistia. Acreditava que chegaria lá e superava qualquer obstáculo que aparecesse no caminho.”© 2026 Fortune Media IP LimitedThe post De um “não” da Marinha a uma empresa de US$ 1 milhão por dia — e um papel em Top Gun appeared first on InfoMoney.